ISA SOUSA
DA REDAÇÃO
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Após quatro dias de invasão do canteiro de obras da Hidrelétrica de Dardanelos, localizada no município de Aripuanã (1.002 km a Noroeste de Cuiabá), indígenas das etnias arara e cinta-larga entraram em acordo com o Governo do Estado, após intermediação da Casa Civil.
Na ocasião, estiveram presentes representantes da Fundação Nacional do Índio (Funai), do Instituto do Patrimônio Histórico e Geográfico (Iphan), da usina e de órgãos estaduais e municipais.
O acordo, firmado no município, priorizou ações voltadas às áreas de Cultura, Educação, Infraestrutura e Saúde. Na reunião, um cronograma de atividades foi montado com o compromisso de atender às solicitações das duas etnias.
Além da prioridade em ações beneficiadoras das aldeias, os indígenas pediram à Casa Civil ajuda para o fortalecimento da Associação da Comunidade Indígena. "Nos foram solicitados materiais de escritório e informática, bem como implantação do Projeto Luz Para Todos nas aldeias", informou o secretário-chefe da Casa Civil, Eder Moraes, que representoun o Governo do Estado a negociação.
Ações
Na área da Cultura, a solicitação das etnias arara e cinta-larga é que haja apoio para a continuidade de revitalização da cultura indígena, entre eles, a criação de uma Casa da Cultura.
Para Educação, as ações acordadas são capacitação de professores indígenas, promoção de intercâmbio entre a comunidade escolar e a sociedade, construção de parque infantil nas salas anexas e aquisição de equipamentos para as escolas indígenas.
Focando as Infraestrutura, os índios pediram a construção de quadras de esporte e campo de futebol nas salas anexas, construção de casa dos professores nas aldeias e elaboração de projeto para construção de casas de alvenaria nas aldeias.
Para a Saúde, as etnias reivindicaram capacitação de agentes indígenas de Saneamento e Saúde, ampliação de postos de saúde nas aldeias, além de apoio à formação de profissionais ligados à área.
Ainda foi acordada entre os órgãos a criação de projetos na área agrícola, para aumentar as atividades dos indígenas.
Entenda o caso
No dia 25 de julho, no município de Aripuanã, cerca de 300 índios de 11 etnias invadiram o canteiro de obras da Hidrelétrica de Dardanelos. A usina, que começou a ser construída em 2007, tem um investimento de quase R$ 800 milhões e é liderada pelo Grupo Neoenergia, Eletronorte e Chesf.
O local da usina impede a entrada e saída de quem vive na região e, partindo desta premissa, os indígenas invadiram o local, fizeram mais de 100 reféns e exigiram um "programa de sustentabilidade para a comunidade indígena" e R$ 10 milhões, a título de "reparação financeira" pelo empreendimento.
Durante o dia, os funcionários que trabalhavam na obra foram detidos e liberados por volta das 19h.
Na segunda-feira (26), os indígenas reuniram-se com representantes da Funai, do empreendedor responsável pela obra e dos governos estadual e municipais. O acordo para a saída foi estabelecido no fim da tarde de terça-feira (27) e oficializado nesta quinta-feira pelo Governo do Estado.





















