RAFAEL MACHADO
DA REDAÇÃO
Assim que deixou o Centro de Custódia de Cuiabá (Carumbé), onde estava preso desde o dia 09 de maio, quando foi deflagrada a Operação Bereré, o ex-secretário da Casa Civil do Estado, Paulo Taques disse que o delator, que o acusou de envolvimento em esquema de desvio de cerca de R$ 30 milhões, mentiu e que o MPE não tem provas contra ele.
“O Ministério Público ofereceu uma denúncia de 400 páginas acompanhada de um processo de cinco mil páginas e se nós fomos buscar nessas quase 6 mil páginas uma linha de prova contra mim ou contra meu irmão [Pedro Jorge Zamar Taques] e não tem nenhuma. Eu li o processo”, declarou.
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Paulo Taques que é advogado garante que irá buscar recurso em instância superior para ficar livre de responder ao processo que o acusa de organização criminosa e lavagem de dinheiro.
“O Ministério Público ofereceu uma denúncia de 400 páginas acompanhada de um processo de cinco mil páginas e se nós fomos buscar nessas quase 6 mil páginas uma linha de prova contra mim ou contra meu irmão [Pedro Jorge Zamar Taques] e não tem nenhuma. Eu li o processo”, declarou.
“Temos aí a fala de um falso delator e tenho a certeza que o Ministério Público tem a obrigação, de com o mesmo rigor que nos tratou, buscar a rescisão dessa delação, porque o delator mentiu”, disse Taques sobre as acusações feitas pelo empresário José Henrique Gonçalves, um dos donos da EIG Mercados, empresa que por meio de contrato com o Departamento de Trânsito do Estado teria promovido o desvio de cerca de R$ 30 milhões dos cofres públicos.
O ex-secretário diz estar seguro de que o recurso será acatado em instância superior por falta de provas, devido a decisões recentes similares ao caso dele.
“Temos aí a fala de um falso delator e tenho a certeza que o Ministério Público tem a obrigação, de com o mesmo rigor que nos tratou, buscar a rescisão dessa delação, porque o delator mentiu”.
Bereré
Também deixaram a cadeia nesta sexta-feira o deputado Mauro Savi, que é pontado como líder do esquema, Pedro Jorge Zamar Taques, que é irmão de Paulo Taques e os empresários Claudemir Pereira dos Santos e Roque Anildo Reinheimer. Todos são alvos da Operação Bereré e foram presos no dia 09 de maio.
Os réus terão suas atividades monitoradas por seis meses, sem tornozeleira eletrônica. A condição foi imposta pelo desembargador José Zuquim Nogueira, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, para conceder liberdade aos cinco, que são réus da Operação Bereré.
O desembargador determinou que os réus devem comparecer uma vez por mês em juízo para informar suas atividades, endereço atual e número de telefone. A medida pode ser renovada por outro período por decisão do próprio desembargador. Os réus ainda ficaram proibidos de sair de casa à noite e nos dias de folga, não podem deixar o país e devem comparecer a todos os atos processuais quando intimados.
Além deles, o empresário José Valter Kobori havia conseguido liberdade anteriormente por decisão do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF). Ele não é monitorado por tornozeleira eletrônica, mas ficou proibido de ter contato com outros investigados.
Na quinta-feira (23), o pleno do Tribunal de Justiça aceitou a denúncia do Ministério Público Estadual (MPE) contra os seis investigados na Bereré.
O esquema
A denúncia do MPE aponta que Mauro Savi chefiou o esquema entre 2009 e 2014, sendo que o ex-secretário Paulo Taques teria assumido a função de 2014 a 2018. A EIG Mercados foi contratada para o registro dos financiamentos de veículos de todo o Estado junto ao Detran. Até 2014, Os valores pagos à empresa teriam sido, em parte, repassados à Santos Treinamentos, que o MPE e o desembargador José Zuquim afirmam que a empresa seria de fachada.
A partir mudança de gestão no Governo do Estado, os recursos teriam sido pagos ao empresário José Kobori a título de “bônus” nos salários recebidos por ele como diretor da EIG Mercados. Ao menos R$ 2,6 milhões teriam sido desviados neste período.
Veja o vídeo:














