ANA ADÉLIA JÁCOMO
Após os maiores institutos de pesquisas divulgarem dados que, assim como no primeiro turno, não foram compatíveis com o resultado das urnas, o analista político Alfredo da Mota Menezes afirmou que a vitória de Mauro Mendes (PSB), com mais de 28 mil votos de diferença entre seu rival Lúdio Cabral (PT), não era esperada. Segundo levantamento feito pelo Ibope e divulgado no último sábado, 27, ambos estavam tecnicamente empatados.
No entanto para o analista, que preferiu não emitir opinião sobre a possibilidade de compra de pesquisas, o resultado, por mais que pareça estranho, estava dentro da margem de erro. Ele explicou que a KGM, um instituto de pequeno porte, foi o único a acertar o resultado, que ficou em 54% para Mendes e 45% para o petista. “A KGM acertou na mosca, o restante colocava a margem de erro, que é de quatro pontos percentuais, para um ou para outro. Mesmo assim, de fato, a vitória com essa grande diferença de votos não era esperada”.
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MARKETING VITORIOSO
Entre os principais motivos que levaram o socialista à vitória, Alfredo disse que a mudança no marketing foi essencial, já que conseguiu retirar a imagem de arrogante e impôs a Lúdio o peso do fracasso do MT Saúde e a ausência dos repasses à Saúde. Além disso, os R$ 34 milhões enviado à Assembleia Legislativa pelo Governo do Estado também foi mal explicado pelos apoiadores de Lúdio, o que teria causado um estrago na campanha do petista.
“No primeiro turno o Lúdio foi muito bem. Mostrou-se uma pessoa humilde e conseguiu pregar a pecha de arrogante no Mauro. Por outro lado, o marketing do Mauro, sem querer, fortaleceu essa imagem de soberbo, porque tentava mostrar seus feitos como empresário bem sucedido em excesso, o que não era bem visto pelo eleitor. No segundo turno, a equipe do Mauro mudou e começou a falar dele, das qualidades como pessoa, do passado difícil e conseguiu mudar até o tom dele. Ele ficou mais parecido com o Lúdio mesmo e tiraram por completo a imagem de arrogante”.
PESO DO ALINHAMENTO
Outro ponto questionado por Alfredo é a tese do alinhamento. A seu ver, os ministros que vieram a Cuiabá, o apoio da presidente da República Dilma Rousseff (PT) e até a vinda do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não foram suficientes porque o adversário do petista conseguiu “pregar um rabo nele”, que são os problemas do governo de Silval Barbosa (PMDB), seu principal aliado.
“Cuiabá tem uma tradição, que é o emprego público. Se um político demite ou atinge de alguma forma o servidor, ele acaba atingindo uma família inteira. A questão do MT Saúde foi exatamente assim. O Governo descontou o plano de Saúde dos salários, mas não havia atendimento. O Governo precisou ter as contas bloqueadas para fazer o repasse à Saúde e Lúdio não se posicionou de forma incisiva. Isso deu mais gás para os ataques”.
“O último golpe foi a questão do repasse para a Assembleia. Eu vi o Riva e o Silval tentando explicar, mas não conseguiram. Era tão simples, é um assunto totalmente corriqueiro, mas que foi mal explorado. Era só dizer que existe uma lei nacional que define o percentual de cada órgão. Se há aumento da receita líquida é natural que aumente o repasse. A Assembleia recebe 1,77% da arrecadação, assim como o Tribunal de Contas, Ministério Público e Tribunal de Justiça, mas ninguém falou isso”, disse ele, se referindo ao presidente da Assembleia José Riva (PSD).
FALTOU ATAQUES
Para o analista político, o que mais influenciou nesta disputa foi a estratégia de cada candidato. Ele disse que o ponto principal de uma eleição é saber “colocar o dedo na ferida” do adversário e, segundo ele, Mauro soube fazer. Alfredo relembrou o clássico copo de água suja que causou uma “saia-justa” no ex-prefeito Wilson Santos (PSDB) em 2008. Assista ao vídeo aqui. Apesar de, na época o candidato a prefeito Walter Rabello (PSD) ter sido derrotado pelo tucano, a atitude é lembrada até hoje.
Contudo, o marketing de Wilson conseguiu derrotar Alexandre César (PT) em 2004, que era seu principal rival na disputa. O tucano exibiu o depoimento de um senhor idoso que acusava o petista de ser um dos responsáveis pelo seu despejo, já que ele teria invadido uma propriedade pertencente a família de Alexandre. O vídeo caiu como uma “bomba” fazendo com que Wilson vencesse o pleito.
A tentativa do petista, de supervalorizar o episódio do beijo, na análise de Alfredo, pode ter sido neutralizada pelo depoimento emocionado da esposa de Mendes, Virgínia Mendes. Ele também ponderou que, na realidade, não há como mensurar o impacto dessas duas medidas polêmicas, já que não há pesquisas para embasar uma teoria. Ele afirmou que na classe média, o impacto da declaração de Virgínia no hospital foi visto com negatividade.
“Será que essa história do beijo não foi valorizada demais? Será que a massa da população sentiu essa indignação quando o Mauro disse que a mulher dele era mais bonita? Não sabemos. Pelo resultado da eleição o impacto foi pequeno, ou nulo”, disse ele.









Sebastião 29/10/2012
Primeiro o Sr Alfredo diz que a aparição da dona Virginia no hospital pegou mal para a campanha de Mauro Mendes. Agora diz que o episódio "neutralizou" a questão do beijo da mulher do Lúdio. Para que as opiniões do nobre jornalista se dividem antes e após a eleição, principalmente com o Mauro eleito. O fato é que o Lúdio vai chupar essa manga e não terá o apoio de Lula, Dilma, Silval, Riva, Eder Moraes e cia. para consolá-lo. Dá-lhe Mauro Mendes.
SAMUEL 29/10/2012
A cultura do mato-grossense é ficar do lado do mais forte, mais rico, mais tudo. Esse território foi conquistado à bala, segundo o próprio Historiador Rubens de Mendonça, e essa culta ficou arraigada.
joao paulo 29/10/2012
Comigo é na base do beijo Comigo é na base do amor Comigo não tem disse me disse Não tem chove não molha desse jeito que sou
3 comentários