ANA CRISTINA VIEIRA
DO REPÓRTERMT
A perita técnica criminal da Politec, Rosangela Ventura, desmistificou a ideia de que higienizar o corpo elimina totalmente os vestígios biológicos deixados em vítimas de estupro. Ao RepórterMT, ela explicou que embora o corpo intocado guarde uma maior concentração de material biológico, a higiene pessoal pós-trauma não inviabiliza o trabalho da perícia.
"A gente sabe que um corpo não tocado ele vai estar mais rico em vestígio, mas a gente já coletou com sucesso DNA 72 horas depois, 5 dias depois com vítimas que, obviamente, tomaram banho, então não é isso. Vai diminuir a probabilidade? Vai talvez diminuir a riqueza, mas não é isso e a gente não tem como honestamente pedir pras vítimas depois de um estupro não tomar banho, isso não é um pedido honesto", apontou.
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A perita ressaltou que exigir que a pessoa permaneça sem se lavar e com as mesmas roupas enquanto enfrenta o percurso burocrático de denúncia constitui revitimização. Neste contexto, ela defendeu a criação de estruturas de acolhimento mais honestas na segurança pública e alertou para a necessidade de combater o constrangimento e o julgamento social direcionados às vítimas.
"A gente tem que avançar, criar estruturas onde ela possa sim tomar banho, onde ela não tem que se deslocar sozinha até esse ambiente, se sentir insegura, onde ela não tem que permear um órgão e outro, às vezes com dificuldade de deslocamento ou mesmo dificuldade emocional de se arriscar num ônibus ou fora de hora para fazer essa denúncia, então a gente tem que criar estruturas honestas", cobrou.
Rosangela Ventura também comentou que homens que são alvos de crimes sexuais têm muito mais dificuldade para enfrentar esse processo. "Quando eles chegam a denunciar com a gente, são mais constrangidos, estão mais abalados que as vítimas femininas porque a gente sabe que a sociedade vai judiar mais ainda dele, dizer assim: 'Mas como que você deixou. Como se fosse algo a ser deixado né?'", citou e reforçou a importância de a denúncia ser feita.
A perita disse que perguntas sobre as roupas da vítima devem ter estritamente finalidade pericial e técnico-científica, repudiando qualquer tipo de validação de comportamentos abusivos ou culpabilização.
"São coisas que quando a gente perguntar, a gente vai ter que ter honestidade de perguntar com que roupa que a vítima estava, e essa pergunta ela tem que ser feita mais pelo objetivo óbvio que é: com que roupa que ela estava porque a gente tem que levar essa roupa para a genética forense e coletar ali o DNA do agressor. [...] A gente tem que ter essa noção social de que lado nós estamos, se a gente imperceptivelmente não está, sem perceber, do lado de estupradores", concluiu.
Confira o trecho da entrevista:














antonio Marcos 20/08/2026
essa entrevista é de suma importância, tem papel social de informar e desvendar crimes.
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