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02 de Novembro de 2013, 14h:31 - A | A

POLÍTICA / DEVENDO MAIS

Investimentos com a Copa do Mundo faz subir dívida de Mato Grosso

Cálculo do Tribunal de Contas mostrou que o pagamento das dívidas irá impactar as contas em R$ 250 milhões por ano até 2019

Pedro Alves/midianews

Silval Barbosa em entrevista ao programa Conexão Poder (SBT)

Silval Barbosa em entrevista ao programa Conexão Poder (SBT)

RODRIGO VARGAS
DIÁRIO DE CUIABÁ



Ainda sem um nome definido para sua sucessão, o governador Silval Barbosa (PMDB-MT) caminha para o fim do mandato com dívidas pressionando o caixa do Estado. Para bancar as obras de preparação de Cuiabá para a Copa, a gestão tomou R$ 1,57 bilhão em empréstimos.

Cálculo do Tribunal de Contas mostrou que o pagamento das dívidas irá impactar as contas em R$ 250 milhões por ano até 2019, quando as parcelas começam a cair. O empréstimo mais longo só vence em 2044.

"O pagamento anual dos empréstimos corresponderá a 79% do investimento em obras em 2012, comprometendo investimentos da próxima gestão", avaliou o tribunal. A dívida do Estado alcançará R$ 7 bilhões até 2014 --salto de 52% ante 2010.

O governo nega que deixará "herança maldita" ao sucessor e afirma ter melhorado o perfil da dívida: "MT reduziu o endividamento a um quinto em relação a 2003, indo de 264% para 50% da receita corrente líquida", declara o secretário-adjunto de Fazenda, Vivaldo Lopes.

O secretário reconhece um "aumento significativo" nas despesas com pessoal --média de 16% ao ano desde 2005, segundo a associação municipalista estadual-- mas afirma que "o pior já passou".

No mesmo período, a arrecadação de ICMS, principal tributo estadual, cresceu a uma média de 3,4%. Relação que, segundo a associação, tende ao "insustentável".

O aperto se reflete no cotidiano da gestão: a sede da Procuradoria-Geral do Estado ficou sem energia e telefone por falta de pagamento, e o secretário da Saúde chegou a ser afastado pela Justiça por não regularizar atraso no repasse de verbas a municípios.

Pressionado pela Copa, Barbosa é alvo de críticas de moradores do interior por supostamente priorizar a capital. Uma de suas promessas de campanha para o interior, a ligação por asfalto de todos os 141 municípios, ainda não saiu do papel, por exemplo.

Como já foi reeleito, o governador ainda avalia se conclui o mandato ou deixa o cargo até março de 2014 para tentar o Senado, como deseja o PMDB. Pela oposição, o senador Pedro Taques (PDT) é um dos nomes cotados para a disputa e antecipa que as contas estaduais poderão ser tema de campanha: "Está havendo nítido descontrole".

Uma opção do PMDB seria abrir mão da cabeça de chapa para o juiz federal Julier da Silva. Nesse possível arranjo, o magistrado se filiaria ao PT, a quem é próximo. Outro provável candidato que o PMDB pode vir a apoiar é o senador Blairo Maggi (PR), de quem Barbosa foi vice-governador.

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