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Cuiabá, 27 de Maio de 2024
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18 de Setembro de 2010, 13h:38 - A | A

VARIEDADES /

Renda em MT, a diferença chega a 2.700%

A Gazeta



Laís Costa Marques
Da Redação

Mato Grosso registra uma diferença salarial entre a população pobre e rica de 2.700%, sendo que a renda mensal per capita dos 40% mais ricos é de R$ 2.987,62 e dos 10% mais pobres de R$ 106,58. Os números são da Síntese de Indicadores Sociais (SIS), divulgados nesta sexta-feira (17) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e referentes a 2009. O rendimento do pobre no Estado é o menor do Centro-Oeste, mas está R$ 24 acima da média nacional, de R$ 82,28/mês. Se comparar a renda per capita dos 40% mais ricos com os 40% mais pobres, cujo orçamento é de R$ 230,17, a diferença é de 1.198%, ou seja, os que possuem melhores condições financeiras recebem 12 vezes mais do que os menos favorecidos.

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A pesquisa dá respaldo ao levantamento feito pelo Instituto de Pesquisa de Economia Aplicada (Ipea), que em julho deste ano revelou que 1,07 milhão de mato-grossenses vivem na pobreza, dos quais 804 mil em condições de pobreza absoluta e 267 mil de pobreza extrema. O economista Anaor Carneiro aponta o modelo de produção adotado no Estado como principal fator de influência para a predominância da desigualdade social. "Temos um modelo concentrador de renda, apesar de termos crescimentos nominais de riquezas, ela não é distribuída", afirma ao se referir ao agronegócio como base da economia.

O professor da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Manuel Marta, diz que duas ações são indispensáveis para dar fim à má distribuição de renda. Segundo ele, os programas de transferência de renda não podem deixar de existir porque dão a oportunidade para que os filhos dos pobres continuem estudando e para que o trabalhador invista em capacitação. Além disso, o professor avalia que uma política de atração de empresas e indústrias para Mato Grosso é indispensável para a mudança.

De acordo com o Ministério do Desenvolvimento Social e de Combate à Fome, 158 mil famílias são beneficiadas no Estado com o programa Bolsa Família, número que também revela a grandiosidade da pobreza. O vendedor ambulante, Leonardo Pereira da Silva, 29, tem uma renda média de R$ 2,5 mil, que compõe o orçamento da família de 5 pessoas. Para ele, não é o rendimento mensal que revela riqueza ou pobreza, mas o acúmulo de bens. "Não é o que eu ganho que me diferencia do rico, mas o que ele consegue conquistar como patrimônio". Para a pensionista Lucy Sousa, 55, a pobreza é um estigma dado que nem sempre corresponde à realidade. "Não sou pobre, às vezes penso que sou, mas sei que têm outros em condições piores".


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