MARCIO CAMILO
DA REDAÇÃO
O governador eleito Mauro Mendes (DEM) não terá vida fácil na Assembleia Legislativa (AL-MT). Esse é o entendimento do cientista político João Edison ao analisar o quadro de renovação na Assembleia depois das eleições de domingo (7): dos 24 deputados eleitos, 14 irão assumir pela primeira vez uma cadeira no parlamento mato-grossense.
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O analista explicou que não vê uma Assembleia com disponibilidade para negociar com o Governo, pois os novos deputados vão querer mostrar serviço no primeiro mandato e sem conhecer direito os trâmites do Estado.
“Quando você não conhece o processo, toda solução é mágica. Num Estado que está inchado, com uma nata de funcionários que recebem valores extraordinários, com repasses constitucionais [duodécimos aos Poderes] muito altos e com o orçamento estourado, o problema que esse deputado falou que irá resolver, talvez será resolvido no terceiro ano de Governo”, avaliou.
Edison destacou que o governador eleito tem perfil negociador, mas mesmo assim os deputados novos dificilmente irão "comprar" a ideia de que o Estado está quebrado e que é preciso tempo para arrumar a casa: “Até porque esse discurso vem desde o primeiro dia do Pedro [governador Pedro Taques]. E ele deixou a ideia de que a casa foi arrumada, apesar de a dívida do Estado ter aumentado cinco, seis vezes a mais”, observou o cientista político.
“É um conjunto de nomes novos com ideias velhas. Não é que trouxe o passado de volta, mas existem muitas pessoas cujas ideias não são as mais modernas do mundo", avaliou João Edison.
“O Mauro não terá vida fácil. Vão ser 14 pessoas inexperientes, que vão tentar mostrar serviço, sem saber como as coisas realmente funcionam na máquina pública”, emendou.
Para Edison, a dificuldade do próximo governador tem muito a ver com o tipo de renovação na Assembleia, que ele considera suspeita.
Segundo ele, muitos dos novos deputados se elegeram sob a bandeira da moralidade, mais impulsionados pelo fenômeno Jair Bolsonaro (PSL) e pelo discurso contrário à política tradicional.
“É um conjunto de nomes novos com ideias velhas. Não é que trouxe o passado de volta, mas existem muitas pessoas cujas ideias não são as mais modernas do mundo. Foram eleitos por fatores de ordem moral e não por pensarem em um Estado diferente ou projetos políticos diferenciados”, avalia.
Antes do período eleitoral, especialista apontavam que a renovação seria pequena, por causa do período de campanha reduzido, de apenas 45 dias, e tendo em vista que o Fundo Eleitoral ainda foi a principal fonte de financiamento das campanhas, situação que favoreceria políticos tradicionais.
No entanto, Edison observou que essas questões perderam o peso de influência, pelo fato de muitos dos deputados que concorreram à reeleição em Mato Grosso terem sido citados na ‘delação monstruosa’ do ex-governador Silval Barbosa.
Para se ter ideia, dos 10 parlamentares que não se reelegeram, todos foram citados por Silval em supostos esquemas de corrupção envolvendo, por exemplo, propinas para que projetos de interesse do Governo fossem aprovados na Assembleia Legislativa. Entre eles estão Mauro Savi (DEM), Gilmar Fabris (PSD) e Romoaldo Junior (MDB).
Sangue novo
Entre os neófitos da Assembleia está o delegado Claudinei (PSL), que recebeu uma votação expressiva de 29,9 mil votos.
Outra novidade é o advogado Ulysses Moraes (DC), de apenas 24 anos. Ele é ligado ao Movimento Brasil Liberal (MBL) e ficou conhecido na internet por fazer vídeos criticando atuação de grupos de esquerda em Mato Grosso.
Quem também surpreendeu ao conquistar uma vaga foi o ex-presidente do Sindicato dos Agentes Penitenciários de Mato Grosso (Sindspen), João Batista (Pros). Como sindicalista, ele ganhou destaque na área de segurança pública ao cobrar do Governo a contratação de mais agentes nos presídios, além da construção de novas penitenciária no Estado.
Veja a lista completa dos deputados estaduais eleitos:
Janaina Riva (MDB)
Nininho (PSD)
Max Russi (PSB)
Eduardo Botelho (DEM)
Delegado Claudinei (PSL)
Guilherme Maluf (PSDB)
Dilmar Dal Bosco (DEM)
Sebastião Rezende (PSC)
Xuxu Dal Molin (PSC)
Ludio Cabral (PT)
Valdir Barranco (PT)
Elizeu Nascimento (DC)
Valdir Moretto (PRB)
Faissal (PV)
Dr João (MDB)
Thiago Silva (MDB)
Ulysses Moraes (DC)
Allan Kardec (PDT)
Wilson Santos (PSDB)
Dr Eugênio (PSB)
Dr Gimenez (PV)
Silvio Favero (PSL)
Paulo Araujo (PP)
João Batista do Sindspen (Pros)
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