MIKHAIL FAVALESSA
DA REDAÇÃO
Com ânimos exaltados, os deputados estaduais Wilson Santos (PSDB), vice-líder do Governo, e Janaina Riva (MDB) e Zeca Viana, ambos da oposição, se enfrentaram na tribuna da Assembleia Legislatova, nesta terça-feira (03), em razão da Operação Catarata, realizada pelo Ministério Público Estadual (MPE) na segunda-feira.
“Toda vez que um programa beneficia os mais pobres, tem adversários. A elite não aceita que os mais pobres sejam beneficiados. A elite quer se enriquecer cada vez mais usando o Estado para o seu enriquecimento pessoal, familiar e patrimonial”, disse Wilson Santos.
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“Eu já vi esse filme contra Dante de Oliveira [ex-governador, falecido]. Criaram uma tal caixa preta, que acabou iniciando um processo de morte psicológica e biológica do Dante. Depois de vários anos, a Assembleia Legislativa, o Tribunal de Contas chegaram à conclusão de que nunca houve caixa preta e que Dante nunca roubou o Estado de Mato Grosso. Mas Dante já estava enterrado e sepultado. Então, eu não quero que venhamos a cometer o mesmo erro. Esse programa é um programa importante. Tanto é que todos os outros quatro candidatos ao Governo já deixaram claro que, eleitos, manterão a Caravana da Transformação”, declarou.
“Toda vez que um programa beneficia os mais pobres, tem adversários. A elite não aceita que os mais pobres sejam beneficiados. A elite quer se enriquecer cada vez mais usando o Estado para o seu enriquecimento pessoal, familiar e patrimonial”, disse Wilson Santos.
A deputada Janaina Riva intercedeu para afirmar que o governador Pedro Taques teria perseguido Dante de Oliveira enquanto atuava no Ministério Público Federal (MPF).
O deputado defendeu que os procedimentos da Caravana são pagos utilizando a tabela SUS e que, por isso, os valores estariam corretos. “No governo Silval ninguém fez esses procedimentos para tirar a população da escuridão. Esse programa era para estar recebendo aplauso”, disse Wilson.
De 2016 a 2018 foram pagos cerca de R$ 54 milhões à 20/20 serviços médicos, responsável pelas cirurgias de catarata realizadas durante a Caravana da Transformação. O MPE investiga a possibilidade de que valores tenham sido pagos por cirurgias que não foram realizadas. A investigação apura fraude no registro dos procedimentos.
O tucano lembrou a presença de diversos deputados em edições da Caravana no interior do Estado. “Vários estavam ali ao lado do governador, batendo foto, dando entrevista, parabenizando. A Caravana vai continuar, o Governo vai recorrer de todas as decisões. É uma decisão da juíza Célia Regina Vidotti, nós já tínhamos terminado por esse ano, mas nosso Governo terá um segundo mandato, então nós temos interesse em dar continuidade”, provocou o tucano.
Oposição ‘já tinha avisado’
A deputada Janaina Riva e o deputado Zeca Viana afirmaram que avisaram sobre os possíveis problemas com a Caravana em outras ocasiões.
“Veja só, o Governo chegar ao absurdo de realizar cirurgias fantasma. Essa eu só tinha ouvido falar em outros estados, mas em Mato Grosso acredito que seja mais uma inovação desse Governo incompetente e corrupto da gestão Pedro Taques. Você imagine o Estado realizando cirurgias em quem não precisava fazer cirurgia de catarata, colocando pessoas que deveriam realizar o procedimento e não realizaram, pagando por isso, e isso com certeza voltando para alguém”, atacou Janaina.
"Você imagine o Estado realizando cirurgias em quem não precisava fazer cirurgia de catarata, colocando pessoas que deveriam realizar o procedimento e não realizaram, pagando por isso, e isso com certeza voltando para alguém”, atacou Janaina.
A deputada criticou a falta de Home Care e medicamentos e insumos em diversas unidades de Saúde do Estado enquanto são gastos valores com a Caravana.
“Pena a Justiça ser tão morosa. O Ministério Público foi moroso. E depois de dois anos só que essas operações foram realizadas e a investigação está acontecendo. Porque, se tivessem impedido isso há dois anos, de acontecer dessa forma, se tivessem realizado esses procedimentos com pessoas corretas, usando bem o recurso público, que já é escasso, com certeza teria sido bem vindo. Agora, da forma que foi feito, eu não tenho dúvida nenhuma de que isso ainda vai dar muito problema daqui pra frente”, criticou.
Janaina leu, no plenário, um trecho do relatório do Conselho Estadual de Saúde, que deu origem à operação do MPE. O relatório diz que o serviço de atestado de que as cirurgias de catarata teriam sido, de fato, realizadas era registrado pela própria empresa contratada pelo Governo. Os dados não teriam sido inseridos no DataSus, que monitora os procedimentos médicos.
O deputado Zeca Viana foi no mesmo sentido e destacou uma suposta inconsistência nos dados apresentados pelo Governo.
“Eu vi o governador Pedro Taques dizendo em uma inserção aí que foram quase 100 mil cirurgias. Agora, o líder falou em quase 70 mil. Há pouco tempo era 60 mil. Não existe o número correto, o que existe, sim, é um gasto exorbitante do governador. Por isso é que o Ministério Público entendeu que, realmente, é eleitoreiro”, afirmou.
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