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27 de Janeiro de 2015, 13h:23 - A | A

POLÍTICA / FIM DE UMA ERA

'Riva conseguiu blindar a Assembleia e a tornou um governo paralelo', diz analista

'Dificilmente terá outro líder com tal peso. Isso transcende a capacidade política, e é quase uma característica pessoal dele", diz o analista político João Edisom

RepórterMT

Riva se despede da vida pública no próximo dia 31

Riva se despede da vida pública no próximo dia 31

ANA ADÉLIA JÁCOMO
DA REDAÇÃO



Deputado estadual por Mato Grosso há 20 anos, José Riva (PSD) se despede da vida pública, no próximo sábado (31), seu  último dia como parlamentar. Ele deixa a presidência da Assembleia Legislativa no próximo dia 1º de fevereiro, quando os novos deputados assumem os cargos. Entre eles, a filha Janaína Riva (PSD).

Ao RepórterMT, Riva afirmou que está preparando uma coletiva de imprensa para apresentar um balanço da sua atuação política e anunciar os projetos pessoais que tem para os próximos anos. A reportagem foi ouvir analistas sobre atuação do parlamentar e a possível lacuna que vai deixar. 

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De acordo com o jornalista e analista político Onofre Ribeiro, Riva deixa uma herança de governabilidade, já que teria sido imprescindível nas gestões dos ex-governadores Dante de Oliveira (PSDB) [1995 a 2002], Blairo Maggi (PR) [2003 a 2010] e principalmente na de Silval Barbosa (PMDB) [2010 a 2014], quando teria sido “o governador” pelo fato de o peemedebista “ter perdido o controle do Estado”.

“Riva foi um líder forte, que falou e pensou pela AL. Ele sai da política no contexto de quem esgotou o ciclo dele. Ele não podia mais ser candidato à reeleição porque esbarraria na Lei da Ficha Limpa, como de fato aconteceu. Teria votos pra deputado estadual, mas ele saiu quando não cabia mais ele na política de Mato Grosso. Essa é a verdade. Não sai nem por baixo e nem por cima”, avaliou Onofre.

Já o professor e analista político João Edisom avalia que Riva foi o deputado estadual com maior capacidade funcional que Mato Grosso já teve. Para ele, o parlamentar é o responsável por grandes conquistas no parlamento, como, por exemplo, a construção do próprio prédio da Assembleia, do teatro da Casa e até do incentivo a criação de abrigo para pessoas que buscam tratamento médico na Capital.

"Ele sai da política no contexto de quem esgotou o ciclo. Ele não podia mais ser candidato. Saiu quando não cabia mais ele na política de Mato Grosso. Essa é a verdade. Não sai nem por baixo e nem por cima”

Ele apontou que Riva construiu na Assembleia o status de deputado estadual, que se tornou respeitado pelo Poder Executivo, conseguindo blindar a Casa a tornando um governo paralelo que não era passível de críticas e instabilidades governistas. Implantou uma rotina pessoal que incluía mais de 14 horas de trabalho, que começava às 6h diariamente.

“Ele tem capacidade funcional muito grande, agiliza muita coisa, e faz muita coisa funcionar. O que temos que entender é que agora haverá a quebra da cultura anterior, tanto dos vícios como das coisas boas. Ele conseguiu blindar a Assembleia e a tornou um governo paralelo que não sofria quase críticas. Dificilmente terá outro líder na com tal peso. Isso transcende a capacidade política, e é quase uma característica pessoal.”

Últimos seis meses de mandato

Para João Edisom, os últimos seis meses de mandato foram difíceis para Riva. Ele relembrou que o deputado não conseguiu manter sua candidatura ao Governo, colocou sua esposa na disputa, mas Janete Riva (PSD) acabou derrotada pelo governador Pedro Taques (PDT), e ainda acabou rejeitada para a vaga de conselheira do Tribunal de Contas do Estado (TCE).

“Ele sofreu o desgaste de quem começou a perder o poder. Ele deixou um rastro forte de trabalho, e de inimigos também. Os últimos momentos não foram os melhores, até em função do macro poder que assumiu, sofreu desgastes muitos grandes”.

Pego para “Cristo”

“Em todas as épocas sempre tem alguém que é pego pra Cristo, que paga o preço de uma época. O Riva pegou um momento em que se fazia um tipo de política mais antiga, com favores e onde o Estado pertencia a pessoas. Ele foi atingido nisso tudo, e o sistema 'engoliu' ele. Os mais de 100 processoa são oriundos de apenas um, mas esse era o jeito de fazer dinheiro naquela época”, completou Onofre.

Denúncias do Ministério Público Federal (MPF) dão conta que Riva teria ligações com a instituição financeira informal operada por Gércio Marcelino Mendonça Júnior, o Júnior Mendonça, dono de factoring e postos de gasolina, epicentro da Operação Ararath.

Riva ficou três dias preso no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília em maio de 2014. O fator determinante para a prisão foi o fato de o MPF afirmar que Riva estava suspenso de suas atividades públicas e não apenas da presidência da Assembleia Legislativa, e que o deputado não respondia aos ofícios da Polícia Federal, que o convocavam para prestar depoimentos. 

O social-democrata nunca deixou de estar presente na Mesa Diretora da Assembleia, e se alternou entre os cargos de presidente e primeiro secretário nos 20 anos que esteve na Casa

Riva, no entanto, negou as acusações e disse que nunca se furtou a prestar esclarecimentos, tanto que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli o colocou em liberdade. Riva também é acusado de participar de um suposto esquema de desvio de recursos públicos e lavagem de dinheiro, que funcionaria por meio da emissão de cheques da Assembleia Legislativa para empresas de fachadas. Os cheques foram descobertos durante a Operação Arca de Noé, deflagrada em dezembro de 2001 pela Polícia Federal. Por conta disso, o deputado estadual responde a mais de 100 processos por improbidade.

Trajetória

Riva tem liderado a disputa eleitoral para a Assembleia desde 1998, e figura como o deputado mais votado do Estado desde então. Em 98, ele obteve 29.783 mil votos, em 2002, 65.389 mil, 2006, 82.799 mil e em 2010, alcançou o número histórico de 93.594 mil votos conquistados. Janaína Riva pegou ‘carona’ no carisma do pai e se elegeu pela primeira vez a um cargo eletivo como a segunda mais votada, com 48.171 mil votos em 2014.

O social-democrata nunca deixou de estar presente na Mesa Diretora da Assembleia, e se alternou entre os cargos de presidente e primeiro secretário nos 20 anos que esteve na Casa. Participou de toda construção política do Estado nesse período, desde a construção de candidaturas ao Governo, aprovação de leis e até da distribuição de verbas para os municípios.

No ano passado tentou concorrer ao governo do estado, mas barrado pela Lei da Ficha Limpa, Riva não conseguiu manter sua candidatura e finaliza o ciclo de seis mandatos como deputado estadual com um curioso paradoxo. É considerado um dos maiores ficha-sujas do país, mas também um dos mais atuantes, influentes e admirados líderes políticos de MT. 

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Dornele$ 30/01/2015

“Não sou um cidadão desonesto, não sou ladrão, não desviei dinheiro público. Mas, infelizmente, só o tempo contará isso. E vocês podem ter certeza que a minha situação não é o que muitos pensam. Enfrentei quem eu tinha que enfrentar e alguns desses enfrentamentos tiveram um custo caro” - Faltou dizer, tenho 201 processos no lombo por excesso de "onestidade". Uma piada! Rsrsrsr!

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ANa PAULA SOUTO 28/01/2015

Qualquer reverência ou homenagem a um ex político sem antes verificar o que de fato vaii acontecer após seu mandato e precipitação. Quem viver verá, alis a midia calada na questão dos escândalos ocorridos na AL/M sera porquê? ??

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Mario Vilella 27/01/2015

Os analistas tem razao.. nao ha como negar a força do riva

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jorge 27/01/2015

Tbm acho. Vão sentir falta dele.

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benedito costa 27/01/2015

Não concordo com a análise desses dois ai que disseram. Mato grosso tem muitos nomes que irão aparecer no cenário político e um deles é o governador. o analista acertou em dois pontos: o riva é inteligente e que montou um governo paralelo na assembléia. O que não disse foi que o riva foi ditador e colocou todos no bolso ao presidir a casa e colocou todos ainda a seu serviço particular financeiro e deu no que deu, roubo a tráz de roubo.Aliás o riva fez uma coisa muito boa pra manter-se ileso. Foi tratar a maioria da imprensa a pão de ló. muitos jornalista e repórter ele tinha no bolso e os vangloriavam. dava emprego pra todo mundo.

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BOSilva 27/01/2015

Esse João Edison é um puxa saco do Riva, aliás, indiretamente na política muitos analistas e repórteres políticos não vão se atrever a falar a verdade sobre o Riva, vão ter sempre um pé atrás. Mas o que o Riva fez de obras como foi dito, só fez por que o Governo do Estado fez repasses indevidos para a AL com a alegação de excesso de arrecadação. Se houve excesso de arrecadação que aplicasse na saúde e na educação, principalmente construindo mais escolas e não repassando para o Riva construir estacionamentos, Teatro, ou outras obras que se ele quisesse qeu apresentasse projetos ao governo e deixasse que o Governo construísse. Não é função da AL construir obras e sim fiscalizar as obras construídas pelo Governo.

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6 comentários