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Terça-feira, 08 de Novembro de 2011, 14h:14 - A | A

SANTA AMÁLIA

Obras paradas do PAC, lama e buracos afugentam moradores

"A gente só tem despesa aqui e o que os políticos querem é meter a mão no nosso bolso”, diz moradora.

ANDRÉ MICHELLS

Os moradores do Bairro Santa Amália estão vivendo em completo abandono. A prefeitura da Capital simplesmente igonora o local, que já foi considerado bom para morar pela infraestrutura. Hoje a situação é inversa, justamente por conta de obras mal feitas e não terminadas do que seria um projeto de profunda melhoria para a região, o PAC (Plano de Aceleração do Crescimento). Desde a implantação e abandono das "obras" as únicas coisas que cresceram no local foram a criminalidade, a poeira (na seca), a lama (nas chuvas) e a revolta dos habitantes da região. Enquanto isso, a prefeitura não faz nada. Há cerca de dois anos a prefeitura iniciou obras para a instalação de rede de esgotos e uma lagoa de decantação. A empreitada nunca acabou.

 

Segundo os moradores, a empresa contratada começou os “trabalhos”,  as máquinas quebraram o asfalto, que era bom, colocaram alguns tubos, mas não fizeram as ligações e simplesmente jogaram terra por cima, deixando o asfalto esburacado e as ruas cobertas de terra. Agora, com as chuvas, a coisa fica fior e as ruas praticamente intransitáveis.  Por conta disso, é cada vez maior o número de pessoas que colocam seus imóveis à venda.
Segundo corretores de imóveis, ouvidos pelo RepórterMT, os preços na região despencaram devido ao abandono da prefeitura e, imóveis que chegavam a valer R$ 200 mil, hoje acabam sendo vendidos por R$ 140 mil. A culpa da prefeitura, neste prejuízo dos moradores é enorme. "Quebraram tudo e não arrumaram; abandonaram a gente sem dar satisfação", diz o comerciante Valdelino Lima.
 

As obras do PAC  foram paralisadas por suspeita de irregularidades e, até hoje ainda não há uma solução definitiva. A prefeitura, através da coordenadoria do PAC, prometeu finalizar as obras até o final de julho do ano passado, mas até agora, os moradores ainda convivem com o transtorno, com lixo, poeira (na seca), lama (na chuva) e buracos.
 

“É uma dificuldade para passar de carro, tem muito buraco, um desastre total; nunca veio alguém da prefeitura. Moro aqui há 10 anos e me sinto refém da situação”, diz o aposentado João Batista (62).

 

A servidora do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, Nair da Costa Galindo, que tem casa na rua Gavião Real, classifica a situação como insuportável. Ela conta que mal da pra entrar na garagem e que, quando chove vira brejo e quando é estação seca, a poeira é horrível. Ela disse que homens da prefeitura já estiveram no local, mas não fizeram nada.

“Eu organizei um abaixo assinado narrando a situação aqui, e protocolei na prefeitura, mas até hoje não nos deram satisfação alguma. Havia asfalto bom aqui, eles vieram, quebraram tudo e não arrumaram e nem sequer nos deram uma satisfação”, revolta-se. Nair mostra o documento protocolado na prefeitura, assinado por dezenas de moradores, mas que ainda não trouxe resultado efetivo. Ela revolta-se mais ainda quando o assunto é IPTU.
“O meu este veio dobrado e eu, em protesto, não paguei e não vou pagar mais até que o problema seja resolvido; sempre paguei em dia, quando comprei a casa havia 10 anos em atraso e eu quitei tudo, mas agora, me revolto só de ver o carnê. Eu não vou pagar R$300,00 de IPTU para morar num lugar indecente desses; meu carro vive desalinhado. A gente só tem despesa aqui e o que os políticos querem é meter a mão no nosso bolso”, desabafa. Paulo Cunha Andrade, de 48 anos, diz que se sente lesado. “Além dos problemas com buracos, poeira e agora com a lama, ainda temos que conviver com o lixo que se acumula. A gente paga e não tem retorno de nada e isso é revoltante; o lixo fica varias semanas e o caminhão não passa. Nossa rotina é lixo, poeira, entulho e buraco. Não acredito que vão resolver isso tão cedo”, diz desanimado.
 

Outro que se diz descrente com a situação é o músico Eli Nogueira (56), que mora no bairro desde 1985. “Fui um dos fundadores do bairro e me sinto impotente. A gente fala com os políticos, mas eles ignoram. Aqui mora uma ex-vereadora e ex-deputada (Verinha), mas nunca fez nada pra resolver isso, quando estava lá. Eu não tenho esperança que isso mude”. O músico disse ainda que, se encontrasse com o prefeito Chico Galindo, pediria para ele visitar as pessoas e olhar os bairros. “Sei que a culpa não é dele, pois já pegou a coisa mal feita de outro, mas gostaria que ele viesse aqui, porque não dá pra contar com vereador. Na Câmara só tem bate-boca e roubalheira”, critica.

 

Já o engenheiro João Bigattão (52) reclama dos prejuízos com o carro e dos perigos que os buracos representam. “Já troquei duas vezes o escapamento este ano e vou ter que trocar de novo, porque bate nos buracos e quebra, além disso, aqui tem boca de lobo aberta onde já caíram crianças e idosos”, alertou.

A funcionária pública Enir Vasconcelos (60) conta que as empresas quebraram o asfalto para colocar a rede de esgoto na rua dela, mas não fizeram a ligação. O resultado foi que a rua teve que ser aberta novamente, para a 2ª etapa da obra. "Minha casa fica fechada o dia inteiro e está imunda, fico até com vergonha quando vem uma visita", diz.
 

Os moradores também reclamam que ruas dos bairros próximos, como Jardim Araçá e Flanboyant, onde moram “autoridades”, foram totalmente recuperadas com asfalto de qualidade, enquanto que, no bairro, nem mesmo a lama asfáltica foi passada.


Em fevereiro do ano passado,  a coordenação do PAC em Cuiabá informou que as obras estariam concluídas até o final de julho. O prazo já se esgotou em mais de um ano e nada foi feito.
O caos, toma conta do lugar. Um retrato do abandono e da incompetência da prefeitura de Cuiabá.

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