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02 de Outubro de 2026

02 de Outubro de 2026, 14h:44 - A | A

POLÍCIA / GANGUE DAS CANETAS

Cuiabá registra 8 ataques a farmácias por Mounjaro em apenas 30 dias; criança é baleada

Levantamento do RepórterMT reúne roubos armados e furtos registrados entre 1º de setembro e 1º de outubro; mesma Drogasil foi atacada duas vezes e criança de 11 anos acabou baleada no caso mais recente.

PMMT

Imagens de segurança registraram criminosos em farmácias e a atuação da Polícia Militar após um dos ataques ocorridos em Cuiabá.

Imagens de segurança registraram criminosos em farmácias e a atuação da Polícia Militar após um dos ataques ocorridos em Cuiabá.

DO REPÓRTERMT



Um levantamento feito pelo RepórterMT revela uma sequência de ao menos oito ataques a farmácias de Cuiabá em apenas um mês tendo medicamentos emagrecedores de alto valor, principalmente o Mounjaro, entre os alvos dos criminosos. A série reúne roubos à mão armada e invasões durante a madrugada ocorridos entre 1º de setembro e 1º de outubro. 

A escalada começou em 1º de setembro, quando dois bandidos armados entraram em uma Drogasil da Avenida dos Florais se passando por clientes. Funcionários e consumidores foram obrigados a ficar no chão enquanto os criminosos recolhiam medicamentos e objetos pessoais. Foram levadas nove unidades de Mounjaro, quatro celulares, alianças, anéis, corrente e outros pertences. Uma das vítimas estava acompanhada do filho de 8 anos e teve uma arma apontada para a cabeça. 

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Uma semana depois, em 8 de setembro, outra Drogasil, no Jardim das Américas, foi alvo. O estabelecimento confirmou ao RepórterMT que criminosos levaram canetas emagrecedoras e dinheiro do caixa. Na época, as polícias Civil e Militar informaram que não haviam localizado registro da ocorrência em seus sistemas. 

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O ataque de maior volume conhecido até então ocorreu em 17 de setembro, na Drogaria São Paulo da Avenida Presidente Getúlio Vargas. Três criminosos renderam funcionários e levaram 33 caixas de Mounjaro, cada uma contendo quatro canetas e celulares. A ação durou entre oito e dez minutos. No dia seguinte, quatro pessoas foram presas e a Força Tática recuperou 30 das 33 caixas roubadas. 

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Nem a prisão do grupo impediu novos casos. Na madrugada de 26 de setembro, a mesma Drogasil da Avenida dos Florais atacada no início do mês voltou a ser invadida. Desta vez, três homens encapuzados arrombaram o estabelecimento e levaram todo o estoque de Mounjaro, além de seis computadores. Caixas, armários e a geladeira onde os medicamentos eram armazenados também foram violados. 

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O caso abriu uma sequência ainda maior. Entre os dias 26 e 28 de setembro, quatro farmácias foram furtadas. Além da unidade dos Florais, imagens divulgadas da investigação registraram ataques em estabelecimentos nos bairros Boa Esperança, Jardim Imperial e Jardim Itália. Os criminosos aparecem forçando portas e grades e, já dentro das lojas, indo aos refrigeradores onde estavam as canetas emagrecedoras. 

O prejuízo informado por apenas três desses quatro estabelecimentos chegou a aproximadamente R$ 568 mil. Cinco suspeitos acabaram presos pela Delegacia Especializada de Roubos e Furtos (Derf), parte deles enquanto participava de uma confraternização com churrasco e bebidas. Dois veículos, celulares, medicamentos e outros objetos foram apreendidos. A Polícia Civil passou a investigar para onde as canetas furtadas eram levadas e se havia uma estrutura criminosa permanente para receptação e revenda.

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Mas a onda não parou. Apenas três dias depois das prisões, na tarde de 1º de outubro, criminosos armados entraram em uma Drogasil no bairro Goiabeiras. Conforme a Polícia Civil, o objetivo era novamente levar o estoque de Mounjaro. Os ladrões não conseguiram pegar as canetas e fugiram com dinheiro, mas, antes de deixar o local, efetuaram um disparo que atingiu uma criança de 11 anos. Dois envolvidos, de 20 e 37 anos, foram presos pela Derf.

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Um detalhe chama a atenção no levantamento: a unidade dos Florais foi atacada duas vezes em apenas 25 dias. Além disso, o roubo no Goiabeiras ocorreu depois da prisão dos cinco suspeitos ligados à série de furtos dos dias 26 e 28, reforçando que ainda não é possível atribuir toda a sequência a uma única quadrilha. A própria Polícia Civil informou que investiga se os presos possuem relação com ataques anteriores. 

O alto valor comercial dos medicamentos ajuda a dimensionar o tamanho do mercado cobiçado pelos criminosos. O programa oficial da fabricante Lilly informa preços em lojas físicas entre cerca de R$ 1,5 mil e R$ 3,6 mil por caixa, conforme a dosagem, enquanto o preço máximo ao consumidor pode chegar a R$ 3.854,43.

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