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Cuiabá, 24 de Junho de 2026
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06 de Julho de 2017, 11h:00 - A | A

PODERES / ESCUTAS CLANDESTINAS

Siqueira confirma que indicou PM para atuar em ação com Zaqueu

A indicada, em 2014, foi a a então cabo da PM Andrea Pereira de Moura, que confessou ter atuado em escutas telefônicas a mando do ex-comandante da PM.

MARCIA MATOS
DA REDAÇÃO



O secretário de Estado de Justiça e Direitos Humanos (Sejudh), coronel Siqueira Júnior afirmou, na quarta-feira (5), em seu depoimento no Inquérito Policial Militar – IPM, que apura as escutas telefônicas clandestinas, monitoradas pela corporação, que o coronel Zaqueu Barbosa, apontado como mandante do sistema, teria iniciado a seleção de militares, que afirmam ter atuado na ação, ainda antes de ser comandante-geral.

Siqueira confirmou que, no segundo semestre de 2014, quando era coordenador do Centro de Integração de Operações Aéreas (Ciopaer), o coronel Zaqueu, então subchefe do Estado Maior, o procurou e pediu que indicasse um policial militar para a realização de um trabalho, semelhante ao realizado por eles, entre os anos de 2006 e 2007, quando o secretário comandava o Grupo Especial de Fronteira (Gefron) e Zaqueu o Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco), no qual 10 policiais foram presos, após ações de inteligência, que incluíam vigilância, monitoramento e interceptação.

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A policial indicada por Siqueira para o trabalho, foi a então cabo da PM, Andrea Pereira de Moura Cardoso. O secretário argumenta que não tinha conhecimento sobre a ação e que não teve mais contato com a militar indicada desde que ela começou a atividade.

De acordo com denúncia do promotor de Justiça, Mauro Zaque, ex-secretário de Segurança Pública, as interceptações telefônicas, monitoradas pela Polícia Militar, sob o comando do coronel Zaqueu, seriam ilegais porque o pedido judicial que apontava uma suposta rede de tráfico internacional com o envolvimento de policiais, incluía entre os supostos criminosos, números de linhas telefônicas de políticos, advogados, jornalistas e agentes públicos.

O coronel Zaqueu Barbosa responde ao Inquérito Militar, preso desde o dia 23 de maio.

Indicada confessou

A versão de Siqueira é semelhante à prestada em depoimento pela 3º sargento da PM, Andrea Pereira de Moura Cardoso, no mês de maio.

Ela também revelou que o local onde eram feitas as escutas clandestinas, monitoradas pela PM entre os anos de 2014 e 2015, está localizado na região central de Cuiabá, mais precisamente em uma sala do 6º andar do Edifício Master Center, na Rua Desembargador Ferreira Mendes, nº 234, nas proximidades do Museu do Morro da Caixa D’Água Velha.

Ela disse que não se lembra quando começou a ouvir as interceptações, porém relatou ter encerrado as atividades na sala em julho de 2015. Em seguida, passou a fazer as escutas em sua própria casa, através de uma relação de pastas salvas no sistema de seu computador.

"Eu tinha por obrigação ouvir todos os áudios e anotar as partes importantes, com as respectivas datas e horários. Os áudios eram identificados, durante a conversa, na maioria das vezes, de policiais militares", contou a policial.

As pastas, segundo ela, continham os áudios salvos e selecionados para que ela pudesse ouvir, o que ocorria a cada quinze dias, sendo interrompido e restabelecido. Essa atividade permaneceu até meados de setembro de 2015. Ela ficou aguardando em casa até novembro, quando recebeu uma ligação para ir à Casa Militar, onde foi comunicada que seu serviço estava encerrado e passou a atuar em funções administrativas.

A oficial afirmou nunca ter escutado a deputada Janaína Riva (PMDB), desembargadores, juízes, médicos ou jornalistas. Apenas uma “traficante de nome Tati” (supostamente a ex-funcionária da Casa Civil, Tatiana Sangalli) e presidiários, que não soube dizer de qual cidade.

Para a Corregedoria da PM, Andrea disse se sentir na obrigação de prestar os esclarecimentos, uma vez ter cumprido ordens superiores, não havendo nada de ilegal em suas ações. Ela pontuou que não imaginava que as interceptações fossem ilícitas.

Exonerada

Andrea Pereira de Moura Cardoso foi exonerada do cargo que ocupava na Casa Militar. O ato de exoneração foi publicado no Diário Oficial desta terça-feira (13), com data retroativa a 30 de maio.

 

Ela exercia o cargo de agente de proteção de dignitários, com DGA-10.

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