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02 de Outubro de 2026, 08h:47 - A | A

POLÍCIA / CONDENADO A 21 ANOS

Cornonel cobrou R$ 750 mil para esconder quem mandou matar Zampieri, diz MP

Segundo o Ministério Público, coronel exigiu entre R$ 500 mil e R$ 750 mil para não revelar quem estava por trás da execução

Rodrigo Moura / TJMT

Coronel Caçadini

EDUARDA FERNANDES
DO REPÓRTERMT



O coronel aposentado do Exército Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas, condenado a 21 anos, 10 meses e 15 dias de cadeia pelo assassinato do advogado Roberto Zampieri, teria cobrado entre R$ 500 mil e R$ 750 mil para não entregar às autoridades os mandantes do crime. A informação foi apresentada pelo Ministério Público durante os debates do Tribunal do Júri, que terminou na madrugada de hoje (2), em Cuiabá.

Segundo o MP, as investigações reuniram elementos indicando que Caçadini teria solicitado os valores para que ele e os demais envolvidos não revelassem quem havia encomendado a execução de Zampieri. O caso foi um dos pontos destacados pelos promotores Samuel Frungilo e Vinícius Gahyva Martins durante a réplica.

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Além da suposta cobrança para manter os mandantes em segredo, o Ministério Público afirmou que conseguiu rastrear pagamentos relacionados diretamente à execução. Conforme a acusação, R$ 124.250 foram pagos antes do assassinato e outros R$ 60 mil após a morte de Zampieri.

Para o MP, a movimentação financeira reforçou a tese de que o homicídio foi planejado e executado mediante recompensa, uma das qualificadoras reconhecidas pelos jurados.

Durante os debates, o promotor Samuel Frungilo destacou a quantidade de provas reunidas no processo, que possui mais de 55 mil páginas. “Eu tenho 27 anos de Ministério Público. Eu nunca vi um crime de recompensa e homicídio mercenário com tantas provas”, afirmou aos jurados.

O promotor Vinícius Gahyva Martins também ressaltou o planejamento atribuído ao grupo e a forma como Zampieri foi surpreendido. “Planejaram e esperaram o melhor momento de vulnerabilidade da vítima para poder retirar o seu bem mais precioso, o direito de viver. O maior roubo que alguém pode sofrer é a interrupção do curso da sua existência”, afirmou.

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Trio condenado

Após três dias de julgamento, o Tribunal do Júri condenou Antônio Gomes da Silva, Hedilerson Fialho Martins Barbosa e Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas pela morte de Roberto Zampieri.

Antônio recebeu pena de 21 anos, 10 meses e 15 dias de prisão. Hedilerson foi condenado a 25 anos, enquanto Caçadini recebeu 21 anos, 10 meses e 15 dias. Somadas, as penas chegam a 68 anos, 9 meses e 30 dias de reclusão.

A sentença foi proferida às 00h49 desta sexta-feira (2), depois dos debates entre acusação e defesa e da deliberação dos jurados.

Os três foram condenados por homicídio triplamente qualificado. O Conselho de Sentença reconheceu as três qualificadoras apresentadas pelo Ministério Público: crime cometido mediante paga ou promessa de recompensa, com recurso que dificultou a defesa da vítima e com emprego de arma de fogo de uso restrito.

Papel de cada condenado

De acordo com a denúncia do Ministério Público, Antônio Gomes da Silva foi o responsável pelos disparos que mataram Zampieri.

Hedilerson Fialho Martins Barbosa foi acusado de participar da execução do plano criminoso, inclusive fornecendo a arma utilizada no assassinato.

Já Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas foi apontado como integrante da empreitada criminosa e teve seu nome relacionado à articulação e aos valores envolvidos no crime.

Durante o julgamento, os três apresentaram versões diferentes.

Antônio confessou ter matado Zampieri, mas tentou sustentar que havia agido como uma espécie de “justiceiro”, motivado por uma suposta revolta contra a corrupção. Chegou a afirmar que, se fosse necessário, mataria novamente.

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Hedilerson negou ter entregue a arma para Antônio e disse que o executor teria pegado a pistola sem sua autorização. “O Antônio mentiu para mim, me traiu”, afirmou durante o interrogatório.

Caçadini, por sua vez, negou conhecer Zampieri e afirmou que nunca tinha ouvido falar do advogado antes do crime. Também negou participação no assassinato.

As versões, porém, foram rejeitadas pelo Conselho de Sentença, que acolheu a tese apresentada pelo Ministério Público e reconheceu a responsabilidade dos três pelo homicídio.

Assassinato

Roberto Zampieri foi assassinado a tiros em 5 de dezembro de 2023, quando deixava seu escritório no bairro Bosque da Saúde, em Cuiabá.

O advogado atuava principalmente em disputas envolvendo propriedades rurais e conflitos fundiários de alto valor.

Segundo o Ministério Público, a execução foi planejada e ocorreu mediante pagamento. As investigações apontaram uma divisão de tarefas entre os envolvidos, com Antônio responsável pelos disparos e os demais acusados participando da estrutura necessária para a execução.

O assassinato também levou a outras investigações a partir de informações encontradas no celular de Zampieri, incluindo apurações sobre suspeitas envolvendo integrantes do Judiciário. Essas investigações, contudo, são independentes do processo que resultou na condenação dos três réus pela execução do advogado.

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