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10 de Dezembro de 2014, 15h:12 - A | A

POLÍCIA / LARANJA PODRE

Dois PM’s e um investigador da Civil são indiciados por roubo de hotel em Várzea Grande

Eles foram flagrados por policiais da Rotam em um caminhão baú lotado aparelhos televisores e frigobares entre outros, roubados de um hotel preste a ser inaugurado da cidade.

DA REDAÇÃO



A Polícia Civil finalizou as investigações da prisão de dois policiais militares, um investigador de polícia e outros dois homens, ocorrido no dia 23 de outubro desde ano, em Várzea Grande, quando foram flagrados com produtos roubados. No inquérito policial foram indiciadas oito pessoas, três policiais e mais cinco pessoas ligadas ao roubo de um hotel, em Várzea Grande.

Na ocasião, uma guarnição da Ronda Ostensiva Tática Metropolitana (Rotam) prendeu em flagrante o investigador de polícia, Denival Jorge de Souza, o cabo da PM Noedil de Arruda e o soldado Renato Ferreira de Queiroz, e mais dois homens, tratando-se de Leandro Reis de Oliveira e Joeder Figueiredo da Silva.

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Todos estavam em um caminhão-baú lotado de produtos (50 aparelhos de televisão de LED, diversos frigobares, entre outros) roubados no dia 22 de outubro de um hotel a ser inaugurado em Várzea Grande. Todos eles se encontram presos até o momento.

O investigador de polícia escoltava em uma viatura o caminhão que levara os produtos roubados. No  interior da viatura, foi encontrado uma caixa com uma porção de substância entorpecente e diversas munições de calibre restrito. Os conduzidos foram presos por suspeita de receptação, posse ilegal de munição de uso restrito, tráfico de drogas e formação de quadrilha.

Pelo roubo ao hotel foram identificados os suspeitos: Maicon Jones Ramos, morador da residência onde os produtos foram escondidos; Maria Pereira de Souza, assaltante com várias passagens e condenação da Justiça, e seu companheiro, Allan Junior da Silva de Oliveira.

Também está envolvido no assalto Joeder Figueiredo da Silva, o motorista do caminhão. Todos eles tiveram mandados de prisão preventiva decretados e cumpridos pela Polícia Civil. A última ordem de prisão foi cumprida no dia 5 de dezembro contra Maicon Jones Ramos.

De acordo com corregedor auxiliar, Mário Dermeval Resende, que inicialmente acompanhou os trabalhos, havia suspeita de que os policiais estariam “desviando” a carga com os produtos roubados, embora argumentassem o contrário. “No ato da prisão os policiais alegaram que estavam levando os produtos para a Delegacia, ou seja, que estavam agindo de forma regular”, disse.

Depois de várias diligências e quebra de todos os álibis apresentados pelos indiciados, a Corregedoria concluiu que realmente a carga era desviada, em razão das várias contradições apresentadas entre os indiciados, dados de quebra de sigilo telefônico e principalmente dados obtidos através do sistema de rastreamento da viatura utilizada pelo policial civil.

"O trajeto percorrido pelo caminhão e viatura policial, especialmente o local onde foram abordados, a Estrada da Guarita, torna impossível a afirmação de que levariam os produtos para qualquer Delegacia, seja em Várzea Grande ou Cuiabá”,  esclareceu o corregedor auxiliar, Luiz Henrique de Oliveira

Os produtos foram carregados em uma residência no bairro Jardim Maringá II, região do Parque do Lago, em Várzea Grande.

Considerando a conexão existente com o assalto ocorrido no hotel, a Corregedoria avocou também a investigação do roubo, até mesmo para esclarecer se algum dos policiais presos haviam participado do crime.

Segundo os Corregedores, os policiais obtiveram a informação após o roubo, descobrindo a residência onde os objetos estavam escondidos. O motorista do caminhão (Joeder) passou as informações sobre a residência aos policiais, por  alguma razão não esclarecida, houve desentendimento entre os membros da quadrilha.  

O caminhão era o mesmo utilizado no roubo. Segundo a corregedoria, os policiais tentaram locar outro frete naquela noite, mas não conseguiram, e então exigiram que o motorista fosse até a casa com o seu próprio caminhão.

Conforme a Corregedoria, o policial civil foi acionado pelos demais em razão de estar com a viatura policial, a fim de proceder à escolta do caminhão. Caso fossem abordados, justificaria que estava realizando uma prisão.

A respeito da droga (30 gramas de cocaína) e munições (122) apreendidas no interior da viatura, há prova nos autos que o material estava no interior da residência e foi colocado na viatura. Uma vez transportado sem uma finalidade lícita, devem os responsáveis responder pelos crimes de tráfico de drogas e posse ilegal de munições.

O corregedor geral, Luiz Fernando da Costa, afirmou que após a conclusão do inquérito policial, já nos próximos dias, irá instaurar processo administrativo disciplinar para apuração da conduta do investigador de polícia no âmbito administrativo, e encaminhará cópia dos autos à Corregedoria da PM com a mesma finalidade. 

O corregedor geral destacou a participação nas investigações do Serviço de Inteligência da Polícia Militar, que colaborou com os trabalhos.

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