RAFAEL DE SOUSA
DA REDAÇÃO
O governador Mauro Mendes (DEM) declarou, na tarde desta terça-feira (19), não ter “varinha mágica” para resolver a crise financeira da Santa Casa de Misericórdia, que no último dia 11 fechou as portas para pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS), por falta de repasses para pagar os salários de funcionários que estão em atraso há seis meses.
Na declaração, que ocorreu após segunda reunião dos Fundos Emergenciais para Saúde Animal, no Hotel Gran Odara, em Cuiabá, Mauro chamou a atenção para a responsabilidade do prefeito Emanuel Pinheiro (MDB), ao argumentar que hoje é governador e não pode olhar apenas para um município, ou para problemas específicos, apesar de estar sensível ao diálogo sobre qualquer tema que aflija os mato-grossenses.
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Na ocasião, ele comentou que é questão de competência do prefeito manter a unidade funcionando.
"Recebi com oito meses de atrasos da administração anterior e não temos varinha mágica, como disse durante toda campanha. Não vai existir solução fácil. Nós temos uma dura realidade e o que vai mudar a dura realidade é trabalho sério e tempo", declarou o governador.
“Quando fui prefeito de Cuiabá nós conseguimos administrar durante os quatro anos esse problema da Santa Casa e nunca deixei fechar. Desejo que o prefeito faça o mesmo. O Estado tem o dever de olhar pra todos, mas sou governador de Mato Grosso e não posso olhar apenas para um município ou para problemas específicos”, declarou.
O democrata atribuiu parte do caos na Saúde do Estado ao seu antecessor, Pedro Taques (PSDB), que deixou o Governo com uma dívida de R$ 400 milhões, além de dezenas de repasses em atraso aos hospitais e municípios.
“A Saúde pública de Mato Grosso está realmente numa situação ruim, delicada. Em janeiro tivemos que fazer intervenção nos hospitais de Rondonópolis e Sinop. Pegamos uma saúde, praticamente um caos, com mais de R$ 400 milhões de restos a pagar. Dívidas com fornecedores, com consórcios, ou seja, um absoluto caos”, disse Mauro.
O governador concordou que ainda há muitos repasses em atraso, como é o caso da Santa Casa, mas disse ter tomado medidas importantes para resolver o problema. Entretanto, não sinalizou ajuda ao filantrópico.
"Quando fui prefeito de Cuiabá, nós conseguimos administrar durante os quatro anos esse problema da Santa Casa e nunca deixei fechar. Desejo que o prefeito faça o mesmo".
“Os repasses estão atrasados. Recebi com oito meses de atrasos da administração anterior e não temos varinha mágica, como disse durante toda campanha. Não vai existir solução fácil. Nós temos uma dura realidade e o que vai mudar a dura realidade é trabalho sério e tempo. Existem algumas áreas da saúde que já repassamos janeiro e fevereiro, mas existe um esforço gigantesco a ser feito para que possamos colocar ordem na casa”, pontuou.
Por falta de dinheiro, a Santa Casa determinou, no último dia 11, a paralisação dos atendimentos pelo Sistema Único de Saúde (SUS), após a Prefeitura de Cuiabá alegar que não iria repassar o valor R$ 3,6 milhões para custeio de serviços emergenciais por recomendação da Delegacia Fazendária, pois, o hospital seria alvo de investigação, o que é negado pela direção da unidade de saúde.
Com a medida, a Santa Casa fechou as portas para atendimento pelo SUS e pelo menos 620 pacientes das áreas de nefrologia, oncologia e pediatria foram transferidos para unidades como os Hospitais de Câncer (HCan) e o Geral Universitário (HGU), que também prestam serviços ao SUS.
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