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04 de Maio de 2015, 20h:30 - A | A

POLÍTICA / 'DEFESA' DE RIVA

Maluf desmarca depoimento e troca audiência por Mimoso

O atual presidente da AL alega ter agenda política inadiável

Conexão Poder

Maluf foi arrolado como testemunha de Riva; Justiça deve remarcar depoimento.

Maluf foi arrolado como testemunha de Riva; Justiça deve remarcar depoimento.

KEKA WERNECK
DA REDAÇÃO



O atual presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso, deputado estadual Guilherme Maluf (PSDB), seria o próximo a ser interrogado pela juíza Selma Rosane e representante do Ministério Público Estadual (MPE), no processo da Operação Imperador, cujo réu é o ex-deputado José Riva (PSD).

Maluff, ele estará na comitiva que vai a Mimoso, para a festa de comemoração dos 150 anos de Marechal Rondon.

A audiência dele estava marcada para esta terça-feira (5) às 13h30, na Sétima Vara Criminal de Cuiabá, mas o parlamentar pediu para remarcar, alegando ter agenda política. De acordo com assessoria de Maluff, ele estará na comitiva que vai a Mimoso, para a festa de comemoração dos 150 anos de Marechal Rondon. Esta é a agenda. O governador Pedro Taques estará presente no evento, que tem previsão de término no final da manhã. A Assessoria de Maluf informa ainda que à tarde o presidente tem outros compromissos inadiáveis.

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Riva também presidiu a AL de MT por quase 20 anos, alternando com o cargo de primeiro-secretário da Mesa Diretora.

Na ocasião do suposto crime, de 2005 a 2009, Riva foi presidente por três gestões. O atual conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE), Sérgio Ricardo (PR), liderou a Casa duas vezes e o ex-governador Silval Barbosa (PMDB) uma. Estes três se revezaram na Presidência e na Primeira Secretaria, como ordenadores de despesas, que são os dois cargos mais importantes na hierarquia interna. O deputado estadual Mauro Savi (PR), também citado pelo MPE, aparece em cinco composições do período, ocupando cargos de 1º e 2º vice-presidente e 2º secretário.

O réu é acusado pelo MPE de ter tanta influência política na AL, que não poderia responder o processo em liberdade, porque atrapalharia o andamento processual, pressionando testemunhas e destruindo documentos, que sejam provas contra si.

Se a juíza e o representante do MPE seguiram a linha que assumiram em interrogatórios feitos nas últimas audiências de instrução do process, devem querer saber de Maluff se é fato que Riva tinha e tem tamanha influência política ainda hoje. Inclusive se, mesmo afastado da presidência judicialmente, continou a despachar, normalmente, exercendo a liderança de fato.

A defesa deve questioná-lo se por alguma vez faltou material gráfico em seu gabinete, ou se já ouviu falar que Riva interferia no andamento da Comissão de Licitação da Casa.

Da mesma forma a defesa deve questioná-lo se por alguma vez faltou material gráfico em seu gabinete, ou se já ouviu falar que Riva interferia no andamento da Comissão de Licitação da Casa, fazendo um jogo de cartas marcadas.

Segundo o MPE, teria sido assim com a Propel, que é a gráfica do também ex-deputado estadual Maksuês Leite (PP). A Propel ganhou licitação para forncer material gráfico. Maksuês abriu o jogo na justiça e confirmou o esquema.

Através da Propel, Riva é acusado de desviar R$ 62 milhões, contratando material gráfico que nunca teria sido entregue, embora tenha sido recbido pela mulher dele, Janete Riva.

O MPE denunciou 15 pessoas por participação na negociata, entre eles Riva e Janete, servidores da AL e empresários.

O caso envolve vários parlamentares e ex-parlamentares e pelo menos três dezenas de testemunhas.

A juíza já interrogou as testemunhas de acusação e está ouvindo as de defesa, inclusive que têm foro privilegiado. É caso de Maluff, Savi e Sérgio Ricardo, que têm direito de marcar a data em que querem depor.

Maluff pediu à justiça para remarcar a data, mas ainda não determinou qual será. Savi já informou que só será interrogado dia 23 de junho, a não ser que elege compromissos políticos. Já Sérgio Ricardo será intimado a declinar uma data na Sétima Vara.

A soltura de Riva está nas mãos dessas testemunhas de defesa.

Riva está detido no Centro de Custódia de Cuiabá, desde 21 de fevereiro, quando foi preso pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), que é a “Polícia” do MPE.

A defesa dele, que não está comentando as oitivas, já tentou mais de sete vezes um habeas corpus, mas até agora a Justiça, em três instâncias, está mantendo o ex-deputado encarcerado.

A juíza deve tocar a audiência desta terça, ouvindo a empresária Clarice Pereira Leite, que deve atender á defesa, na tentativa de provar que o processo licitatório na AL são lícitos.

Só depois das oitivas de instrução o processo ficará pronto para sentença.

A juíza tem se mostrado irritada com as ausências das testemunhas arroladas e com a protelação das datas, porque se trata de processo com réu preso.

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