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22 de Março de 2018, 16h:45 - A | A

PODERES / FRAUDE DE R$ 1,5 MILHÃO

Desembargador vai contra relator e pede condenação de Gilmar Fabris

O voto de Zuquim é divergente ao do relator, desembargador Pedro Sakamoto, que não viu culpa de Fabris, que alegou que a responsabilidade pela assinatura dos cheques da Assembleia era do primeiro-secretário e não dele, que em 1996 era o presidente da AL.

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Fabris teria participado do esquema por meio da emissão de 123 cheques do Poder Legislativo.

Fabris teria participado do esquema por meio da emissão de 123 cheques do Poder Legislativo.

FLÁVIA BORGES
DA REDAÇÃO



O desembargador José Zuquim, que havia pedido vista no processo que julga o deputado estadual Gilmar Fabris (PSD) pelo crime de peculato e lavagem de dinheiro por meio de um esquema que desviou R$ 1,5 milhão dos cofres da Assembleia Legislativa, votou pela condenação do parlamentar. Nove desembargadores acompanharam Zuquim.

O voto de Zuquim é divergente ao do relator, desembargador Pedro Sakamoto, que não viu culpa de Fabris, que alegou que a responsabilidade pela assinatura dos cheques da Assembleia era do primeiro-secretário e não dele, que em 1996 era o presidente do Legislativo.

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De acordo com o processo, Fabris teria participado do esquema por meio da emissão de 123 cheques do Poder Legislativo, depositados na conta bancária de uma empresa fantasma, a Madeireira Paranorte Ltda., quando era presidente da Assembleia em 1996.

"São 123 cheques dos quais se emputa prática delituosa. A defesa alega que somente 22 tinham a assinatura do réu. A meu ver, nenhuma tese da defesa tem força. Se não havia previsão legal, o que levaria o réu a assinar os cheques. Bastava que assinasse um cheque para que fosse comprovada a culpa", afirmou Zuquim.

Em 1996, o ex-deputado José Riva (sem partido) era o 1º secretário da Assembleia, o responsável por ordenar as despesas.

Entre os beneficiários estão rádios, jornais, papelarias, gráficas, agências de viagens, empresas de táxi aéreo e transporte rodoviário.

O julgamento, no entanto, foi suspenso novamente com o pedido de vista do desembargador Luiz Carlos da Costa.

O relator do processo, desembargador Pedro Sakamoto, já votou pelo arquivamento da ação por entender que as contas da suposta madeireira, que teria recebido os cheques, não foram encontradas.

No entanto, o magistrado reconhece que a Paranorte era fantasma porque não há registro de movimentação financeira no sistema da Secretaria de Fazenda do Estado (Sefaz).

O relator também observou que as folhas de cheques estavam com as assinaturas do ex-deputado José Geraldo Riva, e apenas 22 com o visto de Fabris, sendo assim, segundo o magistrado, o então presidente do Legislativo era apenas um vistoriador dos gastos. 

O magistrado Rondon Bassil foi o único, até o momento, a concordar com o voto de Sakamoto. 

Os cheques, sustenta o MP, eram endossados de forma fraudulenta à uma empresa e sequer chegavam as contas dos destinatários. A conta corrente desta empresa seria administrada por um ex-funcionário do escritório contábil de Riva, localizado em Juara, e servidor da Assembleia subordinado ao ex-parlamentar.

A denúncia foi aceita pelo Pleno em maio de 2010 e um dos crimes denunciados, o de formação de quadrilha, foi considerado prescrito. Em relação a Riva, a ação foi desmembrada em agosto de 2016, uma vez que ele não era mais deputado e, portanto, não possuía mais a prerrogativa de foro por função. Em maio do ano passado, Fabris foi ouvido e negou todas as acusações.

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