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19 de Setembro de 2023, 07h:44 - A | A

POLÍCIA / NEGLIGÊNCIA E IMPERÍCIA

Médicos são indiciados por homicídio de menina de 3 anos que morreu durante atendimento em UPA

Investigação da Polícia Civil constatou que houve negligência por parte do médico que fez o primeiro atendimento e imperícia do terceiro profissional.

Reprodução

Menina morreu durante atendimento em UPA de Sinop

Menina morreu durante atendimento em UPA de Sinop

JOÃO AGUIAR
DO REPÓRTER MT



Dois médicos foram indiciados por homicídio culposo pela morte da pequena Manoella Tecchio, de apenas 3 anos de idade. A menina morreu no dia 09 de março, após ser internada em uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Sinop (500 km de Cuiabá).

O inquérito policial foi concluído nesta semana e foi enviado ao Poder Judiciário. De acordo com o delegado Ugo Reck Mendonça, responsável pelas investigações, ficou constatado que houve negligência por parte do médico que fez o primeiro atendimento e imperícia do terceiro profissional.

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A partir dessas constatações, dois dos três médicos que atenderam a criança foram indiciados pelo crime de homicídio culposo, quando não há intenção de matar.

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O delegado destacou ainda que a exumação do corpo da pequena Manoella foi um procedimento sensível, porém fundamental para as investigações, já que ofereceu elementos para o indiciamento dos médicos.

“Antes tínhamos indícios do primeiro atendimento. Com a exumação identificamos uma imperícia por parte do terceiro médico que atendeu a vítima e que levou à morte da menina”, afirmou.

Ainda conforme a Polícia Civil, a certidão de óbito constou que a menina morreu em decorrência de choque séptico e agravamento da pneumonia. No entanto, após a exumação, a perícia identificou que a morte ocorreu por conta de choque hipovolêmico (perda de sangue) causado por pneumotórax hipertensivo.

O documento foi enviado ao Poder Judiciário.

O caso

Manoella Tecchio, de 3 anos, morreu em uma Unidade de Pronto Atendimento de Sinop, após dar entrada com tosse seca. A Prefeitura Municipal determinou abertura de uma sindicância para apurar o caso e afastou a médica responsável pelo atendimento.

Segundo o pai da criança, ela estava com sintomas de gripe e apresentou tosse seca. Eles a levaram até a UPA e a médica pediu exame de sangue e urina, que não teria constatado nada. A profissional, então, teria medicado um remédio para tosse alérgica e mandou a criança para casa.

Porém, a menina não melhorou e, no outro dia, voltaram a levá-la até a UPA. Manoella foi examinada novamente e uma radiografia constatou que o pulmão estava bastante comprometido. Foi solicitada a transferência para uma UTI Neonatal em cidades vizinhas, mas nenhum leito estava disponível.

Os profissionais da UPA tentaram realizar um procedimento para salvar a criança ali mesmo, mas a menina não resistiu.

“A gente não sabe o que aconteceu e como foi feito, pois a gente não teve acesso e a gente não sabe se foi feito algum tipo de drenagem ou não. Simplesmente Manoella teve quatro paradas cardíacas e na quinta ela não resistiu e acabou falecendo”, disse o pai da criança à época.

Ainda em março, a Prefeitura de Sinop já tinha afastado a médica responsável pelo atendimento de Manoella e determinou abertura de sindicância para apurar o atendimento e os protocolos adotados que envolveram a morte.

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