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Cuiabá, 13 de Junho de 2026
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05 de Outubro de 2021, 16h:07 - A | A

PODERES / GRAMPEOU A AMANTE

Justiça mantém Paulo Taques réu por escutas telefônicas ilegais no governo

O ex-secretário foi acusado de criar uma história fantasia e induzir delegadas ao erro ao alegar que a amante estaria planejamento atentado contra o governador

CAMILLA ZENI
DA REDAÇÃO



O desembargador Mário Roberto Kono de Oliveira, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), negou recurso do ex-secretário chefe da Casa Civil, Paulo Taques, contra o recebimento da ação por improbidade administrativa cometida por ele no governo estadual.

No TJMT, Paulo Taques tentava, de forma antecipada, extinguir o processo que o tornou réu, em agosto deste ano, sob alegação de incompetência da autoridade que conduziu as investigações, gerando nulidade absoluta da ação, além de apontar prejuízo ao contraditório e à ampla defesa, e prescrição do suposto crime.

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Na decisão desta terça-feira (5), o desembargador apontou que não ficou comprovado risco de dano grave ou de difícil reparação no recurso do ex-secretário, de forma que o pedido de antecipação de tutela foi indeferido. 

Grampeou a amante

Conforme o noticiou, em 23 de agosto o juiz Bruno D'Oliveira Marques, da Vara de Ação Civil Pública e Popular de Cuiabá, recebeu a denúncia do Ministério Público Estadual (MPE) contra Paulo Taques e contra a delegada da Polícia Civil Alana Derlene Cardoso, tornando-os réus por improbidade administrativa.

Narra a denúncia que Paulo Taques "criou uma história cobertura" para atender seus interesses pessoais, induzindo duas delegadas ao erro e as levando a grampear sua ex-amante e uma servidora da Casa Civil. Consta que Taques e Alana promoveram um esquema conhecido como "barriga de aluguel", isto é, a inclusão de número telefônicos diversos, durante as investigações da Operação Forti, que tinha como alvo facções criminosas, deflagrada em 2015.

Na época, o ex-secretário disse que estava preocupado com um possível atentado que estaria sendo tramado contra ele e o então governador Pedro Taques. A autoria seria de duas mulheres, em conjunto com um jornalista e o ex-comendador João Arcanjo Ribeiro - que foi preso por Pedro Taques quando este era procurador da República.

Com autorização de outra delegada, secretária da Inteligência, Alana pediu a interceptação telefônica de "Dama Loura" e "Amiguinha", sem informar quem eram e o real motivo dos grampos.

O caso veio à tona no âmbito da Grampolândia Pantaneira, como ficou conhecido o esquema de escutas clandestinas orquestrado no governo estadual, supostamente sob ordens de Paulo Taques. Depois do escândalo, a 7ª Vara Criminal de Cuiabá fez uma inspeção em todas as interceptações autorizadas no período de 2014/2015, para apurar se houve a prática de barriga de aluguel em algum outro caso.

A farsa em relação aos números celulares das duas mulheres foi descoberta porque, depois, com a denúncia sobre o possível atentado, a Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO) também passou a grampear as mulheres, que foram devidamente identificadas em outro processo. Então, descobriu-se que os números das duas já tinham sido grampeados na operação contra facções criminosas, meses antes.

Não aceitou o processo

Na época em que a ação foi recebida, Paulo Taques emitiu uma nota à imprensa afirmando que iria recorrer. Ele ainda comentou que a denúncia "não levou em conta as provas que insistem em esconder da defesa, como o depoimento do ex-governador ao MPE e perícias em celulares constantes no inquérito policial".

Ele disse ainda que não aceitava responder por improbidade administrativa uma vez que as investigações em relação ao caso sequer foram concluídas.

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