RENAN MARCEL - da Redação
O governador Silval Barbosa (PMDB) e o prefeito de Cuiabá, Mauro Mendes (PSB), viajaram na manhã dessa segunda-feira para uma reunião emergencial com a presidente Dilma Rousseff (PT). O encontro, agendado para às 16h, deve reunir todos os governadores dos estados e prefeitos das capitais do Brasil para discutir um “pacto de melhorias dos serviços públicos”, com ênfase no arcaico, e custoso, transporte público urbano brasileiro, que nas ultimas semanas foi o estopim de uma série de protestos pelo País, que levou milhares de brasileiros insatisfeitos às ruas.
Na ultima sexta-feira (21) Dilma fez um pronunciamento nacional para tentar acalmar os ânimos dos milhões de manifestantes e prometeu se reunir, além de prefeitos e governadores, com o Movimento Passe Livre (MPL) e outros movimentos sociais para “ouvir a voz das ruas”. Em seu discurso a presidente também defendeu o direito de protestar, mas condenou atos de vandalismo e violência.
>>> Receba as principais notícias de Mato Grosso em primeira mão. Clique aqui!
Desde o dia 16 de junho, a cidade de Cuiabá ingressou na onda de protestos. A primeira manifestação ocupou as ruas com cerca de 500 pessoas durante a “Caminhada no Clima da Copa”, evento organizado pelo Governo do Estado para marcar a contagem regressiva para o início do Mundial em Cuiabá.
Ironicamente, o protesto se voltou contra os atrasos absurdos das obras da Copa na capital mato-grossense. Para se ter um exemplo: das obras que fazem parte da “Matriz de Responsabilidade” com Fifa somente a Arena Pantanal conseguiu passar dos 50% de conclusão, restando menos de um ano para os jogos começarem. Veja AQUI
Outro ponto criticado foram os gastos excessivos do governo estadual com a Arena Pantanal, que até o momento soma R$ 519 milhões. Por meio dos cartazes, muitos manifestantes lembraram o governador Silval Barbosa do detrimento que áreas essenciais dos serviços públicos, como Educação e Saúde, sofreram por causa do evento. A criatividade aconselhava os presentes a levarem seus filhos à Arena, quando estes ficarem doentes. Além disso, pediam escolas e hospitais “padrão Fifa”.
O prefeito da Capital também não ficou isento das críticas. Há seis meses no comando do Poder Executivo, Mendes se viu obrigado a baixar, em R$ 0,10, o valor da tarifa de ônibus cobrado em Cuiabá, uns dos mais caros do País. De R$ 2,95 a passagem reduziu para R$ 2,85. Mesmo assim o protesto por melhorias no transporte público levou cerca de três mil estudantes universitários e secundaristas às ruas.
Além da redução da passagem, eles pediam pelo cumprimento da lei do passe livre, alegando que o direito conquistado estaria sendo limitado pelas empresas de ônibus, impedindo-os de usar o transporte público irrestritamente. No dia dessa manifestação (quarta-feira, 19) , os estudantes já anunciavam o que seria a maior manifestação reivindicatória, apesar de difusa, do estado de Mato Grosso, ao gritarem “Amanhã vai ser maior!!”.
Na quinta-feira (20), pelo menos 50 mil pessoas tomaram as principais avenidas da Capital levantando cartazes que criticavam as obras da Copa, a presidente Dilma, Silval Barbosa, Mauro Mendes e o deputado José Geral Riva. O manifesto contra a corrupção terminou em frente à Assembleia Legislativa e intimidou a classe política do estado.









