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Envolvimento com licitação suspeita do rodoanel não deve prejudicar o deputado entre seus pares, por corporativismo
KEKA WERNECK
DA REDAÇÃO
O cientista político João Edisom, professor da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), avalia ter prós e contras, técnicos e políticos, na indicação do governador Pedro Taques (PDT), que nesta semana, anunciou o deputado Wilson Santos (PSDB), como líder do governo na Assembleia Legislativa. Na balança, o professor aponta mais pontos positivos do que preocupações com o desempenho do “Galinho”.
O perfil polêmico seria o ponto crucial para que o deputado desempenhe bem o papel de um líder de governo. Segundo o cientista, esse apelido de “Galinho” não surgiu do nada e sim de um político que cresceu fazendo enfrentamentos.
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"É uma pessoa que tem experiência na câmara municipal, estadual, federal, tem experiência no Executivo, então dificilmente vai fazer um debate sem a fundamentação necessária na defesa dos interesses do governador"
“Eu te confesso que, apesar de WS ser extremante inteligente, sempre se pautou sua vida pública pela polêmica e o enfrentamento. Então não sei como ele vai se comportar nesse papel de líder do governo”, destaca o analista.
Santos, que estava passando uma temporada em Portugal, para fazer pós-graduação, volta ao Brasil e a Mato Grosso novamente conquistando um cargo eletivo e, como deputado estadual, assumindo a tarefa de fazer andar os projetos do Executivo, junto com a base aliada e dialogando com a oposição, mediando possíveis conflitos.
João Edisom destaca que, nas casas legislativas, o que mais se vê é gente desqualificada nos quesitos técnicos. “O que a gente tem assistido nas sessões? Muitos parlamentares com uma dificuldade grande em conhecer regimento, sem condições de ler projeto, defendendo um projeto somente porque o prefeito mandou ou o governador determinou. Esse comportamento é um negócio corriqueiro, que vira interesse de um grupo”, critica o analista político. Para ele, Wilson Santos não está entre esses.
“É uma pessoa que tem experiência na câmara municipal, estadual, federal, tem experiência no Executivo, então dificilmente vai fazer um debate sem a fundamentação necessária na defesa dos interesses do governador. Neste aspecto, a escolha de Santos foi um ganho muito grande para o governo no ponto de vista conhecimento técnico. Alguém que tem formação acadêmica e total capacidade para atuar”, observa João Edisom.
“O Galinho faz política no confronto, mas um líder de governo não pode fazer isso”
No aspecto político, o cientista atribuiu a Wilson Santos capacidade de agregar, trabalhar nos bastidores e discutir com lideranças partidárias.
João Edisom não acredita que o fato da Justiça Federal ter indisponibilizado os bens de WS vá atrapalhá-lo na Assembleia Legislativa.
Ele é acusado de realizar “licitação suspeita” e superfaturar a obra de implantação do rodoanel de Cuiabá. O rodoanel está parado desde 2009.
Na ocasião da licitação, WS era prefeito de Cuiabá. Agora é obrigado, pela justiça, a devolver ao erário municipal R$ 22,9 milhões, a pedido do Ministério Público Federal (MPF), que, neste caso, vê crime por improbidade administrativa, alegando que o então gestor de Cuiabá fez a licitação da obra de forma irregular, desejando “desmotivar outros potenciais interessadas a participar do certame”. A licitação em questão é no valor de R$ 2,3 milhões.
“A AL, assim como as câmaras todas, é corporativista. Se WS fosse secretário, aí sim respingaria na sociedade, porque ele passaria a tratar diretamente com o povo. Mas um líder de governo vai tratar com seus pares. A AL de MT tem 24 deputados, mas fora o bloco governista, ele vai ter que negociar com 10 ou 12 deputados de oposição. Se o Congresso Nacional tem 513 parlamentares e é corporativista, imagina um parlamento com 24 pares”, compara João Edisom.
Os calcanhares de Aquiles de WS na AL devem ser Mauro Savi (PR), Zeca Viana, que é do PDT, mas está estremecido com Taques, e o também polêmico José Carlos do Pátio (PMDB), embora sejam amigos.
O cientista reforça que “o Galinho faz política no confronto, mas um líder de governo não pode fazer isso”.
Entre o político experiente, o historiador articulado e o polêmico, “vamos ver o que vai sobreviver nele. Se deixar o Galinho falar mais alto, não fica por muito tempo”, opina o analista político.
Entre ele e Dilmar Dal Bosco (DEM), que foram os nomes finais, Taques fez a melhor escolha, na opinião e João Edisom. “Um governador que tem enorme capacidade argumentativa, de analisar uma matéria aos olhos da lei e que é um dos melhores professores constitucionalistas do Brasil, não poderia escolher alguém melhor, para defendê-lo na Assembleia Legislativa”.
O primeiro conflito que WS irá enfrentar será apaziguar as tensões criadas no período de escolha da mesa diretora. “Na última vez que houve disputa real foi na época de Dante de Oliveira, há 20 anos, entre José Riva e Gilmar Fabris.
Depois disso, foram mesas de consenso, então não temos cultura de embates. Mas, embora a chapa atual (de Guilherme Maluf – PSDB) tenha sido única, nasceu de um confronto muito grande. Como ele vai contemplar esse grupo e apaziguar esse conflito e fazer com que os projetos do governo andem ali dentro, vamos ver”.
Para o analista, outro atrito inicial a ser enfrentado é a reforma administrativa, que cortou muitos apadrinhados dos históricos de deputados que tinham mandatos.













