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30 de Abril de 2025, 14h:10 - A | A

POLÍCIA / COBRANÇA DE PROPINA

Polícia apura participação de outros vereadores em esquema que afastou Chico 2000 e Joelson

Investigações apontam que o valor de R$ 250 mil recebido pelos parlamentares seria dividido para garantir quórum em votação de projeto.

Reprodução / Montagem RepórterMT

Operação da Polícia Civil investiga esquema de cobrança de propina na Câmara de Cuiabá

Operação da Polícia Civil investiga esquema de cobrança de propina na Câmara de Cuiabá

VANESSA MORENO
DO REPORTÉR MT



A Polícia Civil apura se outros vereadores e ex-vereadores também receberam parte da propina de R$ 250 mil paga pela empresa HB 20 Construções em troca da aprovação de projetos na Câmara. O valor, que motivou o afastamento de Chico 2000 (PL) e Sargento Joelson Fernandes (PSB), seria dividido com outros parlamentares, segundo depoimento de um funcionário da construtora.

Chico 2000 e Sargento Joelson são acusados de cobrar a propina da construtora responsável pelas obras do Contorno Leste, em Cuiabá, em troca de apoio à aprovação de matéria legislativa que possibilitou o recebimento de pagamentos devidos pelo município à referida empresa no ano de 2023. Eles foram alvos da Operação Perfídia, deflagrada pela Delegacia Especializada de Combate à Corrupção (Deccor), na manhã dessa terça-feira (29).

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Conforme investigação, os parlamentares teriam se comprometido a viabilizar uma certidão que permitiria ao município parcelar dívidas tributárias, medida que facilitaria a liberação de pagamentos pendentes à HB 20 Construção, que, com isso, acabou recebendo o pagamento de R$ 4.849.652,46 (quatro milhões, oitocentos e quarenta e nove mil, seiscentos e cinquenta e dois reais e quarenta e seis centavos).

Ainda segundo a investigação, Sargento Joelson teria dito ao funcionário da construtora, que atuava como intermediador da empresa, que o montante recebido seria dividido entre outros parlamentares para garantir o quórum necessário para a aprovação do projeto que permitiu o parcelamento das dívidas do município e o pagamento à HB 20 Construção.

O esquema teria ocorrido entre 2023 e 2024, na gestão de Emanuel Pinheiro (MDB), e a denúncia do esquema que resultou na operação partiu do prefeito de Cuiabá Abilio Brunini (PL) quando ele ainda era deputado federal.

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Agora, a polícia busca desvendar a lista de beneficiários da propina.

Além dos vereadores, também foram alvos da Operação Perfídia o dono e dois funcionários da construtora. Eles foram identificados como José Márcio da Silva Cunha, Glaudecir Duarte Preza e Jean Martins e Silva Nunes.

Conforme decisão da juíza Ederli Coutinho, do Núcleo de Inquéritos Policiais (Nipo), os alvos das investigações foram submetidos a medidas cautelares como busca e apreensão, recolhimento de passaportes, sequestro de bens, incluindo veículos e imóveis, e bloqueio de até R$250 mil nas contas bancárias.

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Chico 2000 e Sargento Joelson foram afastados dos cargos e estão proibidos de acessar a Câmara Municipal e a empresa HB 20 Construções. Eles também não podem manter contato com funcionários da empresa e testemunhas do caso.

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Ederli Coutinho determinou ainda a busca e apreensão de dados nos sistemas de controle de acesso da Câmara e imagens de câmeras de monitoramento, que deverão desvendar a presença de alvos da operação, ligados à construtora, na Casa Legislativa, onde aconteceram as negociações ilícitas e entrega de parte da propina.

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