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10 de Setembro de 2026

30 de Março de 2026, 11h:44 - A | A

POLÍTICA / RACHA NO PARTIDO

Faiad deixa direção do MDB e chama Janaina de eleitoreira e oportunista por tentar se aproximar da direita

Carta aponta divergências internas e questiona alinhamento ideológico da sigla

Reprodução

Faiad faz carta aberta expondo insatisfação com Janaina Riva

Faiad faz carta aberta expondo insatisfação com Janaina Riva

LUÍZA VIEIRA
DO REPÓRTERMT



O advogado Francisco Faiad anunciou, nesta segunda-feira (30), por meio de carta aberta, sua saída da presidência do diretório municipal do Movimento Democrático Brasileiro (MDB) em Cuiabá. A justificativa veio acompanhada de críticas diretas à dirigente estadual, Janaina Riva, ao afirmar que a legenda estaria focada em um “ajuntamento ocasional de interesses eleitorais” e marcada por vozes contraditórias que, segundo ele, comprometem a identidade do partido.

O texto também reprova a tentativa da pré-candidata ao Senado de “endireitar” a sigla de centro, que, nos últimos anos, esteve mais alinhada ao campo ideológico da esquerda.

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“É público que, embora estejamos formalmente no mesmo campo da campanha de Janaina Riva ao Senado, não há unidade de pensamento político-ideológico. E partido que fala por vozes contraditórias compromete sua identidade, enfraquece sua militância e confunde seus próprios aliados. Não é razoável que o MDB Municipal aponte para uma direção, enquanto o MDB Estadual siga por outra”, diz trecho da carta.

Faiad, que atuou como presidente em Cuiabá por 10 anos, mantinha forte ligação com o ex-prefeito da capital, Emanuel Pinheiro (PSD), que deixou o partido em 2025. Ele também não mantinha bom relacionamento com a atual dirigente, e agora critica a falta de coerência nos rumos adotados pela sigla.

“O partido precisa de unidade verdadeira, e não de conveniências ocasionais. Precisa de rumo claro, de posição firme e de coerência entre discurso e prática, sobretudo diante da disputa de 2026. Importante dizer: O MDB não nasceu para ser um ajuntamento ocasional de interesses eleitorais”, declarou.

Janaina assumiu o comando da legenda no ano passado, após longo período de liderança do cacique e ex-deputado federal Carlos Bezerra (MDB). Desde então, enfrenta dificuldades para unificar o discurso em um estado que é majoritariamente Bolsonarista, ao que tenta sustentar uma postura mais à direita, o que amplia as divergências internas e dificulta o crescimento do MDB que na nacional dispõe de forte aliança junto ao presidente Lula (PT).

Em Cuiabá, declarações do prefeito Abilio Brunini (PL) tensionaram ainda mais o cenário, após o liberal afirmar que seria inadmissível que o PL, partido do ex-presidente Jair Bolsonaro, firmasse qualquer aliança com os emedebistas.

Em meio a esse cenário, o MDB já registrou a saída de nomes de peso, como o deputado federal Emanuelzinho, que migrou para o PSD, e Juarez Costa, que passou a integrar o Republicanos. Na Assembleia Legislativa, Juca do Guaraná (MDB) ensaia deixar a sigla, enquanto Dr. João pode permanecer. Já a principal liderança do partido, a própria Janaina, não deve atuar para “puxar votos”, já que mira o Senado, o que pode enfraquecer a legenda e reduzir sua bancada no parlamento estadual.

Como possíveis reforços, o partido conta com a vice-prefeita Coronel Vânia (MDB), que almeja uma vaga na Assembleia Legislativa, e com o presidente da Associação Mato-grossense dos Municípios (AMM), Leonardo Bortolin (MDB).

Veja carta na íntegra:

Depois de dez anos na presidência do Diretório Municipal do MDB de Cuiabá, entendo que chegou o momento da minha saída. Não pelo tempo, mas pela convicção de que a política exige coerência, lealdade partidária e nitidez de posições. E é exatamente por reconhecer que, neste momento, convivem no partido visões ideológicas distintas e antagônicas, que considero inevitável a mudança no comando do MDB Municipal de Cuiabá.É público que, embora estejamos formalmente no mesmo campo da campanha de Janaina Riva ao Senado, não há unidade de pensamento político-ideológico. E partido que fala por vozes contraditórias compromete sua identidade, enfraquece sua militância e confunde seus próprios aliados.

Não é razoável que o MDB Municipal aponte para uma direção, enquanto o MDB Estadual siga por outra.O partido precisa de unidade verdadeira, e não de conveniências ocasionais. Precisa de rumo claro, de posição firme e de coerência entre discurso e prática, sobretudo diante da disputa de 2026.Importante dizer: O MDB não nasceu para ser um ajuntamento ocasional de interesses eleitorais. O MDB nasceu como trincheira da democracia. Nasceu na resistência. Nasceu na coragem dos que enfrentaram a ditadura, o arbítrio, a violência política e o silenciamento das liberdades. Nasceu da recusa ao autoritarismo e da defesa intransigente do Estado de Direito, da justiça social e da dignidade da política. Foi esse partido que aprendi a respeitar.

Foi esse partido ao qual me filiei, ainda no Paraná, em 1982. E é esse partido que continuo a defender.Por isso, afirmo com toda clareza: é chegada a hora de mudança na comissão provisória do MDB de Cuiabá.Saio de cabeça erguida e com a consciência absolutamente tranquila. Ao longo dessa década, com o apoio de muitos companheiros, ajudamos a construir vitórias expressivas e consolidamos a presença do MDB na capital. Elegemos por duas vezes o Prefeito de Cuiabá, além de deputado federal, deputado estadual e vereadores. Não foi uma trajetória pequena. Foi uma trajetória de trabalho, enfrentamento e resultado.

Agradeço aos que caminharam comigo nesse período, aos que compreenderam o valor da lealdade e aos que nunca se omitiram nos momentos decisivos.À próxima direção, desejo êxito. Terá a responsabilidade de conduzir o partido em um tempo que exigirá firmeza, unidade e coragem para não permitir que o MDB se perca em ambiguidades, contradições e acomodações de momento.Quanto a mim, sigo com a mesma disposição de luta, a mesma franqueza de sempre e a mesma fidelidade partidária que marcaram minha trajetória.

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