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Cuiabá, 22 de Junho de 2026
22 de Junho de 2026

22 de Junho de 2026, 18h:45 - A | A

POLÍCIA / PRESO EM NOVA MUTUM

Assassino de mulher trans lavou pneus da moto e pagou empresa para limpar celular após o crime

Mensagens em aplicativos revelam que homem insistia em encontros em região escura. Alvo acabou localizado pela polícia nesta segunda-feira

JOÃO FRANCO
DO REPÓRTERMT



A Polícia Civil prendeu um homem de 35 anos investigado pelo assassinato de Betina Barros, de 33 anos, encontrada morta em dezembro de 2025, em Nova Mutum. Segundo as investigações, ele teria atraído a vítima para um encontro sexual em uma área isolada da cidade, onde o crime foi cometido.

A prisão foi realizada nessa segunda-feira (22) por policiais da Delegacia Especializada de Roubos e Furtos (Derf) de Nova Mutum. O homem foi localizado em um canteiro de obras na zona rural do município, onde trabalhava, e não apresentou resistência.

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Também foi cumprido um mandado de busca e apreensão no imóvel onde ele reside.

Betina desapareceu após aceitar um programa sexual marcado por meio de uma plataforma digital na noite de 1º de dezembro de 2025. Dois dias depois, familiares registraram o desaparecimento da vítima e de sua motocicleta, uma Honda Biz branca.

Ainda no mesmo dia, após o início das buscas, o corpo de Betina foi encontrado em uma região próxima a uma instituição de ensino superior do município. Conforme a perícia, a causa da morte foi traumatismo cranioencefálico provocado por disparo de arma de fogo.

A motocicleta da vítima foi localizada em uma estrada vicinal próxima ao local onde o corpo foi encontrado. No veículo estavam documentos, cartões bancários e dinheiro. Apenas o telefone celular havia desaparecido.

Segundo o delegado Jean Paulo Ferreira, responsável pelo caso, os primeiros levantamentos indicaram que o crime não teve motivação patrimonial.

Os primeiros elementos apontaram que a vítima foi atraída para o local isolado sob o pretexto de um encontro profissional previamente ajustado por meio de plataformas digitais. O cenário do crime, meticulosamente examinado, apresentava características que permitiram descartar, de imediato, a hipótese de um latrocínio patrimonial clássico”, afirmou.

Durante a investigação, os policiais identificaram outras duas mulheres que receberam mensagens do mesmo número de telefone utilizado para entrar em contato com Betina na noite do crime.

As testemunhas relataram que o homem insistia para que os encontros ocorressem em um local afastado e considerado inseguro. Por receio, ambas recusaram o programa. O endereço sugerido coincidia com a região onde a vítima foi assassinada.

A partir do número telefônico utilizado nos contatos, os investigadores chegaram ao nome do homem preso. Inicialmente, ele alegou que a linha telefônica já não lhe pertencia. Como o número estava desativado, ele foi liberado após ser ouvido.

Contudo, as investigações prosseguiram e reuniram novos elementos. Em uma tentativa de nova intimação, os policiais encontraram o investigado fugindo pelos fundos da residência. No imóvel, foram apreendidos um aparelho celular e uma caixa vazia de munição, que pode ter ligação com a arma utilizada no crime.

Imagens de câmeras de segurança também reforçaram as suspeitas. Segundo a Polícia Civil, os registros mostram o homem lavando cuidadosamente os pneus de sua motocicleta horas após o assassinato, comportamento interpretado como uma possível tentativa de eliminar vestígios da cena do crime.

Os investigadores ainda descobriram que, dias depois do homicídio, ele procurou uma empresa especializada para solicitar a limpeza completa do conteúdo armazenado em seu celular.

Outro elemento considerado relevante pela polícia foi a identificação do perfil utilizado pelo homem na plataforma digital onde contratou o programa. Conforme a investigação, ele estava cadastrado especificamente na categoria destinada a mulheres trans e utilizou o serviço para contatar Betina e as outras duas possíveis vítimas. Após o crime, ele também teria tentado excluir a conta.

Com base nas provas reunidas, a Polícia Civil solicitou à Justiça a prisão temporária do investigado, além de mandados de busca e apreensão e autorização para coleta de material genético. As medidas foram autorizadas e cumpridas nesta segunda-feira.

A motivação do crime ainda é investigada pela Polícia Civil.

Denuncie

A violência contra a mulher não pode ser ignorada e nem ficar impune. Em Mato Grosso, há canais gratuitos e seguros para denunciar agressões, ameaças ou risco de feminicídio. As denúncias podem ser anônimas e o boletim de ocorrência pode ser feito online, por meio da Delegacia Digital: https://delegaciadigital.pjc.mt.gov.br/.

Em caso de emergência ou flagrante, procure ajuda imediata pelos telefones 190 (Polícia Militar), 197 (Polícia Civil), 181 (Disque Denúncia) ou 180 (Central de Atendimento à Mulher). Em Cuiabá, também é possível acionar a Patrulha Maria da Penha pelo número (65) 98170-0199.

O atendimento presencial está disponível na Delegacia Especializada de Defesa da Mulher de Cuiabá e na Delegacia da Mulher de Várzea Grande. A pena para crimes contra a mulher pode chegar a 40 anos de prisão, conforme estabelecido pela Lei Federal nº 14.994/2024, conhecida como Pacote Antifeminicídio.

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