APARECIDO CARMO
DO REPÓRTERMT
O governador Mauro Mendes (União) defendeu, nesta segunda-feira (25), que os estados menos endividados recebam as mesmas condições que serão oferecidas aos estados que perderam o controle das dívidas com a União. O assunto veio à tona em razão de uma reunião que será realizada na terça-feira (26), em Brasília, onde o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, apresentará a proposta de negociação aos governadores.
Segundo o ministro, a proposta já recebeu o aval do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e deve ser encaminhada ao Congresso Nacional ainda neste primeiro semestre.
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Segundo Mauro Mendes, a dívida de Mato Grosso corresponde a aproximadamente 10% da receita corrente líquida, o que coloca o estado entre os que tem menores índices de endividamento.
Se for flexibilizar regras para quem deve muito, tem que flexibilizar também para quem deve pouco
“Nós estamos em uma situação muito confortável. Agora, é claro que eu tenho um endividamento pequeno, mas se for flexibilizar regras para quem deve muito, tem que flexibilizar também para quem deve pouco. Porque não é justo você dar um tratamento especial àqueles que não fizeram a lição de casa ou que não estão conseguindo pagar as dívidas e aqueles que estão se esforçando, aqueles que estão fazendo um empenho fiscal mais rigoroso não ter esse mesmo tratamento”, disse o governador em entrevista para a Jovem Pan na manhã desta segunda-feira (25).
“Nós defendemos isso, que se o Haddad diminuir taxa de juros, se ele alongar, ele tem que fazer isso para todos, garantindo isonomia, e não simplesmente um privilégio para aqueles que estão em dificuldade”, acrescentou.
Desde que foi criado o Plano Real, os governadores que enfrentam dificuldades nas contas públicas recorrem ao governo federal em busca de alívio no pagamento das dívidas. Desta vez, quem lidera a busca de uma renegociação são os governadores do consórcio Sul-Sudeste.
Para Mauro Mendes, a forma como as autoridades lidam com os gastos públicos ainda é muito contaminada pelo “jeitinho brasileiro”, isto é, os governadores empurram os problemas com “a barriga” e quando a situação aperta, tentam renegociar com o governo federal.
“O tempo vai passando e vão sempre arrumando um jeitinho de postergar, muda a regra aqui, muda a regra ali e poucos são aqueles que fazem um ajuste fiscal”, pontuou.
O governador mato-grossense ainda destacou que os bons resultados obtidos pela sua administração são resultado de um ajuste fiscal realizado no início do seu primeiro mandato. Ele defendeu que esse é o primeiro passo para que os governos tenham dinheiro sobrando para investimentos públicos.
“Um ajuste fiscal nada mais é do que você gastar menos do que você arrecada, primeiro para fazer sobrar dinheiro para investir, que é tão importante para melhorar a qualidade daquilo que o estado brasileiro tem o dever de prestar ao cidadão e segundo para liquidar esses passivos, essas dívidas, esses esqueletos que existem nos armários das administrações públicas em todo o país”, apontou.














