Cuiabá, 10 de Setembro de 2026
XX°C
RepórterMT - Notícias de Mato Grosso e Cuiabá Hoje
10 de Setembro de 2026

26 de Fevereiro de 2023, 16h:14 - A | A

POLÍCIA / ALERTA TOTAL

Delegada: Feminicídio acontece nos primeiros 5 meses após fim da relação; mulheres devem estar atentas

Delegada Jannira Laranjeira ainda alertou que em grande parte dos feminicídios ocorridos em MT, vítima não tinha medida protetiva contra agressor.

RepórterMT

Conforme delegada Jannira Laranjeira, em grande parte dos feminicídios ocorridos em MT, vítima não tinha medida protetiva contra agressor.

Conforme delegada Jannira Laranjeira, em grande parte dos feminicídios ocorridos em MT, vítima não tinha medida protetiva contra agressor.

JOÃO AGUIAR
DO REPÓRTER MT



O número de feminicídios em Mato Grosso tem chocado a população nos dois primeiros meses deste ano. Até o momento, já foram cinco casos de grande repercussão no estado. O mais notável deles foi cometido por Carlinhos Bezerra, filho do ex-deputado federal Carlos Bezerra, contra a ex-convivente, Thays Machado, e o namorado dela, Willian Cesar Moreno, no dia 18 de janeiro, em Cuiabá.

Ao RepórterMT, a delegada Jannira Laranjeira, da Delegacia Especializada de Defesa da Mulher (DEDM) de Cuiabá, afirmou que estudos mostram que o feminicídio acontece entre o 1º e o 5º mês após o término do relacionamento.

>>> Receba as principais notícias de Mato Grosso em primeira mão. Clique aqui!

“A mulher deve ficar alerta. O que a gente tem visto é esse comportamento se repetindo: o homem não aceita o término do relacionamento, ele tem esse sentimento de posse para com a mulher e muitas vezes acaba ocorrendo a fatalidade”, explica.

Leia mais

Morre no hospital jovem baleada na cabeça pelo marido; homem se matou após crime

Acusado de matar bancária com tiro na cabeça em MT é pai da filha dela

Juíza decreta prisão preventiva para Bezerra e cita outros casos de ameaças contra mulheres

Além disso, a delegada também alerta que estudos mostram que a maioria dos feminicídios ocorridos em Mato Grosso, as vítimas não registravam boletins de ocorrência por conta de agressões anteriores e também não tinham medidas protetivas contra o agressor.

“Mas isso não quer dizer que ela não sofria violência doméstica anteriormente. Ela simplesmente não denunciava, ela permanecia naquele relacionamento, ou terminava e voltava.”

Jannira criticou também a cultura da própria família em não incentivar as denúncias. “Muitas vezes é a própria mãe que fala: ‘Mas se você sair, se largar dele, como que vai criar seu filhos?’. E ela acaba ficando naquele relacionamento, repetindo muitas vezes repetindo o comportamento que a mãe dela fez”, lamenta.

Para a delegada, o que precisa é de uma mudança no comportamento das pessoas, e isso vem através da educação. Ela revela que palestras estão sendo planejadas para ocorrer nas escolas, em centros de assistência social de todo o estado, ainda em março, para conscientizar sobre a violência doméstica e evitar feminicídios.

“A gente precisa mudar consciência, mudar comportamento, cultura de uma sociedade. Então é preciso começar desde a sala de aula”, conclui.

Casos de feminicídio

Como citado no início da reportagem, o feminicídio de Thays Machado, ocorrido em janeiro deste ano, foi o mais notável, mas não foi o único.

Além dele, em Mato Grosso também tivemos o feminicídio da bancária Leidiane Souza Lima, 34 anos, no dia 27 de janeiro, em Rondonópolis (212 km de Cuiabá). O acusado do crime é o empresário Antenor Alberto de Matos Salomão, 51 anos. Ele é pai da filha da vítima.

Outro que teve bastante repercussão no estado foi o crime que vitimou a jovem Ludmilla Andrade, de 24 anos. O feminicídio foi realizado pelo seu marido, Mateus Alexandre Ranzulla, 28 anos. Após matar balear a jovem, ele se matou com um tiro na cabeça.

Ludmilla chegou a ser socorrida com vida e encaminhada estado muito grave para o Hospital Regional de Cáceres. Ela ficou internada por 7 dias, mas não resistiu.

Comente esta notícia