Pedro Alves

Escorregadio em suas respostas aos questionamentos mais polêmicos, Julier usou sua trajetória na magistratura, como o juiz que mandou prender o ‘comendador’.
MARCIA MATOS
DA REDAÇÃO
Após emitir mandados de prisão contra alguns dos aliados ao PMDB, o novo membro do partido em Mato Grosso, o ex-juiz federal Julier Sebastião Silva, foi apresentado, nesta quinta-feira (3), pelo cacique da legenda, deputado federal Carlos Bezerra, como um nome forte para a disputa eleitoral, de um irmão conterrâneo de Chapada dos Guimarães , que tem os mesmos ideais partidários.
Em sua primeira coletiva, como membro do partido, ao qual se filiou nessa quarta-feira (2), em Brasília, o ex-juiz mostrou que já se adaptou ao discurso político.
Sendo a aposta do PMDB como pré-candidato a governador, o ex-juiz alegou que decidiu deixar todos os benefícios da magistratura para atuar em prol da sociedade.
“Faço isso sem qualquer pudor, porque acho que todos devem parar em algum momento para ajudar os irmãos mato-grossenses”, afirmou.
Em um discurso quase eleitoral, Julier falou de suas intenções para melhorar a educação, a saúde e até sobre a redistribuição de renda. Sem muita modéstia, ele afirmou que seu maior interesse na política é ser governador, mas não descartou qualquer possibilidade, avaliada pelo partido.
Faço isso sem qualquer pudor, porque acho que todos devem parar em algum momento para ajudar
Escorregadio em suas respostas aos questionamentos mais polêmicos, Julier usou sua trajetória na magistratura, como o juiz que mandou prender o ‘comendador’ João Arcanjo Ribeiro, como garantia de ética e seriedade, que conforme suas palavras também foram mantidos no recente julgamento do Escândalo dos Maquinários, quando inocentou o ex-governador Blairo Maggi (PR) e o ex-secretário de Estado Eder Moraes, mas condenou os ex-secretários de Administração Geraldo De Vitto e de Infraestrutura Vilceu Marcheti .
Desvinculando da hipótese de favorecimento, Julier declarou que apenas cumpriu seu papel de juiz respeitando, que nos autos não haviam provas contra Blairo e Eder.
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“Tudo parte do princípio democrático. A coisa tem que ter prova, “cumpadi”! É assim que funciona a democracia”, declarou.
Sobre sua inocência, como alvo de uma investigação da Operação Ararath, da Polícia Federal desencadeada recentemente, Julier pontuou que muitos políticos não sairiam ilesos como ele saiu, após a quebra de seus sigilos bancários e telefônicos.
Aos jornalistas, o presidente estadual do PMDB, Carlos Bezerra, afirmou que o partido não procurou o ex-juiz, mas foi procurado por ele, o que configuraria que Julier considerou que a legenda lhe renderia melhores resultados que o PT, que já articulava sua candidatura.
















