ANA JÁCOMO
DO REPÓRTERMT
Uma gravação exclusiva obtida pela coluna de Andreza Matais e Samuel Pancher, do portal Metrópoles, revela o senador Davi Alcolumbre (União-AP) coordenando um esquema contra seu principal adversário no Amapá, o prefeito afastado de Macapá, Dr. Furlan (PSD). (Ouça a gravação no final da matéria).
No áudio, Alcolumbre orienta o prefeito interino e aliado, Pedro DaLua (União), a se reunir reservadamente com um desembargador do Tribunal de Justiça (TJ) para tratar de ações que favorecem o grupo do senador.
A conversa detalha o momento em que Alcolumbre instrui DaLua a comparecer ao gabinete do magistrado, a quem o senador chama de “meu irmão”, reforçando que a visita deve ser feita de forma solitária.
Logo no início da conversa, DaLua dispara: "Ai, ai. Onde é que eu te entrego meu c*?". Diante da oferta, o presidente do Senado ri e responde: "Segunda, 10 horas, no gabinete dele, no tribunal, para você relatar as questões jurídicas e políticas, sem advogado”, ordena o parlamentar na gravação.
O senador ainda sugere ter deixado claro ao magistrado que sabe "reconhecer quem está ao seu lado" e que faz "política de grupo".
A articulação tem como pano de fundo uma disputa financeira na capital amapaense. Alcolumbre busca derrubar um veto de Furlan que impedia o reajuste do orçamento da Câmara de Vereadores, que saltou de R$ 3,9 milhões para R$ 5 milhões.
A manobra visa restabelecer a autoridade do presidente do Legislativo municipal, braço direito do senador na região.
No diálogo, Pedro DaLua demonstra entusiasmo com as orientações e chega a chamar Furlan de “filho da p*”. O prefeito interino, que assumiu o cargo após o afastamento de Furlan e seu vice pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por suspeita de fraudes em obras hospitalares, ainda oferece um "presente" ao senador: a abertura de duas Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs) contra o adversário.
“Vai para cima”
Ao ouvir a proposta da criação das CPIs para desgastar a imagem de Furlan, Alcolumbre dá o aval imediato: “Vai para cima”.
A estratégia expõe o uso de canais políticos para influenciar decisões no Judiciário amapaense e o controle rigoroso que o senador exerce sobre a política local, mesmo ocupando cargo de destaque em Brasília.
OUÇA O ÁUDIO:













