facebook-icon-color.png instagram-icon-color.png youtube-icon-color.png tiktok-icon-color.png
Cuiabá, 13 de Junho de 2026
13 de Junho de 2026

15 de Abril de 2026, 14h:22 - A | A

POLÍTICA / PANDEMIA DE FEMINICÍDIOS

Presidente do TJMT: Penas mais duras não barram agressores de mulheres; é preciso conscientização

José Zuquim defende conscientização e parceria com a imprensa como caminhos para romper o ciclo de violência cultural em Mato Grosso

ANA JÁCOMO
LUÍZA VIEIRA
DO REPÓRTERMT



O presidente do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), desembargador José Zuquim, defendeu nesta quarta-feira (15) que o endurecimento da legislação penal, isoladamente, é insuficiente para conter o avanço dos casos de feminicídio no estado. Durante o evento "Café com a Imprensa", realizado em Cuiabá, o magistrado pontuou que a repressão não tem sido capaz de desencorajar os agressores e que a solução definitiva passa por uma mudança estrutural e cultural na sociedade. (Veja o vídeo no final da matéria).

Para Zuquim, o cenário atual de violência contra a mulher é um reflexo direto de um machismo histórico e enraizado. "A violência é um problema cultural, vem de longa data e é oriunda do chamado machismo. Eu, por exemplo, fui criado em um ambiente machista. Hoje, a participação feminina é substancial e precisamos viver um mundo diferente daquele em que fomos criados", refletiu o desembargador.

Ao ser questionado sobre a eficácia de punições mais severas, o presidente do Judiciário mato-grossense foi categórico ao afirmar que as recentes alterações no Código Penal que elevaram as penas para 40 anos de prisão para crimes de gênero, não surtiram o efeito esperado de intimidação. "Não acho que penas mais duras desencorajam o feminicídio. Temos tido alterações recentes, a pena maior do nosso código hoje é decorrente de feminicídio, e os casos continuam", pontuou.

O magistrado destacou que o "primeiro passo" para reverter o índice de Mato Grosso, que figura entre os líderes nacionais em registros de feminicídio, é a conscientização. Nesse contexto, ele convocou os veículos de comunicação para uma atuação que vá além do relato dos crimes. "A imprensa tem um papel importantíssimo não só de divulgar os feminicídios, mas de mostrar os caminhos de proteção e os canais que a vítima deve buscar."

O evento foi classificado por Zuquim como um "chamamento" para formatar uma estratégia conjunta entre o Poder Judiciário e os profissionais de comunicação. Segundo ele, a transparência e o diálogo franco são as ferramentas necessárias para oferecer respostas mais efetivas à população.

"Chegou o momento de fazermos algo de mãos dadas. Sinto-me constrangido e assustado pelo quadro apresentado em nosso estado. O objetivo deste encontro é dialogar e ver o que nos falta para, juntos, avançarmos em um propósito objetivo de defesa da mulher", concluiu.

Veja o vídeo:

Comente esta notícia

walter liz 15/04/2026

as 2 coisas magistrado, Punição severa e conscientização, agora tem de deixar bem claro quais as medidas de conscientização ,elas tem de ser bem pensadas para ter eficacia desejada.

positivo
1
negativo
1

FEMICIDIO. 15/04/2026

CONCORDO COM O SABIO PRONUNCIAMENTO DO DESEMBARGADOR PRESIDENTE DO TJMT. NÃO BASTA AUMENTAR PENA, ISTO NAO RESOLVE. O QUE DEVE SER FEITO É UMA CONSCIENTIZAÇÃO DE UMA SOCIEDADE MACHISTA POR EXCELÊNCIA, CONSCIENTIZAÇAO QUE DEVE VIR DESDE OS BANCOS ESCOLARES COM ENSINO DE UMA MATÉRIA LIGADA A PSICOLOGIA SOCIAL. DEMONSTRAÇÃO DE QUE A MULHER PRECISA DE APOIO. QUE NINGUEM É DONO DA MULHER E A ELA CABE DECIDIOR SE QUER OU NÃO CONTINUAR COM O HOMEM. ISTO É O LIVRE ARBITRIO QUE TODO SER HUMANO DEVE TER. NÃO SE TRATA DE CONSELHO E SIM TRATAMENTO PSICO-SOCIAL QUE TODO INDIVIDUO HOMEM DEVE TER EM RELAÇAO AO SEU COMPORTAMENTO COM UMA COMPANHEIRA, NAMORADA, NOIVA, MAE, ENFIM, COM UMA MULHER. COMO SE DIZ - NUMA MULHER NÃO SE BATE NEM COM UMA FLOR.

positivo
1
negativo
0

2 comentários