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26 de Junho de 2018, 15h:34 - A | A

PODERES / DESVIO DE R$ 30 MILHÕES

Desembargador mantém suspensão de contrato entre EIG Mercados e Detran

Depois que a operação foi deflagrada, o Governo do Estado determinou uma intervenção no contrato.

RepórterMT/Reprodução

Empresa alega que bloqueio causa prejuízos pois atingiria toda sua receita, inclusive de outros contratos.

Empresa alega que bloqueio causa prejuízos pois atingiria toda sua receita, inclusive de outros contratos.

MIKHAIL FAVALESSA
DA REDAÇÃO



O desembargador Márcio Vidal, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, manteve a suspensão de um contrato entre a empresa EIG Mercados (antiga FDL) e o Departamento Estadual de Trânsito de Mato Grosso (Detran). O contrato é alvo da Operação Bereré, que investiga desvios de cerca de R$ 30 milhões no órgão.

“Ressalto, mais, uma vez que os fatos apurados na “Operação Bereré” são de extrema gravidade, sendo a empresa Impetrante uma das investigadas, isso demonstra que se deve ter a máxima cautela e até ato excepcional, visando à proteção e preservação do erário”, escreveu o desembargador em sua decisão, no dia 21.

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A empresa alegava que o bloqueio realizado em suas contas bancárias poderia causar um prejuízo ao funcionamento de toda a companhia. O argumento é que valores recebidos de outros contratos poderiam ser atingidos, o que foi refutado pelo desembargador.

Depois que a operação foi deflagrada, o Governo do Estado determinou uma intervenção no contrato e nomeou o servidor Augusto S. S. Cordeiro como responsável. Ele alterou a senha da conta pertencente à empresa no Banco Santander.

“Entrementes, não verifico que esse ato extrapola os poderes conferidos pelo aludido Decreto, haja vista que compete ao Interventor assinar todo e qualquer documento e/ou instrumento, perante as instituições financeiras em geral, para abertura, encerramento, movimentação de contas bancárias, efetuar pagamentos mediante assinaturas de cheques, emissão de DOC e/ou TED, receber e dar quitação referentes às contas bancárias no gerenciamento dos recursos financeiros advindos do Contrato de Concessão nº 001/2009, de acordo o descrito no artigo 3°, inciso XII, do Decreto Estadual n° 1.422/2018”, disse Márcio Vidal.

O desembargador afirmou não haver provas de que a conta é utilizada para recebimento de valores referentes a outros contratos.

Propinas e lavagem de dinheiro

De acordo com o Ministério Público Estadual (MPE), a EIG Mercados teria pago propina a diversas figuras políticas, incluindo deputados estaduais e um secretário de Estado. Os valores teriam sido lavados por uma empresa supostamente de fachada, a Santos Treinamentos, e então direcionados diretamente aos investigados ou pessoas ligadas a eles.

Seis pessoas, entre elas o deputado estadual Mauro Savi (DEM) e o ex-chefe da Casa Civil Paulo Taques, continuam presas desde a deflagração da segunda fase da Operação Bereré, chamada de Bônus.

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