facebook-icon-color.png instagram-icon-color.png youtube-icon-color.png tiktok-icon-color.png
Cuiabá, 19 de Junho de 2026
19 de Junho de 2026

29 de Agosto de 2018, 10h:40 - A | A

PODERES / “INTERESSE PÚBLICO”

OAB pede quebra do sigilo de delações envolvendo o governador

Entidade entrou com pedido junto ao ministro Marco Aurélio de Mello, no Supremo Tribunal Federal.

MIKHAIL FAVALESSA
DA REDAÇÃO



A seccional de Mato Grosso da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-MT) entrou com um pedido de quebra de sigilo dos acordos de colaboração premiada do empresário Alan Malouf e do ex-secretário de Estado de Educação Permínio Pinto Filho, delatores da Operação Rêmora. O pedido foi encaminhado ao ministro Marco Aurélio de Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), que seria o relator das duas delações.

À Justiça, tanto Malouf quanto Permínio teriam confessado suas participações em fraudes ocorridas em licitações de obras da Secretaria de Estado de Educação (Seduc) e ainda teriam implicado o governador Pedro Taques (PSDB) no caso, que foi investigado na Operação Rêmora, do Ministério Público Estadual (MPE).

>>> Clique aqui e receba notícias de MT na palma da sua mão

“Em casos como esses, defendemos a publicidade dos processos até para que os citados não sejam acusados, julgados e condenados pela opinião pública sem a chance de produzirem suas defesas”, disse o presidente da OAB.

 

O esquema era de direcionamento das licitações para construção e reforma de escolas da rede pública estadual, com o objetivo de desviar dinheiro para cobrir dívidas da campanha de 2014 do tucano ao Governo do Estado – ele é candidato à reeleição. O deputado federal Nilson Leitão (PSDB) também é citado como um dos beneficiados pelo esquema.

O OAB-MT alega que o tema é de “interesse público” e lembra que adotou o mesmo procedimento quando a delação premiada do ex-governador Silval Barbosa foi homologada pelo ministro Luiz Fux, também do STF, no ano passado.

“Em casos como esses, defendemos a publicidade dos processos até para que os citados não sejam acusados, julgados e condenados pela opinião pública sem a chance de produzirem suas defesas”, disse o presidente da OAB-MT, Leonardo Campos.

Leonardo ainda argumenta que “a sociedade merece saber o que realmente aconteceu ou está acontecendo, não se podendo admitir que dúvidas pairem sobre agentes públicos”. O objetivo seria evitar que trechos das delações sejam vazados de maneira seletiva.

Corrupção na Seduc

De acordo com os trechos divulgados até o momento, Alan Malouf afirmou que investiu R$ 10 milhões no caixa 2 da campanha de Taques, em 2014. O retorno seria obtido por meio das fraudes às licitações da Seduc.

O ex-secretário Permínio Pinto disse ter tratado diretamente com o governador sobre certames que seriam direcionados a empresas envolvidas no esquema. Permínio teria entregado à Justiça mensagens do aplicativo WhatsApp em que o governador Pedro Taques teria pedido “facilidade nas licitações”. O governador nega e afirma que o conteúdo da suposta delação tem sido vazado apenas com o objetivo de atacar sua campanha à reeleição.

Leia mais:

STF homologa delação de Alan Mallouf e pode complicar Taques e Leitão

Ex-secretário diz que Taques integrou esquema para quitar dívidas de campanha 

Taques: 'Delação de Permínio foi vazada por motivos eleitorais'

Comente esta notícia