JOÃO AGUIAR
DO REPÓRTER MT
O número de feminicídios em Mato Grosso tem chocado a população nos dois primeiros meses deste ano. Até o momento, já foram cinco casos de grande repercussão no estado. O mais notável deles foi cometido por Carlinhos Bezerra, filho do ex-deputado federal Carlos Bezerra, contra a ex-convivente, Thays Machado, e o namorado dela, Willian Cesar Moreno, no dia 18 de janeiro, em Cuiabá.
Ao RepórterMT, a delegada Jannira Laranjeira, da Delegacia Especializada de Defesa da Mulher (DEDM) de Cuiabá, afirmou que estudos mostram que o feminicídio acontece entre o 1º e o 5º mês após o término do relacionamento.
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“A mulher deve ficar alerta. O que a gente tem visto é esse comportamento se repetindo: o homem não aceita o término do relacionamento, ele tem esse sentimento de posse para com a mulher e muitas vezes acaba ocorrendo a fatalidade”, explica.
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Além disso, a delegada também alerta que estudos mostram que a maioria dos feminicídios ocorridos em Mato Grosso, as vítimas não registravam boletins de ocorrência por conta de agressões anteriores e também não tinham medidas protetivas contra o agressor.
“Mas isso não quer dizer que ela não sofria violência doméstica anteriormente. Ela simplesmente não denunciava, ela permanecia naquele relacionamento, ou terminava e voltava.”
Jannira criticou também a cultura da própria família em não incentivar as denúncias. “Muitas vezes é a própria mãe que fala: ‘Mas se você sair, se largar dele, como que vai criar seu filhos?’. E ela acaba ficando naquele relacionamento, repetindo muitas vezes repetindo o comportamento que a mãe dela fez”, lamenta.
Para a delegada, o que precisa é de uma mudança no comportamento das pessoas, e isso vem através da educação. Ela revela que palestras estão sendo planejadas para ocorrer nas escolas, em centros de assistência social de todo o estado, ainda em março, para conscientizar sobre a violência doméstica e evitar feminicídios.
“A gente precisa mudar consciência, mudar comportamento, cultura de uma sociedade. Então é preciso começar desde a sala de aula”, conclui.
Casos de feminicídio
Como citado no início da reportagem, o feminicídio de Thays Machado, ocorrido em janeiro deste ano, foi o mais notável, mas não foi o único.
Além dele, em Mato Grosso também tivemos o feminicídio da bancária Leidiane Souza Lima, 34 anos, no dia 27 de janeiro, em Rondonópolis (212 km de Cuiabá). O acusado do crime é o empresário Antenor Alberto de Matos Salomão, 51 anos. Ele é pai da filha da vítima.
Outro que teve bastante repercussão no estado foi o crime que vitimou a jovem Ludmilla Andrade, de 24 anos. O feminicídio foi realizado pelo seu marido, Mateus Alexandre Ranzulla, 28 anos. Após matar balear a jovem, ele se matou com um tiro na cabeça.
Ludmilla chegou a ser socorrida com vida e encaminhada estado muito grave para o Hospital Regional de Cáceres. Ela ficou internada por 7 dias, mas não resistiu.












