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13 de Maio de 2015, 08h:25 - A | A

POLÍTICA / GOTA D'ÁGUA

Diretor da CAB nega meta de universalização e exige cumprimento de contrato

Dellalana também recusa o título de "campeã em reclamações'. "CAB é elogiada até por gente do Procon", assegura

RepórterMT

Sabatina com diretor da CAB, na Câmara Municipal, durou mais de 3 horas

Sabatina com diretor da CAB, na Câmara Municipal, durou mais de 3 horas

PAULO COELHO
DA REDAÇÃO



Três horas e meia de uma sabatina, que na opinião dos vereadores foi fraca, infrutífera e repetitiva. O diretor da CAB-Cuiabá, Antônio Carlos Dellalana usou todo o tempo que dispôs, para afirmar em todas as suas respostas que, 100% da cidade de Cuiabá está recebendo água tratada na torneira.  Em cada 10 perguntas, ao menos em nove delas Dellalana reafirmou não haver falha no fornecimento de água.

Dellalana voltou a frisar que a palavra “universalização” não consta do contrato firmado com a Prefeitura cuiabana.

Dellalana voltou a frisar que a palavra “universalização” não consta do contrato firmado com a Prefeitura cuiabana, mas garantiu que a continuidade do fornecimento  de água à população tem ocorrido em sua plenitude.

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“Universalização não existe em nossos contratos, mas nós atingimos em cem por cento o ICA, que é o índice de Continuidade de Abastecimento e com isso nós alcançamos nossas metas contratuais”, frisou o diretor.

Depois da explanação de Dellalana, que durou menos de uma hora, foi aberto tempo para os 25 vereadores fazerem propriamente a sabatina, com três minutos  para cada um e mesmo tempo para cada resposta do diretor. Em  todos os questionamentos e respostas, porém, extrapolou-se  em quase o dobro do tempo, e pouco se evoluiu quanto aos esclarecimentos esperados.

O diretor não soube precisar, ou não quis responder, à pergunta referente ao tempo que ainda precisaria para que toda demanda de água e esgoto do município será suprida.

A CAB, em plenário representada, não soube  precisar ou não quis responder à pergunta referente ao tempo que ainda precisaria para que toda demanda de água e esgoto do município será suprida.“Eu não disse que não existia o prazo de três anos, eu apenas afirmei que a palavra universalização não existe no contrato”, ponderou.

Ocorre que, para a empresa, não há demanda, pois, como já dito,  as“metas” teriam sido atingidas.

Antônio Carlos Dellalana admitiu, porém, que algo em torno de 30% das residências  somente estão recebendo água na torneira de forma intermitente, ou seja, dia sim, dia não.  “Nosso desafio é resolver isso o quanto antes”, emendou.

E quanto ao “título” de campeã em reclamações junto ao Procon-MT, a CAB também refuta.

Um dos vereadores, Juca do Guaraná (PT do B), apresentou que, só em janeiro passado, a CAB recebeu  559 reclamações, contra 278 da Energisa e 147  reclamações contra as empresas de telefonia.

“Nós não  entendemos assim. Não estamos em primeiro lugar  em reclamações e até estamos recebendo cumprimento de pessoas do próprio Procon, pelo nosso trabalho e por não sermos campeões em reclamações”,  alegou  Dellalana, ponderando, quanto às reclamações sobre o valor das tarifas. "Isso ocorre porque nós implantamos os hidrômetros,o que otimiza  mais o consumo da água, mas isso [ preço mais alto] significa que já não é  como era, hoje somos o produto que mais entra nos lares cuiabanos”, argumentou.

Para os vereadores  Júlio Pinheiro, presidente da Câmara e Dilemário Alencar, ambos do PTB e Toninho de Souza , do PSD, a explanação de Dellalana ficou aquém do esperado. “O que vale é que vemos da população, que não considera que esteja havendo 100% de fornecimento, pra mim houve grande contra-senso da CAB”, opinou Toninho

“A CAB não pretende sair de Cuiabá, a CAB quer que o contrato que ela tem de 30 anos seja honrado”.

Para Pinheiro ainda ficaram muitas dúvidas, por exemplo, quanto à saúde financeira da CAB Cuiabá, uma vez  que a Galvão Engenharia,  uma espécie de “empresa mãe” da concessionária que atua na Capital, está sob recuperação judicial, além de também ser uma das empresas investigadas na Operação Lava-Jato,  o que tem gerado questionamentos sobre estabilidade  da empresa em Cuiabá.

“O questionamento que nós continuamos fazendo é: a CAB  tem condições de fazer os investimentos que Cuiabá tanto precisa? Isso tem que  ser mais esclarecido”, avaliou o presidente do legislativo, indagando principalmente sobre o aporte anual que a empresa tem para investir em água e esgoto na Capital.

Mas, segundo o diretor Dallalana, a Galvão Engenharia não é acionista da CAB e a empresa não corre risco de falência.  “A RJ [recuperação judicial] foi requerida em 25 de março e o juiz deferiu em 28 de março e quando um juiz defere uma recuperação judicial é porque ele acredita que essa recuperação é possível”,disse. Dellalana ainda informou que a CAB investiu em Cuiabá R$ 822 milhões nesses três primeiros anos e teve uma receita bruta de R$ 366 milhões.

Sobre a possibilidade de rompimento do contrato entre a Prefeitura e a empresa, o diretor  arrematou dizendo que “a CAB não pretende sair de Cuiabá, a CAB quer que o contrato que ela tem de 30 anos seja honrado”.

Mas essa ruptura do acordo pode se concretizar,  dependendo do resultado do primeiro relatório da Arsec,  que é a agência que regula os serviços de água e esgoto na Capital, recém –criada pela Prefeitura. Esse levantamento deverá ser entregue nos próximos dias ao prefeito Mauro Mendes (PSB).

 

 

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Marina 14/05/2015

Caros leitores, universalizar o serviço quer dizer "ter água TODOS o dias O DIA TODO em todas as casas. Isso está longe de acontecer em Cuiabá. No meu bairro fico sem água até três dias. Ligo para a CAB e ela me dá até 48 horas para mandar um caminhão de água. Isso é universalizar? Me poupe sr. Dallalana... Como a Galvão e CAB não são do mesmo grupo? Basta fazer uma busca nos colaboradores que para cá vieram quando houve a co ncessão. Tem gente da CAB ambiental, tem gente da Galvão... Basta olhar no site.

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CMC 13/05/2015

PJ, sua explicação não convence ninguém! Primeiro porque você justifica que a empresa é o problema. Então explique porque a CAB ganhou a licitação se ela é pior que muitas outras, como você citou. De qualquer forma, tem maracutaia nisso. Eu também conheço Várias prefeituras e Estados que não privatizaram, e o fornecimento de água é bom. Goiânia, por ex. Se precisar, eu cito mais.

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PJ 13/05/2015

O problema não é o modelo: privatização. O problema é a empresa e a falta de fiscalização. Existem várias cidades de MT com fornecimento de água privatizado, e que funcionam, pra citar só uma: Sorriso. Nunca vi ninguém na cidade reclamar da empresa Águas de Sorriso. Aliás, antes da privatização, o fornecimento era precário. O interesse da empresa no fornecimento é justamento aumentar o lucro, quanto mais clientes receberem a água, mais arrecadação terá. O mesmo vale para o esgoto.

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CMC 13/05/2015

Quando o prefeito Chico Gallindo estava vendendo a SANECAP a qualquer custo, eu criticava esse tipo de concessão, nos sites de notícias, fui chamado até de idiota. Agora não aparece nenhum "inteligente" defensor desse tipo de privatização para defender os serviços da CAB. Gente, concessão de estradas, ferrovias, aeroportos, por ex. são de grande relevância por que as empresas precisam investir, e prestar bons serviços para que possam ter retorno O desejado. Mas, água?! Que empresa está preocupada em fornecer água se ela está recebendo a conta todos os meses, e se o consumidor não pagar, ela manda cortar o fornecimento? Esgoto?! Que interesse tem uma empresa construir coleta e tratamento de esgoto em uma cidade? Se ela também já cobra conta de esgoto embutida na conta de água? Agora aguentem 30 anos de CAB! A burrice tem preço!

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4 comentários