Reprodução

Paisagismo funcional busca ampliar áreas de sombra e estimular o uso de espaços de convivência ao ar livre nos condomínios.
DO REPÓRTERMT
Em Cuiabá, uma das capitais mais quentes do Brasil, onde os termômetros já ultrapassaram os 44°C, a sombra deixou de ser apenas uma questão de conforto para entrar também no planejamento de novos empreendimentos imobiliários. Os longos períodos de estiagem e fenômenos climáticos, como o El Niño, colocam ainda mais em evidência a necessidade de adaptar os espaços urbanos às altas temperaturas.
Com atuação consolidada no desenvolvimento de condomínios horizontais em Mato Grosso, a Ginco Urbanismo tem incorporado essa realidade ao planejamento de seus projetos. A proposta é fazer com que a arborização e a vegetação deixem de cumprir apenas uma função estética e contribuam efetivamente para reduzir a amplitude térmica, gerar sombreamento e ampliar o uso dos espaços de convivência ao ar livre.
>>> Receba as principais notícias de Mato Grosso em primeira mão. Clique aqui!
Segundo a gerente de Projetos da Ginco, Juliana Ippolito, esse processo é resultado do amadurecimento técnico da empresa e da experiência acumulada a partir dos próprios bairros já entregues.
Uma das principais mudanças ocorreu na concepção do paisagismo. A escolha das espécies passou a priorizar árvores adaptadas ao clima regional, com copas maiores e capacidade de proporcionar sombreamento. “Passamos a identificar espécies mais adequadas, ajustar o dimensionamento de canteiros e rever o desenho dos nossos empreendimentos a partir do uso real que o morador faz deles”, afirma Juliana.
Os projetos também adotam o conceito de paisagismo de quatro estações, combinando espécies com ciclos diferentes para manter a cobertura vegetal e o conforto térmico durante todo o ano. A composição inclui ainda árvores frutíferas, que acrescentam frescor, cores e aromas e estimulam a convivência dos moradores nas áreas comuns. “A beleza continua importando, mas o critério principal passou a ser sombreamento e conforto. Você deixa de escolher a espécie pela flor e passa a escolher pela copa”, completa Ippolito.
Essa preocupação influencia decisões tomadas antes mesmo do plantio, como a orientação das quadras e vias em relação ao sol, a largura dos passeios, a permeabilidade do solo, a preservação da vegetação existente e a proteção das estruturas de lazer contra a incidência direta do sol. A ideia é integrar áreas de preservação permanente (APPs), praças, maciços vegetais e arborização viária em uma mesma estrutura verde.
A presença de APPs e de espaços verdes integrados ao desenho urbano é uma característica recorrente dos projetos da Ginco desde os primeiros empreendimentos. Em vez de tratar essas áreas como elementos isolados, a empresa busca incorporá-las à estrutura do condomínio, fazendo com que o relevo, os cursos d’água, os maciços de vegetação existentes e as próprias APPs orientem o desenho do projeto.
Essa característica pode ser observada em empreendimentos já consolidados, como o Belvedere, que mantém uma APP preservada em seu interior, e o Florais Cuiabá, primeiro projeto da marca, onde o lago na entrada e a arborização formada ao longo de duas décadas ajudam a demonstrar, na prática, como a manutenção e o desenvolvimento das áreas verdes contribuem para a qualidade ambiental dos espaços.
Esses conceitos aparecem de forma mais evidente em projetos como o Ginco Zurique e o Ginco Cidade Jardim. A limitação da ocupação das construções a até 50% dos lotes permite que a vegetação privada se some aos espaços comuns à medida que os bairros se desenvolvem.
A inspiração também vem de referências internacionais, como Singapura, reconhecida pelo conceito de cidade-jardim e pela integração da vegetação às edificações. A proposta da Ginco é adaptar princípios semelhantes à realidade do Cerrado, considerando o clima seco, a estiagem prolongada e as características ambientais de Mato Grosso.
“Estive recentemente em Singapura para conhecer de perto tecnologias e soluções que integram natureza e urbanismo. Queremos que a Ginco seja referência em paisagismo funcional em Mato Grosso, com projetos que gerem conforto térmico e qualidade de vida, respeitando as características do nosso clima e da nossa vegetação”, afirma o diretor-presidente da Ginco, Júlio Braz.
“Nosso desafio é desenvolver espaços que façam sentido não apenas na entrega, mas daqui a dez ou vinte anos, com mais áreas verdes, conforto e qualidade de vida para as pessoas”, complementa Júlio.
Para Juliana, a tendência é que atributos relacionados ao conforto térmico ganhem peso cada vez maior no mercado imobiliário. “Num bairro sem sombra, as pessoas não saem. A praça fica vazia, o passeio fica vazio. Sombra é o que torna a vida comunitária possível em Cuiabá.”
Mais do que ampliar a presença da vegetação, a proposta é fazer com que o paisagismo cumpra uma função concreta no cotidiano. Em uma cidade marcada por temperaturas extremas, projetar espaços sombreados passa também a significar criar condições para que as pessoas possam permanecer, circular e conviver.
“A cidade vai crescer de todo jeito. A escolha que existe é entre crescer atropelando a natureza ou crescer respeitando o que ela já deixou ali. Nada mais justo que promover uma cidade que se transforma e se implanta respeitando esses conceitos”, finaliza Júlio Braz.










