VANESSA MORENO
DO REPÓRTERMT
Denúncia do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) identificou quatro núcleos do grupo criminoso responsável pelo assassinato do advogado Roberto Zampieri, em dezembro de 2023, em Cuiabá.
O primeiro é o núcleo mandante, composto pelo casal Anibal Manoel Laurindo e Elenice Ballarotti Laurindo, que teria encomendado o assassinato em razão de uma disputa judicial em torno da Fazenda Lagoa Azul, avaliada em R$ 100 milhões.
>>> Clique aqui e receba notícias de MT na palma da sua mão
Zampieri atuava como advogado da parte contrária e havia exposto fraudes documentais da família Laurindo. A atuação do advogado teria coincidido com o início das derrotas processuais da família, que perdeu a posse provisória da fazenda.
O segundo núcleo é o operacional e intermediário, liderado pelo coronel do Exército aposentado Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas, apontado como mentor intelectual da logística do crime e principal responsável pelo grupo Comando C4, especializado em assassinatos por encomenda. Ele recebeu valores do casal Laurindo e teria arquitetado a execução do advogado.
Caçadini possui uma empresa de segurança privada, a Treinamento Empresarial e Segurança Corporativa Ltda., que recebeu R$ 172 mil durante o período de planejamento do crime.
Consta na denúncia que o núcleo também era integrado por Hedilerson Fialho Martins Barbosa, apontado como intermediário entre o coronel Caçadini e Antônio Gomes da Silva, executor do crime.
Hedilerson Fialho viajou até Cuiabá, forneceu a arma ao executor e teria acompanhado a execução em uma hospedagem próxima ao local do crime.
O terceiro núcleo é o de execução, composto por Antônio Gomes da Silva, executor confesso. Ele recebeu instruções diretas e mantinha interlocução com o "núcleo operacional e intermediário".
Antônio recebeu R$ 20 mil antes do crime e a promessa de receber outros R$ 20 mil após a execução.
O quarto núcleo é o de colaboradores, composto por Gilberto Louzada da Silva, Peterson Venites Komel Junior, Salezia Maria Pereira de Oliveira e Mario Jorge Bucater, responsáveis pelo suporte logístico e operacional do "Comando C4".
Segundo o Ministério Público, após as prisões de Etevaldo Caçadini, Hedilerson Fialho e Antônio Gomes, os colaboradores teriam se empenhado em um pacto de silêncio para proteger o mandante Anibal Laurindo.
Além disso, negociações intermediadas por Salezia, companheira de Caçadini, e Mario Jorge teriam buscado viabilizar pagamentos entre R$ 500 mil e R$ 750 mil para garantir que os presos não entregassem o mandante.
Prisão de Elenice
Na última sexta-feira (12), a juíza da 12ª Vara Criminal de Cuiabá, Mônica Catarina Perri Siqueira, ao receber a denúncia do Ministério Público, determinou a prisão preventiva de Elenice Ballarotti Laurindo.
Contudo, nesse domingo (14), o desembargador plantonista do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), Gilberto Giraldelli, suspendeu a prisão por entender que, neste momento, não há motivos que justifiquem a medida.
Na decisão, ele destacou que Elenice respondeu às investigações em liberdade e não há registros de tentativa de fuga, ameaça a testemunhas ou interferência na apuração dos fatos.
O crime
Roberto Zampieri foi assassinado no dia 5 de dezembro de 2023, por volta das 20h, em frente ao seu escritório de advocacia, no bairro Bosque da Saúde, em Cuiabá.
Consta na denúncia que Antônio Gomes da Silva, com auxílio de Hedilerson Fialho Martins Barbosa e Gilberto Louzada da Silva, e em cumprimento à determinação de Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas, efetuou diversos disparos contra o advogado, que morreu no local.
O grupo teria agido a mando do casal Anibal Manoel Laurindo e Elenice Ballarotti Laurindo, mediante pagamento de cerca de R$ 200 mil.
Etevaldo, Hedilerson, Antônio e Gilberto integravam um grupo criminoso armado, hierarquizado e com divisão de tarefas, voltado à prática de homicídios por encomenda.
De acordo com o Ministério Público, a motivação do crime seria uma disputa judicial envolvendo a posse e a propriedade da Fazenda Lagoa Azul, localizada em Paranatinga e avaliada em R$ 100 milhões, tendo como uma das partes o irmão de Anibal Manoel Laurindo, José Vanderlei Laurindo.
















