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01 de Dezembro de 2013, 10h:00 - A | A

CIDADES / APÓS MORTE DE BEBÊ

Universitária se une a grupo de mães com filhos que precisam de UTI em casa

Falta de unidades hospitalares é uma das grandes reivindicações do grupo, que também pede doações para as crianças que não possuem condições financeiras.

VINÍCIUS LEMOS
DA REDAÇÃO



O nascimento prematuro do filho trouxe uma ingrata surpresa para a universitária Andressa Barreira, ela descobriu que o bebê era portador do tipo mais grave da Atrofia Muscular Espinhal, uma doença degenerativa rara, cuja consequência mais grave é o comprometimento do desenvolvimento do sistema respiratório. Em decorrência da enfermidade, o garoto precisou passar os cinco primeiros meses de vida na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), no setor para recém-nascidos, do hospital Julio Muller, em Cuiabá. Depois de realizar diversas etapas burocráticas, a universitária conseguiu que o Estado custeasse uma Home Care, unidade de UTI domiciliar, para o seu filho.

Mas durante o período em que o filho esteve aos cuidados da Home Care, Barreira relatou que diversas vezes necessitou de uma unidade hospitalar de UTI pediátrica. Em meados de julho deste ano, quando tinha pouco mais de um ano, um grave problema no pulmão fez com que o bebê tivesse de ser levado a um hospital. Após ficar mais de vinte dias internado, o garoto não resistiu às complicações da Atrofia Muscular Espinhal e morreu. Desde então, a universitária colabora com um grupo de mães que necessitam de Home Care para os seus filhos. “Quero ajudar as mães de filhos que precisam de cuidados especiais. Elas não devem se esconder da sociedade”, contou. 

Intitulado Mães de Home Care, o grupo foi criado há pouco mais de um mês, em uma rede social e, de acordo com suas integrantes, tem como objetivo auxiliar responsáveis por crianças que necessitam de uma unidade de UTI domiciliar. “Cada filho tem uma patologia diferente, mas mesmo assim trocamos ideias e nos ajudamos. Precisamos ajudar as famílias, porque há muita falta de assistência nos hospitais”, contou a empresária Esthefane Sena, uma das líderes do grupo e mãe de um garoto de quatro anos que possui uma má formação no cerebelo e, por conta disso, só se alimenta através de uma sonda.

Reprodução/Arquivo Pessoal

Esthefane e o filho, de quatro anos, que possui má formação no cerebelo e por isso necessita de Home Care

No conjunto de responsáveis, há crianças que são atendidas por Home Care providas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e por unidades particulares. “Há falhas e despreparo nos dois lados”, relatou Senna, que possui plano de saúde e, mesmo assim, já teve de ficar pouco mais de 10 horas esperando por uma UTI para o filho. “Ainda faltam muitos leitos no Estado, há mães que não conseguem achar um hospital para o filho”, pontuou. 

 A burocracia para conseguir uma unidade hospitalar para o filho, principalmente em sua última internação, também foi uma das reclamações de Andressa Barreira. “Nem todos os cuidados poderiam ser realizados em casa, por conta disso, eu precisava levá-lo a um hospital. Era sempre um problema, porque eu precisava entrar com uma liminar para que o município pagasse por uma unidade particular, porque não havia nenhuma disponível na rede pública”, lamentou.

 A falta de condições financeiras de algumas mães fez com que o grupo se ajudasse. “A gente acaba auxiliando as mães que não têm condições financeiras. Criamos um regimento externo para fazermos doações e ajudarmos os que precisam”, conta Esthefane Sena. As doações por parte de pessoas que não fazem parte do conjunto de responsáveis pelas crianças é um dos objetivos para o projeto. “Sempre precisamos de medicamentos e materiais hospitalares. Há muitas crianças passando necessidades e, quem puder, deveria ajudar”, pede. 

 Para entrar em contato com Esthefane Sena e fazer doações, o e-mail é Tete.etet@hotmail.com. Também é possível ajudar através do grupo Mães de Home Care no Facebook.

FALTA DE UTI


Em outubro, o RepórterMT relatou o problema da falta de UTI em Mato Grosso. De acordo com a assessoria de imprensa da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), seriam necessários mais 600 leitos no Estado para que pudessem atender toda a demanda da região.

 A presidente do Sindicato dos Médicos de Mato Grosso (Sindimed/MT), Elza Queiroz, disse que já foi solicitada uma reestruturação das UTIs. “Em 2011, nós montamos um dossiê que relatava a falta de leitos no Estado. Porém, o governo não nos deu nenhuma resposta”, afirmou. Com relação à saúde privada, ela declarou que trata-se de um efeito dominó. “A saúde pública está precária, então, acaba afetando diretamente a saúde privada, por isso a falta de UTIs está em toda a rede hospitalar de Mato Grosso”.

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Adriana Rossi 01/12/2013

Parabéns ao Reporter MT pela presteza em nos ajudar (tb sou mãe de home care). fico feliz em saber que temos uma poderosa ferramenta ao nosso lado (a imprensa), deixo aqui meu carinho e gratidão pelo apoio que recebemos.

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