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17 de Junho de 2015, 08h:40 - A | A

POLÍTICA / R$ 400 MILHÕES

Brustolin critica política fiscal de Dilma e provoca bancada federal para liberar FEX

O chefe do Tesouro Estadual vê nos deputados federais e senadores de Mato Grosso, a saída para receber Fundo

Assessoria

Brustolin apresentou, em audiência pública, na Assembleia Legislativa, o Relatório de Gestão Fiscal do 1º Quadrimestre de 2015.

Brustolin apresentou, em audiência pública, na Assembleia Legislativa, o Relatório de Gestão Fiscal do 1º Quadrimestre de 2015.

PAULO COELHO
DA REDAÇÃO



Em tom crítico o secretário de Estado de Fazenda Paulo Brustolin atacou na tarde desta terça-feira (16), a política fiscal da presidente Dilma  Roussef (PT), que acaba de aprovar no Congresso Nacional um pacote de medidas com intuito de fazer uma economia  imediata que atinja o patamar de R$100 bilhões.

Estado tem atualmente, o pedido de um empréstimo de R$ 720 milhões aprovados pelo Banco do Brasil e pela Procuradoria Geral Fiscal da União, mas o Tesouro Nacional resiste em dar o aval

Brustolin apresentou, em audiência pública, na Assembleia Legislativa, o Relatório de Gestão Fiscal do 1º Quadrimestre de 2015, o primeiro da gestão do governador Pedro Taques (PDT).

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“Mostramos com muita clareza que aqueles tributos  que dependem do governo, setor a setor, a gente vem fazendo a nossa parte, no entanto, numa questão de equilíbrio fiscal, o governo federal não vem cumprindo os compromissos assumidos com os estados da federação, eu poderia falar aí da questão do FEX [Fundo de Apoio à Exportação], eu poderia falar do aval do Tesouro Nacional nas operações de crédito para o Estado de Mato Grosso, o que vem  nos prejudicando em alguns momentos”, lamentou o secretário.

Nesse sentido, Brustolin informou que o Estado tem atualmente, o pedido de um empréstimo de  R$ 720 milhões aprovados pelo Banco do Brasil  e pela Procuradoria Geral Fiscal da União, mas o Tesouro Nacional resiste em dar o aval  devido o argumento de que isso impactaria no resultado primário da política econômica do governo Federal.

Dos R$ 400 milhões referentes ao FEX, R$ 100 milhões seriam distribuídos aos 141 municípios.

“O FEX não é um problema do governo. Ele é um problema do Estado. Portanto, todos os deputados federais e senadores têm a obrigação de trabalhar unidos em prol de Mato Grosso. Caso o FEX de 2014 não venha, será uma derrota para o Estado e para todos os políticos de Mato Grosso no Congresso Nacional”, avaliou Brustolin.

Outro ponto acentuado é sobre as Transferências de Capital, que tinham R$ 142,5 milhões previstos, dos quais foram transmitidos somente R$ 5 milhões. “Ou seja, o governo Federal não está fazendo sua parte”, reforçou.

“Nós acreditamos que o governo Federal precisa cumprir sua parte, precisa ser mais coerente, discurso e prática devem andar alinhados”

Diante da situação financeira, Brustolin pontuou que o não repasse desses recursos ao Estado, que é essencialmente exportador, prejudica as finanças, de modo que se o dinheiro tivesse entrado no caixa do governo os indicadores apontados seriam melhores. “Nós acreditamos que o governo Federal precisa cumprir sua parte, precisa ser mais coerente, discurso e prática devem andar alinhados”, observou.

Outros dados apresentados no relatório demonstram que os juros e os encargos da dívida do Estado tiveram variação de 36% nos primeiros quatro meses deste ano quando comparados ao mesmo período de 2014. No ano passado foram R$ 133,2 milhões, subindo para R$ 181,2 milhões. A dívida de R$ 6,5 bilhões contraída pelo governo anterior está dolarizada em 22%. Em março, o governador Pedro Taques quitou a primeira parcela do débito, no valor de R$ 110 milhões, ao Bank of America.

Investimentos

O secretário ponderou, ainda, que inúmeros investimentos foram feitos no 1º quadrimestre de 2014 por conta das obras previstas para a Copa do Mundo, mas que, no entanto, muitas delas não foram concretizadas, provocando maior endividamento. Neste ano, o governador Taques determinou auditorias em todos os contratos recebidos pela atuação gestão com a finalidade de analisar a situação financeira do Estado. “Tenho certeza que no próximo quadrimestre teremos um crescimento real nesses investimentos e mostraremos com muita clareza o que o governo Pedro Taques está fazendo”, completou

 Despesas

“Nós não endividamos o Estado, nós cumprimos os compromissos, pagamos as dívidas, e mais do que isso, conseguimos, mesmo nesse momento de dificuldade, manter os salários dos servidores em dia”.

As despesas com pessoal também chamaram a atenção. O Estado ultrapassou em 0,85% o limite máximo de gasto com folha de pagamento, chegando a 49,85%. O limite máximo de gastos com pessoal de todos os poderes (Executivo, Legislativo e Judiciário) é de 60%, sendo que Mato Grosso alcançou 59,69%, ultrapassando o limite prudencial.

Paulo Brustolin lembrou que o governo concedeu o reajuste salarial previsto na lei de carreiras do Estado. A legislação foi aprovada na administração passada, sem estudo prévio sobre o impacto dos valores nas contas públicas. Além disso, voltou a dizer que a questão salarial é uma preocupação na gestão Pedro Taques desde 1º de janeiro. “Nós não endividamos o Estado, nós cumprimos os compromissos, pagamos as dívidas, e mais do que isso, conseguimos, mesmo nesse momento de dificuldade, manter os salários dos servidores em dia”.

 Contas de Silval

O secretário de Fazenda comentou as contas do ex-governador Sival Barbosa (PMDB) referentes ao ano passado, que o Tribunal de Contas do Estado (TCE), deu parecer pela aprovação, nessa terça-feira (16). Brustolin ironizou a suposta sobra  de mais de R$ 330 milhões em caixa.

“Se tinha esse dinheiro em caixa, então porque ele não quitou parte da dívida de R$ 912 milhões  de restos a pagar”, questionou.

 

O balancete 2014 de Silval  foi aprovado por unanimidade e agora  será encaminhado para aprovação ou não da Assembleia Legislativa. O relator da peça foi o conselheiro Antonio Joaquim.

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