Cuiabá, 13 de Setembro de 2026
XX°C
RepórterMT - Notícias de Mato Grosso e Cuiabá Hoje
13 de Setembro de 2026

03 de Dezembro de 2018, 07h:15 - A | A

PODERES / TAXAÇÃO DO AGRO

Imea afirma que novos impostos vão reduzir salários e investimentos em Mato Grosso

Segundo o Imea, a cada R$ 100 que não é investido em soja causa impacto no setor e consequentemente afeta o diesel, salários, máquinas, insumos e outros custos.

RepórterMT

Taxação do agronegócio está em pauta nas discussões da Assembleia.

Taxação do agronegócio está em pauta nas discussões da Assembleia.

RAFAEL MACHADO
DA REDAÇÃO



Em meio às discussões sobre taxação ao agronegócio, representantes do setor apontam que novos tributos podem impactar também nos investimentos em diesel, salário, máquinas e insumos.

O Superintendente do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), Daniel Latorraca apresentou, durante debate sobre a temática na Assembleia Legislativa, dados sobre a colaboração do agronegócio para economia do Estado e os impactos caso haja nova tributação.

>>> Receba as principais notícias de Mato Grosso em primeira mão. Clique aqui!

Ele explica que nos últimos 20 anos, as despesas do Poder Executivo com folha de pagamento cresceu 368%, muito mais do que a receita orçamentaria do Estado, o que, para ele, não depende de novos impostos para colaborar com crise administrativa/financeira.

“Será que de fato pressionar mais ainda o setor que cresce e contribuiu com a receita orçamentária vai resolver todos os problemas?”, questionou.

"Será que de fato pressionar mais ainda o setor que cresce e contribuiu com a receita orçamentária vai resolver todos os problemas?", questionou.

Em 2017, segundo dados apresentados, o Estado arrecadou cerca de R$ 1,7 bilhão, sendo que R$ 640 milhões foram da soja e outros R$ 530 milhões foram do diesel. Latorraca ainda aponta que cada R$ 100 que não é investido em soja causa impacto no setor e, consequentemente, afeta os setores do diesel, salários, máquinas, insumos e outros custos.

Em relação a emprego, o setor representa 33% do mercado sendo que gastou em 2017 cerca de R$ 10,6 bilhões de salário.

Ao finalizar a apresentação, ele fez comparações de tributos cobrados entre Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Cita que o Estado vizinho cobra 5% a menos na alíquota do diesel e que a proposta para diminuir a porcentagem cobrada sobre a exportação direta do farelo de soja.

“Mato Grosso tem uma alíquota de 12% na exportação direta de grão e 6% na operação interestadual de farelo, o momento lá é de redução de imposto, esse ano ainda teve outra redução na alíquota do diesel. Mato Grosso do Sul cobrava 17% como Mato Grosso, mas sabe quanto é alíquota do diesel lá? 12%. Aqui é 17% mais Fethab”, pontou. 

Discussões 

As discussões sobre a taxação do agronegócio surgiu após o governador Pedro Taques (PSDB) anunciar que não enviaria um novo projeto do Fethab 2. O anúncio deixou o próximo gestor Mauro Mendes (DEM) preocupado, porque por meio desse fundo o Estado consegue arrecadar anualmente R$ 450 milhões. 

Na Assembleia Legislativa, o vice-líder do Governo na Assembleia, deputado Wilson Santos (PSDB), a defender a taxação do agronegócio cita que o setor está ausente, principalmente nesse momento de crise, e estuda um modelo de tributo aplicado em Mato Grosso do Sul para tentar injetar cerca de R$ 800 milhões nos cofres públicos do Estado.  

Segundo o tucano, no Estado vizinho desde 2005 proíbe que produtores exportem mais do que 50% de sua produção. Do restante são cobrados 12% de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS).

Leia mais

Petista desdenha e pede impostos; 'Quem come soja são porcos da China'

Wilson diz que setor é ausente e defende modelo de Mato Grosso do Sul

Comente esta notícia