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13 de Janeiro de 2017, 14h:10 - A | A

PODERES / AÇÃO DA ARARATH

Mesmo com aval de Janot, ministro tem que se explicar, diz criminalista

O aval do procurador da República foi em relação ao processo penal (criminal), e não sobre a área cível, afirma advogado

Reprodução

Carlos Frederick argumenta que pelo ordenamento cível, Blairo permanece com os bens bloqueados

Carlos Frederick argumenta que pelo ordenamento cível, Blairo permanece com os bens bloqueados

FRANCISCO BORGES
DA REDAÇÃO



O advogado criminalista Carlos Frederick afirmou que, mesmo com o parecer favorável do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, o ministro da Agricultura, Blairo Maggi (PP), ainda terá que se explicar juridicamente na área cível sobre a suposta compra da vaga no Tribunal de Contas do Estado (TCE).

A vaga era do então conselheiro Alencar Soares e a suposta transação, em 2010, favoreceu o então deputado estadual Sérgio Ricardo, que presidia a Assembçeia Legislativa.

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“Esse despacho pedindo o arquivamento [expedido por Janot] diz que não foram encontradas provas suficientes na ação penal, mas isso não vincula a atividade jurisdicional cível, porque existe a autonomia das instâncias civil, criminal e administrativa", disse o advogado.

O advogado explicou que a ação de improbidade administrativa do Ministério Público Estadual (MPE), referente à Operação Ararath, envolvendo Maggi, não tem relação com a ação penal sobre o mesmo caso, pois seria em ordenamentos diferentes.

De acordo com ele, o ministro, além de outros envolvidos no esquema, deverá continuar com os bens bloqueados e respondendo ação por improbidade, na área cível.

A decisão foi emitida pelo juiz Luis Aparecido Bortolussi, da Vara Especializada em Ação Civil Pública e Ação Popular, no último dia 10.  

“No ordenamento processual, existem os processos civil, penal (criminal) e o administrativo, mas um não tem relação com o outro, ainda que falem sobre a mesma coisa”, afirmou.

“Em ação de improbidade administrativa, que é uma ação cível de responsabilidade do gestor, como o caso do Blairo, o foro não acoberta. Daí um juiz singular pode livremente emitir sua decisão e julgar. Se fosse uma ação criminal, daí teria que ser remetido para o STF, mas como é cível não precisou”, disse.

Parecer favorável de Janot

Diante do parecer pelo arquivamento da ação penal, por falta de provas contra o ministro, emitido pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, nesta quinta-feira (12), o advogado explicou que, mesmo que seja do mesmo caso, é somente correlacionado o despacho.

Ou seja, um mesmo processo sendo analisado por meio de denúncia em dois ordenamentos processuais diferentes.

“Esse despacho pedindo o arquivamento [expedido por Janot] diz que não foram encontradas provas suficientes na ação penal, mas isso não vincula a atividade jurisdicional cível, porque existe a autonomia das instâncias civil, criminal e administrativa. Na prática, seria dizer não tem provas em ação penal. Mas em cível, o juiz de primeira instância entende que existem indícios, daí a permanência do bloqueio”, disse.

Segundo o advogado, o procurador-geral da República não disse que não existia o fato da suposta negociata na compra da cadeira do TCE e nem que o ministro não tenha praticado. “Ele [Janot] disse apenas que naqueles autos não existem provas suficientes que apontem para um indício de autoria que embasasse uma ação criminal. Se fosse o caso seria remetido para outra instância, pois o ministro tem foro privilegiado”.                  

Foro

Frederick disse ainda que o foro por prerrogativa de função que Maggi detém é no Supremo Tribunal Federal (STF) e não para ações cíveis, fato que deixa livre para um magistrado de primeira instância emitir qualquer despacho, caso haja indícios de atos ilícitos.

“Em ação de improbidade administrativa, que é uma ação cível de responsabilidade do gestor, como o caso do Blairo, o foro não acoberta. Daí um juiz singular pode livremente emitir sua decisão e julgar. Se fosse uma ação criminal, daí teria que ser remetido para o STF, mas como é cível não precisou”, disse o advogado.

O caso

O juiz Luís Aparecido Bertolucci Júnior, da Vara Especializada de Ação Civil Pública e Ação Popular, determinou o afastamento do conselheiro Sérgio Ricardo de Almeida, do Tribunal de Contas de Mato Grosso.

“Isso ainda está num campo muito explicável. Salvo se o caso se aprofundar, até agora o cenário político para o ministro é totalmente favorável”, analisou Onofre Ribeiro.

O afastamento do conselheiro é imediato, segundo decisão, dada na última segunda-feira (9).

O magistrado também mandou bloquear os bens e contas, no valor de R$ 4 milhões, do conselheiro e outros réus em uma ação do Ministério Pùblico Estadual.

São eles: o ministro da Agricultura, Blairo Maggi; os ex-conselheiros Humberto Bosaipo e Alencar Soares e seu filho Leandro Valoes Soares; o ex-secretário Éder de Moraes Dias; o empresário Gércio Marcelino Mendonça Júnior; ex-deputado estadual José Riva e o ex-governador Silval Barbosa.

A decisão de Bertolucci é com base um suposto esquema de compra de vaga no TCE por parte de Sérgio Ricardo.

Ele assumiu no lugar de Alencar Soares, em 2010. A investigação foi feita pela Polícia federal, por meio da Operação Ararath.

Delação

O MPE levantou a suspeita sobre a suposta venda de vaga no TCE após depoimentos do empresário Júnior Mendonça, em delação premiada, e do ex-secretário  de Fazenda do Governo Silval Barbosa (PMDB), Éder Moraes.

Segundo Mendonça, o suposto esquema teria começado em 2008. Na época, Sérgio Ricardo era deputado estadual e presidia a Assembleia Legislativa.

De acordo com a ação, Sérgio teria contado com o apoio do então deputado José Riva, que, com Júnior Mendonça, teria levantado recursos no BicBanco (atual Banco Chinês para a Reconstrução) e garantir a compra da vaga de Alencar Soares.

Na delação, Júnior Mendonça afirmou que, em 2009, o então governador Blairo Maggi (PR) obteve dele, por meio de Éder Moraes, R$ 4 milhões para pagar Soares.

Vida política

Para o professor e analista político, Onofre Ribeiro, mesmo o caso vindo à tona nesse momento, prestes ao ministro a se declarar como candidato à Presidência da República em 2018 como quer sua legenda, a vida política de Maggi não está afetada.

De acordo com ele, ainda está muito confuso para se fazer uma avaliação profunda do envolvimento de Blairo na Ararath e por isso “tudo ainda é explicável”. Ele acredita que isso não seja um empecilho caso Maggi tenha projeção nacional para as próximas eleições.

“Isso ainda está num campo muito explicável. Salvo se o caso se aprofundar, até agora o cenário político para o ministro é totalmente favorável”, analisou.     

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