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Cuiabá, 02 de Junho de 2026
02 de Junho de 2026

02 de Junho de 2026, 18h:00 - A | A

POLÍCIA / FORJOU SUICÍDIO

DHPP descarta omissão e aponta ação direta de plantonista em morte de interno em clínica de Cuiabá

Delegado descarta hipótese de omissão e afirma que caso é tratado como homicídio doloso

THIAGO NOVAES
DO REPÓRTERMT



A Polícia Civil aponta ação direta de Odiley Rodrigues de Souza, de 42 anos, na morte do interno Alessandro Sidinei Braga, de 38 anos, encontrado dentro de uma clínica de reabilitação em Cuiabá. O caso é investigado pela Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), que já trabalha com uma linha principal de apuração baseada em agressões durante procedimento de contenção. A principal linha da investigação, segundo o delegado Michael Paes, afasta a hipótese de omissão e aponta para ação direta na morte do paciente dentro da unidade terapêutica.

“A principal linha de investigação até agora é que não é uma situação de omissão. Ele agrediu, foi apurado que houve agressão, mata-leão, e amarrou ele com as mãos para trás", disse em entrevista ao RepórterMT.

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Segundo o delegado Michael Paes, da DHPP, a investigação ainda aguarda o laudo pericial para fechar completamente a dinâmica da morte, inclusive para esclarecer se o óbito ocorreu durante as agressões ou posteriormente. Ele também afirmou que ainda existe a possibilidade, embora cada vez mais remota, de envolvimento de um terceiro interno que pudesse ter aproveitado a situação de vulnerabilidade da vítima.

No entanto, o delegado reforça que, independentemente dessa hipótese, a responsabilidade do principal investigado não é afastada.

“Ainda que um terceiro, que a gente não conseguiu ainda nada que confirme isso, tivesse aproveitado que a vítima estava amarrada e aproveitado pra fazer isso aí, ele mesmo assim é autor do homicídio junto com esse terceiro. Primeiro que ele é o garantidor, então tem um crime por omissão. Segundo que foi em razão dessa fragilidade, dessa autoria dele deixar a pessoa amarrada, que foi agredida, já fragilizada que teria facilitado. Então ele seria participe”, explicou.

Paes destacou ainda que a linha principal da investigação aponta para dolo, e não para omissão, mesmo diante da necessidade de conclusão dos laudos.

Leia mais - Preso por morte de paciente em clínica nega assassinato e diz que inventou versão de suicídio por medo

Alessandro foi encontrado morto na manhã de domingo (31), dentro de um dos quartos da clínica, após ter passado por um episódio de surto psicótico no dia anterior. Segundo a investigação, ele precisou ser contido após comportamento considerado agressivo e acabou sendo amarrado durante o procedimento.

Ainda conforme o apurado, o paciente chegou a ser desamarrado após apresentar melhora momentânea, mas voltou a ser imobilizado durante a madrugada, antes de ser encontrado sem vida horas depois.

A versão inicial de suicídio foi descartada ainda no local após a análise da perícia criminal, que identificou inconsistências entre a cena e as informações repassadas pelos responsáveis da unidade.

Segundo o delegado, assim que viu a cena, o perito apontou que não havia elementos compatíveis com morte autoinfligida, reforçando a hipótese de que o óbito ocorreu durante ou após o processo de contenção.

“O perito é muito especialista, tem uma expertise muito grande. Ele me acompanhou e na hora ele falou ‘doutor aqui não tem nenhum elemento de crime de suicídio por enforcamento’. O corpo da vítima já dá sinais, não é assim que fica, não é isso assim que acontece. Tem os sinais característicos. E aí também o local, o nó. O perito falou ‘doutor, pode investigar a fundo aí que não foi provavelmente do jeito que relataram aqui pra nós’. A perícia auxiliou a descartar o suicídio por enforcamento”, disse.

O responsável pela unidade, Odiley Rodrigues de Souza, de 42 anos, foi preso durante a investigação e é apontado como principal suspeito do caso.

A Polícia Civil também apura a possibilidade de envolvimento de terceiros dentro da clínica. No entanto, segundo o delegado, essa hipótese vem sendo progressivamente afastada com o avanço das oitivas e da análise técnica.

A clínica possui apenas câmeras de segurança em áreas administrativas, sem registro do interior do quarto onde a morte ocorreu, o que dificulta a reconstituição completa da dinâmica dos fatos.

O laudo do Instituto Médico Legal (IML) ainda não foi concluído e é aguardado para confirmar oficialmente a causa da morte e complementar as demais provas da investigação.

A DHPP segue com a oitiva de testemunhas e análise de elementos periciais para fechar a dinâmica completa do caso.

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