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Cristiano Parente é CEO da Certificação Internacional em Personal Training WTTC, Personal Trainer, Professor Formador na Comunidade Europeia e em 21 países, além de representante oficial do National Academy of Sports Medicine dos EUA.
CRISTIANO PARENTE
Muito além de moldar corpos por meio de uma acelerada perda de peso, os medicamentos que imitam a ação do hormônio GLP-1, ou as tão conhecidas canetas emagrecedoras, também estão moldando novos comportamentos na saúde pública. Desenvolvidas para tratar doenças metabólicas ao atuarem neste hormônio que regula a glicose e a saciedade, as canetas entraram de vez também no universo da estética. O que temos experenciado é uma grande transformação cultural, onde o atalho químico rouba a atenção e a prática de atividade física, que a ciência há tanto tempo nos evidencia a relevância, tem sido cada vez mais deixada de lado por pessoas das mais diferentes faixas etárias. O novo comportamento se consolida como tendência e nos traz a necessidade de uma reflexão mais profunda.
A busca e manutenção da saúde em seu aspecto mais amplo cede lugar para a perda de peso, que passa a ser o ponto focal. Nesse contexto, a promessa de um corpo mais magro que exigia meses de disciplina, encontra o sucesso no atalho viabilizado por algumas aplicações semanais do medicamento.
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Nessa reflexão, é primordial ressaltar desde o início que ela não suscita um enfrentamento, um combate à medicina. O avanço da indústria farmacêutica viabiliza recursos adicionais e cada vez mais assertivos para tratamentos complexos, como é o caso da obesidade severa e distúrbios metabólicos. A questão, assim, se coloca não sobre o fármaco, mas a quem recorre ao atalho químico em vez de buscar não só a mudança do corpo, mas de hábitos saudáveis para a vida.
Para quem atua na Educação Física, este é um sinal de alerta, uma possível falha na tentativa de tornar as pessoas apaixonadas pelo movimento do corpo. É verdade que grande parte do público que busca as canetas o faz motivado pela rapidez do resultado estético, mas também porque a Educação Física convencional e a prática de atividade física por ela proporcionada deixou de ser percebida como uma ação legítima de saúde e bem-estar.
Não podemos negar que a academia, infelizmente, ainda não é vista pelo público geral como um local unânime. Para muitos, ela é tida como pouco acolhedora, um ambiente massificado, com séries repetitivas, pouca escuta individual e um foco excessivo num ideal estético em vez da longevidade funcional e da qualidade de vida.
Os exercícios físicos ministrados nas academias têm sido “vendidos” como o meio para queimar calorias e se alcançar o ideal estético. Quando há essa conotação, a comparação com o resultado possível por meio do medicamento que virou objeto de desejo de tantas pessoas é inevitável.
A concorrência é fortíssima. Por isso, é urgente e necessária que a Educação Física se reinvente, resgate seu papel relevante de fomentadora da saúde e volte a mostrar para a população toda a sua potência e todo o seu benefício.
Como fazer essa tarefa? É preciso ressignificar a atividade física, hoje muito vista como um meio com finalidade estética e trazê-lo novamente como um recurso essencial para quem deseja uma vida longa e de qualidade. Mais do que perda de peso, a prática de atividade física, principalmente conduzida por profissionais capacitados e interessados, promove benefícios que a picada da caneta não consegue promover: massa muscular, densidade óssea, melhor coordenação motora e autonomia física, itens diretamente relacionados à longevidade, saúde e bem-estar.
Não se trata de lutar contra. A medicina e a indústria farmacêutica evoluem e isso representa uma grande notícia. As canetas emagrecedoras vieram para ficar e até que a ciência não revele efeitos colaterais de longo prazo, seguirão como desejo de muitas pessoas. Contudo, cabe aos profissionais da Educação Física reverem suas formas de atuação e passarem a oferecer uma nova experiência de movimento, que ajude as pessoas a encontrar prazer ao fazê-lo. Ao alcançar esse ponto, a prática de atividade física deixa de ser um meio estético e passa a ser considerada pelo praticante ação essencial e presente para uma vida saudável, algo que nenhum remédio poderá substituir.
Cristiano Parente é CEO da Certificação Internacional em Personal Training WTTC, Personal Trainer, Professor Formador na Comunidade Europeia e em 21 países, além de representante oficial do National Academy of Sports Medicine dos EUA. Professor da Pós-graduação em Personal Training da USP, CEO da Koatch Health Club. Eleito o Melhor Personal Trainer do Mundo pelo American Council on Exercise/ iReps Europe/iReps Oceania. Responsável pela Certificação em Personal Training oficial do Arnold Sports, e Conselheiro do Conselho Regional de Educação Física.










