CAMILLA ZENI
DA REDAÇÃO
O ex-secretário de Saúde de Cuiabá, Luiz Antônio Pôssas de Carvalho, negou participação no esquema de suposta fraude em procedimento de dispensas de licitação na Prefeitura de Cuiabá.
Na manhã desta quinta-feira (30), Pôssas foi alvo da Operação Colusão, deflagrada pela Polícia Federal contra 11 alvos, sendo três deles empresas. Foram cumpridos, ao todo, 12 mandados de busca e apreensão.
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De acordo com o ex-secretário, as buscas em sua casa ocorreram “de forma respeitosa” e nada foi levado pela equipe federal.
Pôssas disse, ainda, que não teve acesso aos documentos da operação, mas “jamais cometeu qualquer crime, tampouco ao longo de seus mais de 42 anos de conduta jurista e/ou gestor público”.
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O ex-secretário ainda se colocou à disposição das autoridades para sanar quaisquer dúvidas e afirmou que “em todas as acusações imputadas em operações anteriores”, foi declarado inocente.
Histórico
Pôssas foi alvo da Operação Overpriced em setembro de 2020, quando, por força do afastamento judicial decretado pela 7ª Vara Criminal de Cuiabá, foi exonerado do cargo. Na época ele foi acusado de liderar o grupo criminoso que fraudava processos licitatórios para compra de medicamentos. Foram encontradas diversas irregularidades, como sobrepreço e direcionamento.
Em junho deste ano foi deflagrada a segunda fase da operação, na qual, mais uma vez, Pôssas foi alvo. Além dele, também foram investigados dois outros servidores que, na operação de hoje, voltaram a ser alvos: o ex-secretário adjunto João Henrique Paiva e a servidora Hellen Cristina da Silva.
Em 30 de julho, a Polícia Federal deflagrou também a Operação Curare, que afastou e resultou na exoneração de Célio Rodrigues da Secretaria de Saúde de Cuiabá. A investigação, baseada em auditoria do Denasus, apontou fraude em contratos da Secretaria de Saúde.
Na semana passada, a 7ª Vara Criminal de Cuiabá determinou o desbloqueio das contas do ex-secretário e revogou as medidas cautelares que haviam sido impostas.
Operação Colusão
A apuração da PF mirou seis processos de compra com dispensa de licitação, que foram analisados por órgãos de controle como a Controladoria Geral da União e o Denasus.
Foram constatadas diversas irregularidades, como direcionamento para contratação de uma empresa específica, sobrepreço, fracionamento das compras, além da própria dispensa de licitação firmada de forma irregular.
A PF também apontou que uma empresa fantasma emitiu um orçamento em um dos processos para ajudar na "legalidade" do procedimento e, depois, recebeu mais de R$ 1 milhão de transferência da principal empresa investigada. Também foram constatados pagamentos mensais para um servidor da Saúde de Cuiabá.
Além disso, a PF apontou que houve uma movimentação financeira estranha em contas relacionadas ao ex-secretário de Saúde de Cuiabá. Segundo as investigações, mais de R$ 1 milhão foram movimentados entre ele e uma funcionária da empresa da qual ele era sócio, mas a mulher não tinha condições financeiras de fazer tais transações.
A estimativa é de que, ao todo, o esquema tenha movimentado R$1.998.983,37.
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