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23 de Agosto de 2013, 09h:21 - A | A

POLÍTICA / SERTANEJO NA CULTURA

Produtora diz que Mendes acertou em não fundir pastas

Sobre as críticas por pertencer ao setor musical, Beto diz que “não existe unanimidade” e que pretende dialogar com todos os segmentos artísticos. Para o novo integrante do staff de Mendes, a Copa do Mundo será uma grande oportunidade para o setor cultur

RENAN MARCEL

A nomeação pôs fim à ideia de fusão entre as pastas de Cultura e Turismo da Capital, iniciativa cogitada logo no início da gestão do prefeito Mauro Mendes (PSB) (Foto: Secom/Cbá)

A nomeação pôs fim à ideia de fusão entre as pastas de Cultura e Turismo da Capital, iniciativa cogitada logo no início da gestão do prefeito Mauro Mendes (PSB) (Foto: Secom/Cbá)

RENAN MARCEL



A diretora da Associação dos Produtores Culturais de Mato Grosso, Viviene Lozi, avaliou a nomeação do novo secretário de Cultura de Cuiabá, Alberto Machado, o Beto da dupla “Dois a Um” pelo prefeito Mauro Mendes (PSB). Para a produtora cultural, o prefeito demonstrou bom senso em não fundir as pastas. Ela explica que o desafio de Beto será enxergar a pasta com “olhos de gestor de políticas culturais”.

“Ele vai ser o secretário da Copa, mas não pode deixar a secretaria se pautar somente por eventos. Os eventos são passageiros. Ele terá que trabalhar como gestor de políticas culturais, que vão deixar uma continuidade para o setor depois da Copa, por exemplo”, afirmou Viviene.

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Representante do colegiado do Conselho Nacional de Políticas Culturais do Ministério da Cultura, a produtora afirma também que o novo secretário deve focar trabalhos no fortalecimento do Fundo Municipal de Cultura, que atualmente tem o orçamento de R$ 1,3 milhão. “É um valor insuficiente para fomentar a produção e o consumo cultural na cidade. Tem cidades com valores maiores”, comenta.

Além dessas questões, Beto tem o desafio de equipar os aparelhos culturais da Capital, como os museus, por exemplo. E para isso, segundo Viviene, terá que montar uma equipe técnica par atuar em três frentes na secretaria: planejamento, gestão e elaboração de projetos. “Essas áreas são fundamentais para uma reforma na pasta”, diz.

Alberto Machado foi empossado esta semana como novo secretário de Cultura de Cuiabá. A nomeação pôs fim à ideia de fusão entre as pastas de Cultura e Turismo da Capital, iniciativa cogitada logo no início da gestão do prefeito Mauro Mendes (PSB).

A fusão das secretarias foi objeto de bastante polêmica entre os produtores culturais da cidade e motivou críticas da oposição. No aniversário de Cuiabá, por exemplo, um grupo de produtores organizou um evento paralelo ao evento oficial, sob o argumento de que este não valorizava a cultura regional, prestigiando o gênero musical sertanejo com atrações nacionais. O evento levou o apelido de “aniversário goiano”.

No entanto, o prefeito alega que, de fato, a fusão entre as secretarias nunca aconteceu. “Nós recebemos uma recomendação da equipe de transição para que pudéssemos manter juntos os trabalhos das duas secretarias para conhecer melhor as áreas. Hoje eu conheço melhor, fui aos Ministérios, conheço alguns projetos e a potencialidade dos setores, por isso decidi nomear o Beto”, disse.

Segundo Mendes, a escolha do novo secretário se deu por conta o perfil empreendedor do músico, que atua na área de comunicação em Mato Grosso como diretor do jornal Folha do Estado e das rádios Mega FM e Mix FM. O sertanejo também comanda a revista mensal Ótima S/A.

Sobre as críticas por pertencer ao setor musical, Beto diz que “não existe unanimidade” e que pretende dialogar com todos os segmentos artísticos. Para o novo integrante do staff de Mendes, a Copa do Mundo será uma grande oportunidade para o setor cultural.

Na avaliação de Beto, a valorização dos artistas locais tem ficado em segundo plano, por falta de investimento. “Nós já tivemos momentos melhores, faltam investimentos. É uma demanda que é muito maior do que a nossa receita, então a conta dificilmente fecha”, reconhece. O secretário afirma que pretende buscar parcerias e programas para melhorar o orçamento da pasta, com o objetivo de valorizar os artistas cuiabanos.

Apesar de atuar na área há quinze anos, o músico admitiu que ainda precisa se inteirar sobre a realidade da secretaria de Cultura. “Eu tenho as minhas impressões, do segmento da música, mas eu preciso ‘tomar pé’”, afirmou.

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