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Cuiabá, 16 de Junho de 2026
16 de Junho de 2026

06 de Fevereiro de 2026, 15h:01 - A | A

POLÍCIA / CASO RENATO NERY

TJ manda devolver bens de advogados investigados por morte em Cuiabá

Jaderson, Antônio João, Agnaldo e Gaylussac foram alvos da polícia, mas não foram oferecidas denúncias contra eles

VANESSA MORENO
DO REPÓRTERMT



A Terceira Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) acolheu parcialmente um recurso e determinou a devolução de celulares, notebooks, tablets, pen drives, HDs externos, documentos, joias e R$ 34 mil em espécie aos advogados Jaderson Rocha Reinaldo, Antônio João de Carvalho Júnior, Agnaldo Bezerra Bonfim e Gaylussac Dantas de Araújo.

Eles estavam entre os investigados pela morte do advogado Renato Nery, assassinado em julho de 2024, em Cuiabá, e tiveram os bens apreendidos na Operação Office Crime, deflagrada em novembro do mesmo ano. 

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Em decisão proferida no final do ano passado, os magistrados da Terceira Câmara Criminal concluíram que não houve oferecimento de denúncia contra os quatro advogados e que a investigação principal já identificou os responsáveis e envolvidos no crime. Além disso, os bens já haviam sido encaminhados ao Setor de Apreensões do Fórum de Cuiabá apenas para permanecerem guardados.

Antes da devolução, foi fixado o prazo de 15 dias para que a Polícia Civil concluísse eventuais perícias técnicas nos aparelhos eletrônicos. Depois disso, foi determinada a restituição imediata, salvo em caso de nova apreensão.

“Ante o exposto, conheço e dou provimento parcial ao apelo para, não obstante nesse momento manter a constrição de todos os bens apreendidos, fixar o prazo de 15 (quinze) dias para que a autoridade policial conclua eventuais perícias ainda pendentes ou promova cópia dos arquivos que necessitem da respectiva análise técnica. Findo o prazo ora estabelecido, proceda-se à imediata restituição dos bens, mediante termo nos autos, ressalvada a possibilidade de nova apreensão caso surjam elementos concretos que a justifiquem”, diz trecho do voto do relator do recurso, desembargador Gilberto Giraldelli.

Para reaver os pertences, os advogados alegaram no recurso que os bens apreendidos em suas residências e escritórios deveriam ser devolvidos em razão do transcurso do tempo e da falta de utilização efetiva para fins investigativos.

Os bens ficaram apreendidos por quase um ano e foram mantidos no Fórum sem utilidade. Por isso, eles pediram a restituição imediata.

A Procuradoria-Geral de Justiça, no entanto, manifestou-se contrária ao recurso, mas recomendou o prazo de 30 dias para a conclusão das perícias, sob pena de restituição imediata dos bens.

Gilberto Giraldelli, por sua vez, reconheceu que a manutenção dos bens apreendidos configura violação ao princípio da duração razoável do processo, determinando a devolução no prazo de até 15 dias.

“A manutenção indefinida de bens apreendidos, sem justificativa concreta e atual, configura violação a esse postulado constitucional”, disse o desembargador.

“No caso em análise, o transcurso de prazo superior a 10 meses, somado ao fato de a própria autoridade policial ter se limitado a encaminhar os objetos ao Fórum para simples guarda, sem indicar qualquer utilidade investigativa específica, caracteriza excesso temporal incompatível com a razoabilidade exigida pelo ordenamento jurídico”, acrescentou.

Caso Renato Nery

O advogado Renato Nery foi assassinado no dia 5 de julho de 2024, em frente ao escritório dele, na Avenida Fernando Corrêa da Costa, em Cuiabá. Ele foi atingido por sete tiros, chegou a ser socorrido, mas não resistiu e morreu na madrugada do dia seguinte.

Após intensa investigação sobre o caso, que incluiu o cumprimento de mandados de busca e apreensão contra os advogados Jaderson Rocha Reinaldo, Antônio João de Carvalho Júnior, Agnaldo Bezerra Bonfim e Gaylussac Dantas de Araújo, a Polícia Civil identificou um grupo criminoso envolvido na morte de Nery, bem como a motivação do crime. 

A motivação é a disputa judicial por uma área de mais de 12 mil hectares localizada no município de Novo São Joaquim. Após décadas, Renato Nery tornou-se coproprietário da terra, o que teria causado insatisfação no casal de empresários Julinere Goulart Bentos e Cesar Jorge Sechi, de Primavera do Leste (a 234 km de Cuiabá), apontados como mandantes do crime.

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Também foi identificada a participação dos policiais militares Ícaro Nathan Santos Ferreira, Jackson Pereira Barbosa e Heron Teixeira Pena Vieira, que teriam atuado como intermediários.

O executor foi identificado como Alex Roberto de Queiroz Silva.

Todos estão presos, mas ainda não foram condenados. 

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