Karine Arruda/RepórterMT

WF ataca incentivo fiscal, mas empresas da família recebem benefícios desde 2019
ANA ADÉLIA JÁCOMO
DO REPÓRTERMT
O candidato ao Governo de Mato Grosso, Wellington Fagundes (PL), declarou que renunciará caso seja comprovado que ele, sua esposa ou seus filhos receberam qualquer incentivo fiscal do governo estadual. A declaração foi dada hoje (28) ao Olhar Direto durante evento de panfletagem em Várzea Grande.
A reação ocorre após levantamento do jornal A Gazeta, elaborado a partir de dados da Secretaria de Estado de Fazenda (Sefaz-MT), que apontou mais de R$ 3 milhões em benefícios tributários concedidos entre 2019 e 2025 a empresas ligadas ao senador e a familiares diretos.
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Segundo os dados, entre os negócios mapeados estão a Zootec (com R$ 1,081 milhão), a Raça Agro Norte (administrada por João Antonio Fagundes Neto, filho do parlamentar, com R$ 1,037 milhão) e a SGM (com R$ 919,9 mil), totalizando cerca de R$ 3,04 milhões em incentivos no período.
Wellington defendeu sua trajetória de três décadas e meia na política e negou qualquer ato ilícito. "Agora eu posso dizer que eu estou há 36 anos e nunca recebi um real de incentivo fiscal. Eu desafio. Eu renuncio à minha candidatura se a minha afirmativa não fosse verdade. Ninguém. Estou dizendo de família direta, né? Minha mulher, meus filhos nunca receberam um real de incentivo fiscal".
Os incentivos também envolveram a situação de seu candidato a vice, Reinaldo Morais (Novo), conhecido como "Rei do Porco". Empresas declaradas por Reinaldo à Justiça Eleitoral acumularam pelo menos R$ 96,7 milhões em renúncias de ICMS entre 2019 e 2025, montante concentrado em companhias como Pork Foods (R$ 80,1 milhões), Suinobras (R$ 16,6 milhões) e Spirulina Brasileira (R$ 22,8 mil), sendo a maior parte enquadrada em programas estaduais de desenvolvimento como o Prodeic e o Proder.
Ao ser confrontado se a crítica a incentivos fiscais não seria contraditória diante dos valores associados ao seu vice, Wellington argumentou que o cenário difere por conta da trajetória de Reinaldo no setor privado. "É diferente, porque o Reinaldo nunca foi político, ele não usou o governo para ter influência. O problema é o uso da máquina. O problema é usar a influência do governo para receber R$ 498 milhões".
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