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24 de Março de 2015, 15h:00 - A | A

POLÍTICA / ACUSAÇÃO DE “CAIXA DOIS”

Quebra de sigilo bancário diz que Walace movimentou mais de R$ 3 milhões em campanha

O laudo foi realizado pela Real Brasil Consultoria e Perícias Ltda, de Cuiabá, a pedido do DEM.

Divulgação

De acordo com dados do processo que o Democratas move contra Walace, comprovou-se que os R$ 70 mil declarado em campanha ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) é muito abaixo do que teria sido movimentado nas contas dos coordenadores financeiros de sua

De acordo com dados do processo que o Democratas move contra Walace, comprovou-se que os R$ 70 mil declarado em campanha ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) é muito abaixo do que teria sido movimentado nas contas dos coordenadores financeiros de sua

ANA ADÉLIA JÁCOMO
DA REDAÇÃO



Perícia contábil feita nas contas do prefeito de Várzea Grande Walace Guimarães (PMDB), do seu vice Wilton Coelho Pereira, o Wiltinho (PR), e de fornecedores da campanha eleitoral de 2012 demonstram vultosa movimentação financeira de “caixa dois”, que ultrapassou a casa dos R$ 3 milhões.

De acordo com dados do processo que o Democratas move contra Walace, comprovou-se que os R$ 70 mil declarado em campanha ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) é muito abaixo do que teria sido movimentado nas contas dos coordenadores financeiros de sua campanha.

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O levantamento demonstrou que Walace, seu irmão Josias Guimarães, seu vice Wiltinho, o ex-presidente do Departamento de Água e Esgoto (DAE) e coordenador de campanha, Evandro Gustavo Pontes da Silva; o secretário de Finanças, Mauro Sabatini Filho; o secretário de Comunicação, Eduardo Balbino Ferreira, além das empresas Márcio Nunes ME; M. Sabatini Filho & Cia Ltda ME; Líder Comércios e Serviços de Telefone Ltda.; e E.G.P da Silva ME. movimentaram supostamente de forma clandestina R$ 3.287.258,18 milhões.

Começa a decorrer nesta terça-feira (24) o prazo para que o prefeito se defenda das acusações que o DEM e o Ministério Público Estadual (MPE) atribuem a ele. O DEM já apresentou as alegações finais. Walace corre risco de perder o mandato, caso as suspeitas sejam comprovadas.

O objetivo da perícia foi de mensurar o valor gasto para produção de material audiovisual veiculado nos programas eleitorais gratuitos em 2012, e sobre produção e manutenção dos sítios de internet e mídias sociais.

O laudo, ao qual o RepórterMT teve acesso, foi realizado pela Real Brasil Consultoria e Perícias Ltda, de Cuiabá, a pedido do DEM. Com base nas informações disponibilizadas no TSE, Walace apresentou despesas de campanha, relacionadas à produção de jingle, vinhetas e slogans, bem como produção de programas de rádio, televisão ou vídeo, a importância de R$ 72.170 mil, nos períodos de agosto a outubro de 2012.

 

Foi pedido que o advogado, José Patrocínio, disponibilizasse cópia do contrato com a empesa Marcio Nunes MT, cópia do contrato com Edmilson Maciel Barbosa e demais documentações relacionadas aos contratos, no entanto, este não foi respondido.

Os técnicos da auditoria compararam os gastos de Walace com os demais candidatos à Prefeitura de Várzea Grande. Edson Antônio Ribeiro gastou R$ 550,00, Tião da Zaeli, R$ 96,800 mil e Lucimar Campos, R$ 202.170,43 mil.

Quebra de sigilos

A quebra de sigilo comprovou que Eduardo Balbino recebeu, em 24/07/12, R$ 15 mil em transação eletrônica. Josias dos Santos Guimarães recebeu em 19/09/12, R$ 35 mil em cheque e em 21/09/12, R$ 39 mil em cheque.

Em 19/10/12, Josias dos Santos Guimarães recebeu R$ 30 mil em cheque, em 21/09/12 mais R$ 39 mil. De acordo com a auditoria, em 09/10/12 ele recebeu mais R$ 30 mil, em 30/10/12, R$ 200 mil, em 31/08/12, R$ 30 mil, em 18/09/12 mais R$ 30 mil e em 18/09/12, R$ 35 mil.

Comprovou-se ainda pagamentos a E.G.P. da Silva x Jean Davi Flores, na ordem de R$ 9,450 mil e diversos créditos a M Sabatini Filho e Cia Ltda, de R$ 1,600 mil, R$ 30 mil, R$ 1,050 mil, R$ 200 e R$ 70 mil. Foram identificados saques de R$ 221 mil e créditos realizados através de cheques e transferências eletrônicas no valor total de R$ 68.048,31 mil e R$ 260.731,85 mil, respectivamente.

As movimentações financeiras seguiram no decorrer da campanha daquele ano. Em 02/10/12 Josias recebeu R$ 50 mil, em 05/10/12 mais R$ 89,100 mil, em 09/10/12, R$ 30 mil e R$ 130 mil em cheques descontados. Em 1/10/12 foram R$ 20 mil.

O próprio Walace recebeu R$ 8 mil da empresa Retorno Telemarketing e Pesquisa de Opinião Pública. A empresa forneceu combustível à campanha eleitoral, e foi declarada na prestação de contas, no montante total de R$ 34.788 mil. A mesma, na verdade, recebeu além do valor oficialmente declarado. O montante total foi de R$ 68.048,31 mil.

O outro lado

A reportagem tentou manter contato com o prefeito Walace Guimarães (PMDB) e com seu vice, Wiltinho, no entanto, eles não atenderam e não retornaram às ligações até o término desta reportagem.

Entenda o caso

Walace é acusado de abuso de poder econômico nas eleições passada e corre o risco de ter o mandato cassado. Ele buscou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para suspender a quebra de sigilo bancário determinada contra ele e contra os demais réus já citados. No entanto, o ministro Gilmar Mendes negou em 12 de março deste ano. 

A ação já passou pelo juiz Lídio Modesto, relator do recurso do Ministério Público Eleitoral, que foi acatado pelo TRE-MT e culminou na decisão contrária ao peemedebista. Em seu voto, ele declarou: ”Penso que as investigações devem ser levadas a cabo, pois é direito da sociedade saber o que, de fato, aconteceu na campanha eleitoral, até mesmo para que os eleitores do município de Várzea Grande, possam se inteirar da solução da presente demanda, sob pena de termos a configuração de um dano irreparável ou de difícil reparação caso não haja o descortinar dos fatos com a devida produção probatória”.

A ação de investigação eleitoral alega que o fato de os envolvidos na campanha política de Walace, posteriormente, terem ganhado cargos no núcleo institucional da prefeitura e/ou firmado contratos envolvendo vultosas quantias de dinheiro seria um fator que comprovaria o abuso de poder econômico.

O DEM também o acusa de fraudar a prestação de contas dos gastos com combustível e transporte, levando em conta o valor gasto (R$ 56 mil) com a quantidade da frota utilizada (50 veículos emprestados, 33 alugados e 18 colocados à disposição), o que daria um consumo diário pouco maior que R$ 8,00 por veículo.

 

 

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