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25 de Setembro de 2026, 11h:20 - A | A

POLÍTICA / VEJA MENSAGENS

PF investiga filho de Lula e Marcola por atuação em contrato da Petrobras com empresa alvo do TCU

Prints obtidos pela Polícia Federal e revelados pela jornalista Malu Gaspar, de O Globo, mostram conversas sobre articulações envolvendo a empresa, o filho do presidente Lula e integrantes do Palácio do Planalto.

Danilo M. Yoshioka/ Especial Metrópoles

Lulinha, filho do presidente Lula, e Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, são citados em investigação da PF sobre possível tráfico de influência em negociação envolvendo a Petrobras e empresa alvo do TCU.

Lulinha, filho do presidente Lula, e Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, são citados em investigação da PF sobre possível tráfico de influência em negociação envolvendo a Petrobras e empresa alvo do TCU.

DO REPÓRTERMT



A Polícia Federal apura a suspeita de tráfico de influência envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a lobista Roberta Luchsinger e Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, ex-chefe de gabinete da Presidência da República.

A investigação envolve a atuação do grupo nos bastidores de um negócio entre a Petrobras e a produtora de fertilizantes Unigel.

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As informações e os prints das conversas foram revelados nesta sexta-feira (25) pela jornalista Malu Gaspar, do jornal O Globo, a partir de mensagens obtidas pela Polícia Federal no inquérito.

Segundo a apuração, Roberta negociou com Leo Slezynger, diretor da Unigel e filho do fundador da companhia, um contrato de consultoria que previa inicialmente a atuação para viabilizar um acordo da empresa com a Petrobras. Em uma segunda etapa, a articulação buscaria financiamento de R$ 500 milhões no BNDES.

O acordo citado pela investigação previa pagamentos à lobista e uma remuneração adicional de R$ 25 milhões caso o financiamento fosse obtido. De março de 2023 a julho de 2024, segundo os dados reunidos pela PF e publicados por O Globo, Slezynger teria transferido cerca de R$ 1,26 milhão à lobista.

MENSAGENS CITAM LULINHA

Os diálogos mostram que Lulinha manteve contato com o empresário e participou de reuniões durante o período em que a Unigel buscava uma solução para suas fábricas de fertilizantes.

Em uma troca de mensagens de julho de 2023, após ser agradecido por uma suposta intervenção, Lulinha respondeu que estava feliz por estar “ajudando”.

Em outra conversa revelada por O Globo, Roberta sugeriu ao empresário que Lulinha fosse convidado para integrar o conselho de um fundo ligado aos projetos da companhia. Na mensagem, a lobista relaciona a aproximação com o filho do presidente à possibilidade de acesso político.

As mensagens também citam Marcola, que à época comandava o gabinete presidencial.

Em novembro de 2023, Roberta pediu que ele abordasse o então ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, sobre as negociações envolvendo a Unigel. Marcola respondeu que teria uma reunião com o ministro pouco antes de uma agenda de Silveira com Lula.

EMPRESÁRIO AGRADECE “APOIO”

O contrato de industrialização por encomenda, conhecido como tolling, entre Petrobras e Unigel foi assinado em 29 de dezembro de 2023.

Depois da assinatura, Leo Slezynger encaminhou mensagem a Lulinha agradecendo por seu “apoio”. O print foi posteriormente enviado à lobista, segundo a reportagem de Malu Gaspar.

Em outra conversa, Roberta atribuiu o avanço das negociações a integrantes do governo e disse que o empresário sabia que aquilo somente ocorreria caso fosse de “interesse do papis”, numa referência ao presidente Lula. A declaração é da própria lobista e não comprova, por si só, participação do presidente.

A Presidência da República afirmou a O Globo que Lula não recebeu das pessoas citadas qualquer demanda sobre o contrato e que não participou nem interferiu nas negociações.

TCU QUESTIONOU NEGÓCIO

O negócio entre Petrobras e Unigel também entrou na mira do Tribunal de Contas da União.

Em 2024, técnicos do TCU apontaram problemas no contrato e estimaram risco de prejuízo de aproximadamente R$ 487 milhões para a Petrobras. O processo foi relatado pelo ministro Benjamin Zymler.

A Petrobras sustentou à época que o contrato estava alinhado ao planejamento estratégico da companhia e afirmou que as regras internas de governança haviam sido respeitadas. Posteriormente, informou que as condições para eficácia do contrato não foram cumpridas dentro do prazo e que o acordo encerrou sua vigência antes de produzir efeitos.

Em maio de 2025, Petrobras e Proquigel, subsidiária da Unigel, chegaram a um acordo para encerrar as controvérsias e devolver à estatal a posse das fábricas de fertilizantes da Bahia e de Sergipe.

O QUE DIZEM OS CITADOS

A defesa de Lulinha

afirmou a O Globo que não teve acesso ao procedimento e que não comentaria alegações baseadas em mensagens que deveriam estar sob a guarda do Estado.

O advogado de Roberta Luchsinger classificou a divulgação das mensagens como fruto de vazamentos ocorridos às vésperas da eleição.

A Unigel declarou que jamais manteve relação contratual com Roberta ou empresas ligadas a ela.

Marcola afirmou que, como chefe de gabinete, tinha como atribuição organizar agendas e encaminhar demandas recebidas pela Presidência.

O Ministério de Minas e Energia declarou que Alexandre Silveira nunca foi procurado por Marcola para interferir no assunto da Unigel.

Já a Petrobras afirmou que nenhum integrante de sua diretoria executiva tratou do tema com Lulinha, Roberta ou Marcola e disse que as negociações envolvendo as fábricas seguiram as normas de governança da companhia.

Fonte da revelação e dos prints: jornalista Malu Gaspar, de O Globo.

Galeria: PRINTS LULINHA

 

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