ANA ADÉLIA JÁCOMO
O Governo de Mato Grosso concluiu a construção do prédio do Centro de Triagem e Reabilitação de Animais Silvestres (Cetras), apontado como o maior hospital veterinário exclusivo para a fauna silvestre das Américas. O complexo, localizado no Centro Político Administrativo (CPA), abrange mais de 4 mil metros quadrados e conta com hospital, recintos para quarentena e estacionamento.
A Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema) informou que aguarda apenas a finalização das aquisições dos equipamentos e do mobiliário para iniciar os atendimentos à população e aos animais resgatados. Os investimentos aplicados na obra alcançam a marca de R$ 23 milhões.
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De acordo com a titular da Sema, Mauren Lazzaretti, a estrutura foi projetada para colocar o estado na vanguarda do cuidado animal. "A estrutura foi cuidadosamente pensada e realizada para conferir aos animais silvestres o melhor atendimento do Brasil. O nosso objetivo é de fato atender a esses animais e cumprir a missão do órgão ambiental estadual, ampliando o atendimento e promovendo uma gestão adequada", afirma.
Central de atendimento e referência
O diretor da unidade, Éder Toledo, explica que o Cetras funcionará como uma central completa, eliminando a necessidade de deslocar animais para múltiplos locais e especialistas contratados. Procedimentos que vão de dermatologia e oftalmologia a cirurgias ortopédicas e exames de imagem serão centralizados no complexo.
"É um centro que será referência na gestão de fauna no Estado. Com uma capacidade de atendimento de até cinco mil animais, a depender da espécie. Vamos receber aqui animais silvestres alvo de apreensão, de fiscalização, de resgate e de entregas voluntárias. Eles serão direcionados para este local para tratamento e reabilitação", detalha Toledo. O projeto é fruto de uma parceria entre a Sema e a Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sedec).
Mudança no fluxo de atendimento
Até então, o Estado dependia de clínicas veterinárias credenciadas. Apenas em 2025, cerca de 1.450 animais silvestres foram resgatados e encaminhados a esses locais, com um custo de aproximadamente R$ 2 milhões.
A Baixada Cuiabana concentrou a maior parte das ocorrências, com 739 animais atendidos nas clínicas Anjo da Guarda e Megalos, enquanto outros 741 bichos receberam cuidados em unidades do interior. Com a ativação do Cetras, toda essa demanda será absorvida pelo novo complexo público.
Dados da Coordenadoria de Fauna apontam que cerca de 70% dos casos atendidos envolvem aves, como papagaios, araras, periquitos, gaviões e corujas. O restante da demanda abrange mamíferos e répteis de médio e grande porte, a exemplo de antas, onças, gambás, cachorros-do-mato, jabutis, cervos e lobos-guarás.









