VINÍCIUS ANTÔNIO
DO REPÓRTERMT
O Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) pediu à Corregedoria-Geral da Polícia Civil a abertura de procedimento administrativo contra o delegado Guilherme de Carvalho Bertoli, da Delegacia Especializada de Roubos e Furtos (DERF) de Cuiabá, por supostas irregularidades e possível falso testemunho durante o julgamento do investigador da Polícia Civil Mário Wilson da Silva Gonçalves, acusado pela morte do policial militar Thiago de Souza Ruiz.
O pedido foi formalizado por promotores do Núcleo de Defesa da Vida após o Tribunal do Júri realizado entre os dias 12 e 14 de maio deste ano, em Cuiabá. Segundo o documento, Bertoli teria apresentado versões incompatíveis com as provas reunidas ao longo da investigação conduzida pela Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).
>>> Clique aqui e receba notícias de MT na palma da sua mão
De acordo com o ofício, o delegado afirmou em depoimento que recebeu uma ligação do investigador Mário Wilson informando que havia “matado um noiado” e que, ao chegar ao local do crime, encontrou papelotes de cocaína próximos ao corpo da vítima. Ainda conforme o relato, uma atendente teria dito que a droga caiu do bolso do policial militar morto.
O Ministério Público, no entanto, sustenta que essa versão nunca apareceu em documentos oficiais da investigação, como boletins de ocorrência, autos de apreensão, laudos periciais ou depoimentos colhidos pela polícia. O órgão também afirma que testemunhas ouvidas pela DHPP apresentaram relatos diferentes dos mencionados pelo delegado.
Os promotores apontam ainda que Bertoli teria deixado de preservar o local do crime e não realizou apreensão da suposta droga que afirmou ter encontrado. Conforme o documento, em vez disso, ele foi ao encontro do investigador acusado e depois o apresentou à DHPP acompanhado de advogado.
Outro ponto destacado pelo Ministério Público é que os delegados André Eduardo Ribeiro e Guilherme Fachinelli, também ouvidos durante o júri, negaram ter recebido de Bertoli qualquer informação sobre a existência de entorpecentes envolvendo a vítima. Para o MP, houve “criação posterior de narrativa dissociada da realidade probatória dos autos”.
O documento afirma ainda que o delegado extrapolou suas funções ao emitir opiniões pessoais sobre o caso, contrariando as conclusões da investigação criminal e também do processo administrativo disciplinar instaurado pela própria Corregedoria da Polícia Civil, que teria sugerido a demissão do investigador Mário Wilson.
Segundo o Ministério Público, as declarações prestadas pelo delegado podem configurar violação de deveres funcionais e o crime de falso testemunho. O órgão pede que a Corregedoria apure a conduta funcional de Guilherme de Carvalho Bertoli e informa que o caso também será encaminhado a uma promotoria criminal para análise de eventual responsabilização penal.














