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10 de Setembro de 2026

10 de Setembro de 2026, 14h:08 - A | A

POLÍTICA / FILME DE BOLSONARO

Produtora de 'Dark Horse' diz que foi ameaçada e, se presa, não tem nada para delatar

Karina Gama foi alvo da operação da Polícia Federal que investiga desvio de recursos de emendas parlamentares para cinebiografia de Jair Bolsonaro

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Karina Gama, dona da produtora de 'Dark Horse', filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL)

Karina Gama, dona da produtora de 'Dark Horse', filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL)

MÔNICA BERGAMO
FOLHA DE S. PAULO



Um dos alvos, nesta quinta (10), da operação da PF (Polícia Federal) que investiga desvio de recursos de emendas parlamentares para o filme " Dark Horse", a produtora Karina Gama afirmou à coluna que se sente ameaçada e que, se for presa, não tem o que delatar.

Em telefonema para a coluna um dia antes de sofrer busca e apreensão, a produtora da cinebiografia de Jair Bolsonaro afirmou que estava se sentindo ameaçada e chantageada, além de pressionada para fazer delação. Disse que pessoas se passando por oficiais de Justiça, mas sem apresentar documentos, tocaram a campainha da casa dela às 21h fazendo perguntas.

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Mulher de cabelos longos e lisos, usando blusa rosa e brincos prateados, está em ambiente interno com iluminação colorida e plantas ao fundo.
Karina Gama, dona da produtora de 'Dark Horse', filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) - @theconnectfaith no Instagram
Fornecedores de empresas dela e familiares também teriam sido abordados. "Estou apavorada", disse.

Karina, que é dona da produtora Go Up, afirma que está colaborando com as investigações e que não entende a razão de ser pressionada. "Quando a PF me pediu documentos, eu forneci imediatamente", diz ela.

Karina afirma ainda que foi procurada por um pastor evangélico de Brasília, segundo ela ligado à esquerda, que ofereceu ajuda e sugeriu que firmasse um acordo de delação premiada para se livrar de penalidades mais duras.

"Eu nunca captei dinheiro para o filme, eu nunca lidei com financiadores. Eu não sei nada sobre isso. Eu prestei um serviço, de produzir o 'Dark Horse', e fui remunerada", afirma Karina.

Além do suposto desvio de recursos de emendas parlamentares, a PF investiga, em outra ação, o financiamento do ex-banqueiro Daniel Vorcaro ao filme. Os recursos a ele foram solicitados pelo pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro, em novembro do ano passado. No total, foram enviados US$ 12,3 milhões.

Em mensagem enviada ao dono do Banco Master às vésperas da prisão do ex-banqueiro, o filho de Bolsonaro afirmou: "Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz! Abs!".

Dois meses antes, o senador escreveu ao dono do Banco Master para pedir dinheiro para "Dark Horse", filme sobre seu pai.

Os recursos de Vorcaro foram enviados para o fundo Havengate, administrado por Paulo Calixto, advogado ligado ao ex-deputado Eduardo Bolsonaro.

"Eu recebi recursos do fundo para produzir o filme, mas nunca soube quem eram seus financiadores", afirma Karina.

Sobre as emendas de R$ 2 milhões que o deputado federal Mario Frias (PL-SP), também alvo da operação, destinou a um projeto desenvolvido pelo Instituto Conhecer Brasil, e que não teria sido realizado, Karina Gama afirma que todo o dinheiro ainda não usado está "em caixa".

O projeto, de letramento financeiro para jovens empreendedores, recebeu os recursos no fim de 2025, diz ela. Era o fim do ano letivo, e por isso ele só avançou neste ano.

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 com DIEGO ALEJANDRO, JULLIA GOUVEIA e KARINA MATIAS

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