A Gazeta
Depois de quase cinco horas de depoimentos, o delegado da Polícia Civil, Márcio Pieroni afirmou não ter dúvidas de que o soldado da Polícia Militar (PM) Claudenir de Souza Sales, que pertence a uma força especial da PM, a Ronda Ostensiva Tático Móvel (Rotam), matou a jovem Ana Cristina Wommer de 24 anos. Ela seria amante do policial e estava grávida de oito meses. A mulher expeliu o bebê durante o crime e pode ter tomado substâncias abortivas, além de ter sido morta por asfixia.
O policial de 30 anos estava há seis anos na PM e, segundo o comandante geral da Polícia Militar de Mato Grosso, coronel Osmar Lino Farias, Claudenir era um bom policial e não havia cometido até hoje nenhum ato de indisciplina. O PM suspeito do crime prestou depoimento durante toda a tarde desta terça-feira (24) na Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de Cuiabá e negou que tenha matado Ana Cristina. Mas de acordo com o delegado as contradições no depoimento e algumas perguntas não esclarecidas pelo suspeito, fortalecem os indícios de que o policial cometeu o crime. A polícia suspeita ainda da participação de uma segunda pessoa no caso. Essa hipótese está sendo investigada.
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Carro do PM desapareceu
Ana Cristina desapareceu no domingo (22) de manhã. Em depoimento o policial confirma que se encontrou com ela na manhã de domingo e deu R$ 50 para Ana Cristina comprar medicamentos. A partir desse momento ele disse não ter mais visto a amante. Mas Claudenir não tem álibi. Ele ficou um bom tempo fora de casa no domingo e não consegue explicar aonde estava e nem com quem esteve. O próprio depoimento da esposa dele esclarece que durante várias horas no domingo ele não estava com a família.
Outra suspeita que reforça a acusação do delegado é que o carro que pertencia ao PM no dia do crime, desapareceu. A polícia está à procura desse veículo para periciá-lo. O automóvel, um Gol ano 2008, teria sido vendido ontem por R$ 4 mil. No mesmo dia o policial comprou outro carro, um Corsa prata que agora está apreendido pela Polícia Militar. O Gol preto pode ter sido utilizado para transportar o corpo de Ana Cristina até o local onde foi encontrado.
Corpo abandonado em matagal
O delegado da Polícia Civil, Márcio Pieroni não acredita que a jovem foi morta próximo da BR-364, onde o corpo foi localizado. Para a polícia, ela foi assassinada em outro local. Pode ter sido dentro do carro que ainda não foi localizado, ou em alguma residência. O corpo foi abandonado em um matagal próximo a uma estradinha de terra que dá acesso à BR-364, na saída de Cuiabá para Rondonópolis. Funcionários de uma operadora de telefonia encontraram o corpo nesta terça-feira enquanto trabalhavam. Eles limpavam o matagal próximo da rede de telefonia e notaram um cheiro forte no local. Ao verificar, encontraram o corpo da mulher e chamaram a polícia.
Somente depois da chegada da perícia ao local é que foi descoberto o corpo do bebê. Debaixo do short da mãe havia um grande volume. Ao retirar o corpo os peritos notaram que se tratava de um bebê. As fotos foram mostradas para o soldado da PM suspeito do crime durante o depoimento. Ele não teve reação. Segundo o delegado, as imagens fortes mexeram com Claudenir. "Ele deve ter sentido, no fundo, a besteira que fez", contou o delegado.
Como o laudo do Instituto Médico Legal ainda não está pronto, a polícia não tem como afirmar que Ana Cristina ingeriu algum medicamento abortivo, mas esta hipótese não está descartada. Só o laudo também vai esclarecer se a mãe já estava morta ou não no momento em que o bebê foi expelido.
A criança já estava totalmente formada, pronta para nascer. Era uma menina e o nome se chamaria Maria Eduarda. O enxoval já tinha sido preparado e a família aguardava o nascimento da menina, que não teve a chance de vir ao mundo.
PM diz ter sido pressionado para assumir filho, mas nega o crime
Claudenir disse ao delegado que tinha um relacionamento com Ana Cristina há cerca de um ano. Contou que depois que ela engravidou, começaram a surgir os problemas. O policial teria escondido tudo da família e a pressão de Cristina para que ele assumisse o filho aumentou. O PM disse não ter certeza de que o filho era dele e estava preocupado com a possibilidade da esposa dele saber do caso, mas negou que tenha matado Ana Cristina.
Em depoimento, a esposa de Claudenir também confirma que não sabia do caso extraconjugal do marido policial. Ela afirma que a notícia que surgiu nesta terça-feira com a repercussão da morte da jovem deixou a família transtornada.
Prisão
O PM já está preso administrativamente na sede da Rotam, uma determinação do comandante geral da Polícia Militar de Mato Grosso, coronel Osmar Lino de Farias. Segundo o comandante, o caso ganhou repercussão por ter um agente público envolvido. Se fosse alguém que atuasse na iniciativa privada - avalia o coronel - não teria tanta repercussão assim. Mas quando sair a prisão preventiva, o PM deve ser encaminhado para o presídio militar de Santo Antônio de Leverger. O próprio comando da PM vê fortes indícios de que Claudenir Souza Sales seja mesmo o responsável pela morte da jovem amante.
O comando da PM também deve instaurar um procedimento contra o policial militar, que pode ser expulso se for confirmado que ele cometeu o crime.
O delegado da Polícia Civil confirmou que deve pedir a prisão preventiva do policial da Rotam nas próximas horas.














